Algumas investigações sobre personal training

Uma intervenção individualizada é uma forma importante para o sucesso de alguns processos educativos em geral e na actividade física sucede o mesmo. Tem sido crescente o interesse de cientistas que realizaram trabalhos no sentido de verificar o sucesso do personal training como forma de mudar comportamentos (Maloof, Zabik, e Dawson, 2001; Mazetti, Kraemer, Volek, Duncan, Ratamess, e Gomez, 2000; McClaran, 2003; Wing, Jeffrey, Pronk, e Hellerstedt, 1996).

Este tipo de intervenção foi reforçado pelos resultados de alguns estudos científicos nos quais se verificou que a adesão ao exercício físico tende a ser mais elevada em grupos pequenos do que em grandes grupos (Massie e Shephard, 1971; Andrew, Oldridge, Parker, Cunningham, Rechnitzer, e Jones, 1981).

O personal training surge em grande parte pela falta de resultados das intervenções de grupo. Stalonas, Johnson, e Christ (1978); Pollock, Gaesser, Butcher, Després, Dishman, e Franklin (1998), assinalam a importância de individualizar os programas. Embora o trabalho individualizado não seja uma descoberta dos ginásios, foi popularizado por estes.

Apesar de sabermos que muitas pessoas não se comprometem com a frequência, intensidade e duração de exercício recomendadas para produzir benefícios psicológicos e fisiológicos de um programa de exercício físico (Glaros e Janelle, 2001), os professores devem promover a adesão ao exercício, desenvolvendo programas em torno dos gostos das pessoas (Thompson e Wankel, 1980), evitar prescrever exercício “by the book” para expedir ganhos cardiorespiratorios e de força porque podem promover o abandono (Annesi, 1996). No entanto, a variabilidade excessiva de um programa de exercício não está relacionada com o aborrecimento e não tem impacto na adesão ao exercício (Glaros e Janelle, 2001). Sobre este assunto, Cartoccio (2004) apresenta uma visão curiosa ao referir que: nos ginásios, onde deveríamos encontrar uma maior atenção ao corpo, encontramos uma atenção muito mais concentrada nos planos, receitas, programas que se aplicam ao corpo.

A situação do relacionamento entre utilizadores de ginásio e professores foi também o âmbito de estudo de outros autores que relacionaram a adesão com a personalidade dos professores. Wininger (2002) analisou as relações entre o prazer do exercício e as percepções de 296 mulheres que frequentavam aulas de aeróbica com quatro características do instrutor e cinco características da sala de aula. Características como a condição física do instrutor, a capacidade do instrutor comunicar as instruções e a ligação com outros participantes na aula, combinadas, contribuíam apenas para 17% da variabilidade do prazer no exercício físico. Annesi (1999) procurou avaliar se os traços de personalidade e os estilos de comportamento de 15 profissionais do exercício estavam associados com a adesão ao exercício físico dos seus clientes. O controlo estava significativamente correlacionado com a adesão dos clientes.

Num estudo realizado com 130 Instrutores de ginástica e musculação de ginásios de S. Paulo, cuja grande maioria tinha menos de trinta anos e só 10% tinha mais de 10 anos de experiência, foram inquiridos relativamente à sua formação profissional, Antunes (2003), verificou que alguns instrutores graduados em educação física consideravam esse curso pouco importante na sua preparação considerando a experiência prática mais importante para a capacitação profissional e muitos deles consideravam-se pouco preparados para assumirem determinadas funções ou para actuarem.

Referências Bibliográficas

Maloof, R., Zabik, R., e Dawson, M. (2001). The effect of use of a personal trainer on improvement of health related fitness for adults. Medicine and Science in Sports and Exercise, 33(5), s74.

Mazetti, S., Kraemer, W., Volek, J., Duncan, N., Ratamess, N., e Gomez, A. (2000). The influence of direct supervision of resistance training on strength performance. Medicine and Science in Sports and Exercise, 32, 1175-1184.

McClaran, R. (2003). The effectiveness of personal training on changing attitudes towards physical activity. Journal of Sports Science and Medicine, 2, 10-14.

Wing, R., Jeffrey, R., Pronk, N., e Hellerstedt, W. (1996). Effects of a personal trainer and financial incentives on exercise adherence in overweight women in a behavioral weight loss program. Obesity Research, 4, 457-462.

Massie, J., e Shephard, R. (1971). Physiological and psychological effects of trainning: a comparison of individual and gymnasium programs, with a characterization of the exercise “dropout”. Medicine and Science in Sports and Exercise, 3, 110-115.

Andrew, G., Oldridge, N., Parker, J., Cunningham, D., Rechnitzer, P., e Jones, N. (1981). Reasons for dropout from exercise programs in post-coronary patients. Medicine and Science in Sports and Exercise, 13, 164-168.

Stalonas, P., Johnson, W., e Christ, M. (1978). Behavior modification for obesity: the evaluation of exercise, contingency management, and program adherence. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 46, 463-469.

Pollock, M., Gaesser, G., Butcher, J., Després, J., Dishman, R., e Franklin, B. (1998). The recommended quantity and quality of exercise for developing and maintaining cardiorespiratory and muscular fitness, and flexibility in healthy adults. Medicine and Science in Sports and Exercise, 30, 975-991.

Glaros, N., e Janelle, C. (2001). Varying the mode of cardiovascular exercise to increase adherence. Journal of Sport Behavior, 24, 42-62.

Thompson, C., e Wankel, L. (1980). The effects of perceived activity choice upon frequency of exercise. Journal of Applied Social Psychology, 10, 436-443.

Annesi, J. (1996). Enhancing Exercise Motivation: A guide to increasingfitness center member retention. Los Angeles: Leisure Publications.

Wininger, S. (2002). Instructors and classroom characteristics associated with exercise enjoyment by females. Perceptual and Motor Skills, 94(2), 395-398.

Annesi, J. (1999). Relationship between exercise professional’s behavioral styles and clients’ adherence to exercise. Perceptual and Motor Skills, 89, 597 – 604.

Antunes, A. (2003, Maio). Perfil profissional de instrutores de academias de ginástica e musculação. EFDeportes. Restaurado em 19 de Julho, 2007, de http://www.efdeportes.com/efd60/perfil.htm.

Um comentário em “Algumas investigações sobre personal training”

Os comentários estão fechados.