O melhor programa de treino

O melhor programa de treino é aquele que se incorpora facilmente nas nossas vidas. É o programa regular que conseguimos manter eternamente se o desejarmos. O mesmo se aplica à dieta. São esses programas, essas dietas que mantêm ou melhoram os resultados e nos levam a atingir certos objectivos. São, acima de tudo, os programas e rotinas que controlamos, que dominamos. São personalizados para “pessoas reais”.

Na dieta não devemos passar fome nem eliminar alimentos por completo. No exercício, embora seja fundamental obedecer aos princípios de treino, também deverá haver uma dose num local e numa hora que se incorporem facilmente na agenda do dia-a-dia. Caso contrário, os resultados obtidos irão desaparecer rapidamente. Tudo o que se constrói lentamente com base em princípios sólidos, perdura, o resto… é temporário. E se, nos referirmos aos processos de perda de peso rápida, então a factura a pagar é de valor muito mais elevado, porque recuperamos os quilos perdidos e adicionamos muitos mais. Isto para não falar na qualidade da pele que se perde, nas estrias que se adquirem, etc.

Falo como um profissional do desporto, que fez loucuras consigo próprio e odeia ver pessoas com corpos geneticamente dotados, ímpares, a destruírem-se para se ASSEMELHAREM a outros corpos, perdendo a sua identidade, mas sobretudo sacrificando o que têm de melhor, muitas vezes em busca de se “encaixarem” em roupa com um corte universal em vez de procurarem a roupa que equilibre a sua figura e saliente os seus pontos fortes.

Todas as “facadas” (doses massivas de exercício, dietas onde se passa fome, horas de sono devidas à cama…), todos os actos radicais que temos para com o nosso corpo, deixam feridas, cicatrizes difíceis de apagar (eu que o diga). Algumas não são visíveis, mas estão lá e por vezes vão-se acumulando até o “copo transbordar”.

O nosso corpo tem características únicas. Devemos salientar esses pontos fortes. Ao fazê-lo, atenuamos os pontos fracos. Nem se notam. Aspecto da pele, proporções do corpo, medidas dos ossos (aquelas coisas que ninguém pode alterar porque nos foram legadas pelos nossos progenitores). Depois, toda a saúde física e mental que brota do nosso interior, pois o exterior espelha muito do que se passa no interior do nosso corpo. A nossa imagem, a percepção que os outros têm de nós, resulta do físico, mas também da nossa expressão.

A grande maioria de nós, recorda-se da roda dos alimentos que nos ensinaram na escola, dos princípios básicos de uma boa alimentação. São esses princípios que temos de aplicar. Um plano alimentar tem de respeitar a nossa cultura, os nossos hábitos, o nosso estilo de vida, o tempo disponível para realizar as refeições, a disponibilidade de alimentos nos locais que frequentamos e não apenas a escolha dos alimentos ideais (se é que isso existe).

O exercício provoca um estado de inflamação. O exercício é um estímulo. O exercício coloca stress sobre o nosso corpo. Se não deixarmos que ele se repare a si próprio, entramos num estado de sobretreino. O exercício tem de ser “doseado” de forma adequada a cada pessoa e ao estilo de vida de cada indivíduo. O exercício não pode nunca ser um fim em si próprio. Mas antes um meio para sermos mais fortes, mais resistentes, mais flexíveis, mais capazes para utilizar esse corpo em que vivemos, para nosso proveito no trabalho, no lazer, etc.

Por vezes, a busca do programa de treino ideal, reside nas imagens de perfeição. O problema da perfeição é que… Podemos sempre ser melhores. Se batemos um recorde uma vez, queremos bate-lo outra vez. Se ganharmos um milhão, queremos dois milhões, se formos campeões, queremos ser bi-campeões. Ficamos frustrados quando não conseguimos ser melhores do que os outros. Isso é… Negativo. Muito negativo. Se somos os melhores do mundo, então o tipo a bater somos nós próprios. Que ciclo frustrante. Já é um desafio exigente sermos melhores do que éramos.   Mas essa luta só pode ocorrer se gostarmos de nós próprios. Acho que… falta gratidão para com aquilo que somos e aquilo que temos. Que o digam os doentes, os mutilados, os paraplégicos, os velhos com dificuldades de mobilidade… Se tivessem… Um bocadinho… Do que nós temos.

Em vez de procurar mil e um atalhos ou métodos mirabolantes, basta usar um método com base em princípios sólidos. Princípios que se aplicam independentemente dos indivíduos, dos locais, das ferramentas… E depois encontrar o ajustamento ao nosso ideal. No meu caso, encontrei uma rotina de treino que tem funcionado bem para os meus horários de trabalho e estilo de vida actual. Assim, costumo realizar semanalmente duas sessões de 30 minutos de musculação intensa, utilizando sobretudo exercícios multi-articulares que trabalham quase o corpo todo, mil metros de natação que tardo 22 a 26 minutos em cumprir e uma corrida que pode variar entre 5 e 7 quilómetros que completo entre 26 e 43 minutos. Ou seja, no total gasto cerca de 2h por semana a estimular o meu corpo com o exercício físico. Procuro ser regular nesta rotina. O meu objectivo é manter e se possível melhorar a minha funcionalidade. No que diz respeito ao sono, a hora de levantar é próxima das 7 e procuro deitar o mais próximo possível do pôr do Sol, o que se tem traduzido num horário entre as 23 e as 00:30h. Esse tem sido o meu melhor. As refeições são quase sempre 6. Duas grandes e as restantes mais pequenas. Sentir-me em controlo da situação é muito mais importante e sempre que não é possível ter essa rotina, procuro encontrar alternativas que se ajustem aos desajustes do meu dia-a-dia que muda constantemente. Mas o mundo agora mexe muito rápido. Temos de nos adaptar. Os que se adaptam melhor… Têm mais facilidade em “sobreviver”.

Não recomendo alimentos especiais ou suplementos alimentares ou drogas da moda, nem exercícios esquisitos ou “para a fotografia”. Muito menos recomendo métodos de treino que se denominem XPTO, que advêm de descobertas incríveis e desaparecem ao final de um ciclo de venda de produtos ou equipamentos. Embora tenha recolhido bastante teoria com a minha faceta de “Doutor investigador”, procuro ter os pés assentes na Terra e ir adaptando de acordo com as pessoas e as circunstâncias. O Equilíbrio é muito importante. Exercício em doses adequadas, uma dieta equilibrada e uma rotina de sono regular, salpicados por uma fonte de inspiração de vida, podem ser a chave para a nossa produtividade, para o nosso sucesso neste mundo competitivo que nos exige cada vez mais sob uma tensão constante imposta pelos horários, pelo trânsito, pelos objectivos no emprego, pela família, etc.

Se estivermos 80% do tempo no nosso caminho, haveremos de chegar ao destino pretendido. O sucesso reside no percurso e não no destino. Venham os próximos dias de sono, dieta e alimentação para fazer os ajustamentos necessários!

Bons treinos e façam tudo para serem imprescindíveis neste mundo!

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