Se soubesse aquilo que sei hoje… Eu…

ENTREVISTA a Rafael Delaunay Gomes

  • Idade: 31
  • Naturalidade: Suiça – Genéve
  • Modalidade: Triatlo
  • Clube: Associação Mouzinho Aventura / Grupo Valco / BFour

Contacto:

Há quanto tempo fazes triatlo?

Já lá vão 18 aninhos.

Como começaste?

Desde que me lembro, sempre pratiquei desporto, experimentei várias modalidades até chegar ao triatlo. Um ano antes de começar a fazer triatlo praticava natação e integrei uma equipa de ciclismo de Grândola, nesse mesmo clube no ano seguinte comecei a realizar triatlo. O bichinho do triatlo ficou quando me foi colocado o desafio de poder ir um dia aos Jogos Olímpicos e depois mais tarde de fazer IRONMAN do Havai.

Quais foram os teus melhores resultados?

  • Bi-Campeão Nacional de Triatlo Juvenil – 1997/1998
  • 3º Lugar Campeonato da Europa de Duatlo – 2001
  • 3º Lugar no campeonato Nacional de Triatlo Longo 2010
  • 3º Taça Ibérica de Triatlo Longo 2010
  • Campeão Nacional de Triatlo Longo 2011
  • 1º Ranking Nacional de Triatlo 2011
  • 3º Taça Ibérica de Triatlo Longo 2011
  • 14º Lugar Ironman Nice – 2012
  • 11º Lugar Ironman Wales – 2012
  • 3º Lugar Iberman – 2013

Quem te treinou e quem te influenciou?

Até ao ano 2004 tive muitos treinadores desde Paulo Alves, Sérgio Santos e António Jordan. De 1997 a 2004 participei nos projetos de seleções da Federação Portuguesa de Triatlo, integrando no ano 2000 o Projeto Olímpico Atenas 2004, sendo treinado pelos treinadores que já referi. Que de certo modo influenciaram decisivamente a minha trajetória nos seis anos que estive a trabalhar com eles, quer com as suas metodologias, quer com a sua visão do mundo da competição.

Mas quem influenciou decisivamente o meu percurso no triatlo foi a minha família, principalmente o meu pai. Foi também por motivos pessoais e familiares que em 2004 decidi deixar o triatlo e apostei em terminar o meu curso na Faculdade. No ano 2006/2007 voltei novamente a competir, mas desta vez apostando na distância longa.

Conheces alguém que seja bom atleta no triatlo sem ter boa genética para tal?

Sim, eu….:)))) Todos nós como um bom trabalho conseguimos atingir resultados razoáveis em qualquer modalidade….O segredo está em acreditar naquilo que fazemos, trabalhar com qualidade e ter dedicação / empenho no que estamos a fazer. Eu geneticamente seria um mau corredor, mas com um bom trabalho consegui ultrapassar essa problema.

Quais são os atletas ou treinadores mais fora do comum que conheces? Porquê? Que pensas deles e dos seus métodos?

Como atleta a Vanessa Fernandes…. Foi a atleta que até ao momento mostrou ser a melhor atleta feminina que passou no triatlo no panorama internacional. Penso que se ela quisesse poderia ir muito longe………com o apoio de verdadeiros amigos….não utilizando métodos exaustivos de treino e de grande volume.

Como treinador José Mourinho por ser irreverente e digno de ser um excelente relações humanas. Julgo que ele age no momento certo na altura certa, de forma a motivar ao máximo quem trabalha com ele…os métodos dele são inovadores e sem poder de discussão…mas todos nós temos sempre algo a melhorar no que fazemos 😉

Treinaste outros atletas para serem capazes de fazer aquilo que tu fazes? Eles conseguiram replicar os teus resultados?

Treino atletas, para que eles possam atingir os seus objetivos/resultados e não os comparo comigo, pois cada um é diferente e tem formas únicas para atingir o que pretende. Agora que acredito que eles conseguem atingir resultados idênticos aos que faço e ainda melhores, acredito. Mas tudo tem o seu tempo, eu pratico desporto quase há 22 anos e como tal, já tive muitas experiencias e a experiência vale muito. Os meus atletas são muito bons para o tempo que estão a treinar, e já conseguem bater em certas alturas o mister J

Quais são os grandes erros e mitos que vês no treino?

O grande mito que vejo no treino é a realização de volume em demasia para o estilo de vida que nós, atletas em não exclusivo temos. Os erros mais comuns são na realização técnica dos exercícios, principalmente para aqueles que não têm profissionais qualificados que os acompanhem na realização do exercício físico.

Quais são as maiores perdas de tempo no treino?

As maiores perdas de tempo no treino são quando estamos a realizar um exercício/ atividade física e não sentimos que estamos a trabalhar ou seja permanecendo ao longo do treino na nossa zona de conforto. Então para não estarmos a perde tempo de treino devemos realizar um treino adaptado a nós e sentir que estamos sempre fora da nossa zona de conforto (o treino deve ser duro).

Como também no meu ponto de vista as maiores perdas de tempo pré-treino é a gestão do material para treinar, devido a serem três modalidades. No inverno trona-se mais difícil quando temos que ter a roupa toda enxuta para conseguir treinar as modalidades previstas.

Quais são os teus livros, vídeos ou recursos favoritos sobre o treino para o triatlo?

  • Nutrição Desportiva Luis Hosta
  • Fundamentos do Treino Desportivo – Matveiev
  • Guia dos Movimentos Musculares – Frédéric Delavier
  • Método Delavier de Musculação – Frédéric Delavier
  • Metodologia do treino / Fisiologia do esforço da FMH
  • Vídeos – Paulo Sena, Treino IROMAN Motivation e Crossfit

Se as pessoas tiverem de começar a treinar sozinhas, o que recomendarias?

Sinceramente hoje em dia a divulgação de informação e os programas de treino a que podemos ter acesso são tantos, que se alguém tiver de começar a treinar sozinho recomendaria que em primeiro lugar reunissem um conjunto de informação significativa sobre o treino da modalidade que pretendem praticar e depois com o conhecimento do funcionamento do seu corpo tentassem adaptar a si. Ideal era terem além que as pudesse acompanhar numa fase pelo menos inicial, e no caso da desporto a praticar ser o triatlo, fosse orientado um treino global de força para que possam preparar o corpo para as três modalidades (natação, ciclismo e corrida).

Quais são os principais erros que os novatos fazem quando treinam?

Os principais erros que os atletas cometem quando começam a treinar é colocar muita carga de treino antes de trabalhar a técnica de cada modalidade. E depois mais tarde torna-se difícil corrigir, devido aos automatismos que o nosso corpo adquire.

Mesmo ao nível profissional, quais são os principais erros?

Ao nível profissional, passa no meu ponto de vista por não haver uma individualização do treino, os atletas realizam treinos muito idênticos uns aos dos outros, não personalizando/adaptando o treino para às suas dificuldades. Muitos treinadores de alta competição julgam que os atletas se fazem por receitas e não se centram nas dificuldades que cada um tem e na forma de as minimizar.

Outro grande erro dos atletas profissionais é na qualidade/quantidade da sua nutrição e alimentação, que por vezes não é a mais adequada antes/durante/após treinos/provas exigentes.

Se me treinasses durante 4 semanas para uma competição tipo Tristar111monaco.com e tivesses um milhão de euros para gastar, como seria o treino? E se fossem 8 semanas?

Se tivesse 4 semanas para preparar uma prova muitíssimo importante, se não te dedicasses em exclusivo ao treino se o dinheiro não fosse problema, planeava 3 semanas em altitude para poder garantir uma elevada performance na prova, apesar de saber que uma semana antes da prova não dava para recuperar da altitude, mas mesmo assim iria gerir o treino da última semana de altitude, de forma a não haver muito desgaste nessa semana.

Se fossem 8 semanas a história seria outra :). Com 8 semanas já daria para geria o treino de forma a treinar 5 semanas em altitude, com 1 semana de adaptação, 3 semanas de carga e 1 semana regenerativa. As 3 últimas semanas antes da prova estipulava um específico de preparação, incrementado intensidades elevadas e o volume ia decrescente para chegar à prova e estar no “aço”. O treino seria mais ou menos assim 🙂 treinando as três modalidades.

O Princípio de Paretto, diz-nos que 20% dos nossos esforços, geram 80% dos resultados. Onde colocarias os 20%? Como ordenavas as fases dos 20%?

Concordo com este princípio, porque no meu ponto de vista o treino deve estar sempre fora da nossa zona de conforto, estado sempre acima da Zona de Treino de 75%. Por isso 75/80% do nosso volume de treino deve estar focado em intensidades abaixo da Zona de Treino de 85% e os outros 20/15% do nosso volume de treino deve estar focado acima da Zona de Treino de 85%. O que quer dizer que as intensidades acima da Zona de Treino de 85% é que produzem os nossos resultados em Zonas de Treino mais confortáveis abaixo dessa.

O que têm em comum os grandes atletas de triatlo?

Grande força de vontade, espírito de sacrifício e adoram bicicletas e desporto.

Separando um pouco as distâncias de triatlo e focando os pontos fortes que um atleta deve ter. No Triatlo Olímpico deve ter um bom segmento de natação e um excelente segmento de corrida. No Triatlo Longo realizar um excelente segmento de bicicleta e corrida, mantendo uma velocidade sempre constante e moderada para não haver quebra física, seguido de uma alimentação mesurada.

O que é que faz a diferença nesta modalidade? Quais as peças-chave?

Saber equilibrar bem o treino das três modalidades, para poder render ao máximo ao longo do triatlo conseguindo ao mesmo tempo fazer boas transições.

O que faz de ti uma pessoa diferente?

Sou diferente porque faço a gestão sozinho da minha vida desportiva (planifico, treino, projeto, desenvolvo o meu próprio marketing pessoal, procurar sponsor,) sendo a minha mulher o meu suporte para o sucesso (agora também recentemente a minha filhota). A minha família é imprescindível para atingir os meus objetivos, porque graças à minha mãe e ao meu pai considero-me uma pessoa com bons princípios e persistente na luta constante da minha vida. O fato de ter bons amigos, que estão sempre a puxar por mim, elogiando o meu sucesso, também faz com que me dedique com satisfaçam a minha vida como atleta.

Quais os teus grandes objetivos como atleta?

Conseguir o apuramento para o IRONMAN do Havai.

Qual foi a tua semana como o maior número de horas de Treino que tu fizeste?

O maior número de horas que treinei numa semana foram cerca de 40 horas. O que acho demasiado excessivo, mesmo sendo um atleta de distâncias longas, porque não necessitamos tantas horas de treino para podermos render, apenas devemos realizar um treino que seja eficaz e com qualidade.

Agora és tu o entrevistador. Podes fazer apenas uma pergunta a cada um destes grandes atletas.

Que pergunta farias ao Martin Strel

Como te alimentas durante essas travessias……?

Que pergunta farias ao Mark Covert?

Qual é o teu segredo para não teres lesões…?

Que pergunta farias ao Dave Scott?

Obrigado e bons treinos!

Programa de 42 dias para melhorar a resistência

Aqui fica uma boa “receita” para melhorarem a resistência quer sejam ciclistas, corredores, nadadores, futebolistas, ou simplesmente desejem melhorar a condição física em geral.

Tem um ponto de partida que considero nível 1-2. Por isso, para quem ainda não se encontra nesse nível, recomendo primeiro os 31 treinos com o peso do corpo.

Convém seguirem as indicações do plano. Como plano que é, implica algumas adaptações. Embora o volume e a frequência de treinos sejam importantes, só devem ser seguidos com uma boa técnica.

Bons treinos e deixem os vossos comentários relativamente às sensações e resultados conseguidos com este plano.

42 treinos para melhorar resistência

 

Desafio do Dia

Triatlo Sprint Indoor em 2h03m11s

  • 750m de natação em 15’45” (piscina de 16,5m)
  • 20km de ciclismo em 34’41”
  • 5km de corrida em 27’40”

Desafio do Dia

Desafio do Dia

  • 20,2kms de bicicleta em 1h03m (parque da cidade do Porto/Foz)
  • 5kms de corrida em 25mins (vipassana style:) no parque da cidade)
  • 750m de natação em 17mins (Solinca Health & Fitness Club)

Tempo total de treino 2h17m (incluindo transições entre exercícios; a logística é importante)

Nota: que massacre para as articulações!!! 🙂