Psicologia do Desporto – Páginas Pessoais alunos IESF 2016

Na cadeira de Psicologia do Desporto que leciono aos alunos do 6º semestre do curso de educação física e desporto no Instituto de Estudos Superiores de Fafe – IESF, propus a criação de páginas pessoais em torno de um tema que relacionasse desporto e psicologia. Este foi o resultado.

Fabiano Pedro – Capoeira

Francisco Oliveira – Futebol

Hélder Castro – Futebol

Hugo Lemos – Fitness

Hugo Magalhães – Automobilismo

Ivone Castro – Futsal

Joana Alves – Dança

João Bento – Fitness e Futsal

João Sampaio – Fitness

Joel Magalhães – Fitness

José Lucas Fernandes – Karaté

José Rafael Mendes – Fitness

Judite Oliveira – Dança

Luis Freitas – BTT

Márcia Patrícia Magalhães – Desporto Adaptado

Pedro Pereira – Fitness e Futebol

Pedro Machado – Fitness

Ricardo Machado – Futebol

Rui Lopes – Fitness

Tiago Pereira – Futebol

Vitor Araújo – Artes Marciais

Personal Trailers

Estes são pequenos vídeos de apresentação pessoal dos alunos. Apreciem 🙂

Seminário de Desporto 30 anos de IESF – Desporto com Futuro

 

Cartaz SEMINARIO DO DESPORTOO Instituto de Estudo Superiores de Fafe, através do seu Departamento de Ciências do Desporto, e a Câmara Municipal de Fafe vão realizar, no dia 2 de junho 2016, pelas 9h 30m, no auditório do IESF, em Fafe, o Seminário de Desporto 30 anos de IESF – Desporto com Futuro.

O seminário conta com a presença institucional de Sua Excelência, o senhor Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Dr. João Paulo Rebelo, e terá como palestrantes o Presidente do Comité Olímpico de Portugal, Dr. José Manuel Constantino, o Dr. Fernando Parente, Diretor do Departamento de Desporto da Universidade do Minho, o Dr. Dimas Pinto, do Departamento de Ciências do Desporto do IESF, o Doutor Pedro Mortágua, responsável pela Plataforma CidadeSocial, o Professor Doutor Eduardo Blanco da Universidade da Corunha, o Dr. Pedro Dias, da Federação Portuguesa de Futebol, e o Empreendedor desportivo no Qatar, Dr. Francisco Baptista.

O evento assinala, ainda, o encerramento dos trabalhos do projeto de empreendedorismo desportivo Entrepreneurship4Sport (e4sport), desenvolvido em parceria pelo Instituto de Estudos Superiores de Fafe (IESF), a Associação Portuguesa de Gestão de Desporto (APOGESD), a Asociación Galega de Xestores Deportivos (AGAXEDE), a Câmara Municipal de Fafe, a Universidade da Coruña (UDC), Universidade de Vigo (UDV) e do Concello de Oleiros

Para mais informações em www.iesfafe.pt

Link de inscrição: INSCREVE-TE!

Contamos que nos honre com a sua presença!

Escrita Académica: Como Elaborar um Trabalho Científico – Versão 1.0

Escrita Académica: Como Elaborar um Trabalho Científico

Versão 1.0

Paulo Sena, PhD

Escola Superior de Educação de Fafe, Portugal

pjrsena@gmail.com

www.paulosena.com

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Escrita Académica: Como Elaborar um Trabalho Científico

Um trabalho académico, um trabalho de investigação, tem uma linguagem própria, tem regras da sociedade académica. Embora haja diferenças entre universidades e publicações académicas, no geral, são constituídos por:

Título/Folha de Rosto

O título do trabalho deverá dizer aos leitores qual o tema central do trabalho e seu significado. Muitas das vezes inclui uma espécie de “gancho” ou chamada de atenção e uma descrição breve sobre de que é que trata, incluindo palavras-chave mais comuns na área de investigação em que se centra.

Deverá ainda identificar o autor, a instituição à qual está ligado e incluir um contacto.

Abstract/Resumo

Um sumário do trabalho (cerca de 100-500 palavras). Deverá incluir: objectivos, resultados e conclusões.

Introdução

Na introdução repetimos o título do trabalho em vez de usarmos o título “introdução”.

Primeiro fornece um plano de fundo (background) e motivos para o tema que se está a estudar (habitualmente inclui a revisão da literatura). Depois descreve o objectivo do trabalho. Por último, dá uma visão geral dos conteúdos das várias partes do trabalho. Em termos de escrita, vai do geral para o particular.

Método/Procedimento

Nesta parte descreve-se aquilo que fizemos e como fizemos. O objectivo é dar informação suficiente ao leitor para o caso dele querer replicar o nosso trabalho.

Resultados

Aqui apresentam-se os dados obtidos. Gráficos, tabelas, etc. Deve ser dada alguma descrição aos dados e uma ajuda para o leitor reconhecer os pontos importantes dos dados obtidos.

Discussão/Conclusões

Na discussão relacionamos as nossas descobertas com as dos autores apresentados na revisão da literatura. Pontos em que coincidem os trabalhos dos outros autores ou as grandes diferenças dos trabalhos consultados. Ou simplesmente concluir que não há consenso na matéria…

O objectivo da conclusão é sumariar os seus pontos de vista, deixando exemplos específicos, reafirmar a ideia do trabalho e possivelmente sugerir possíveis investigações futuras acerca do tópico analisado. O texto deverá ser orientado do particular para o geral.

Bibliografia

Aqui apresentam-se todos os livros, revistas científicas, sites, vídeos e outros suportes de dados consultados. Deverá ser uma listagem ordenada por ordem alfabética. Na generalidade, coloca-se:

Último nome do autor, Iniciais dos dois primeiros nomes do autor. (ano de publicação.) Título. Local de publicação: Editora que publicou o trabalho. Aqui ficam alguns exemplos:

Livro. Paloutzian, R. (1996). Invitation to the psychology of religion (2nd ed.). Boston: Allyn and Bacon.

Documentos retirados da web. Hallam, A. Duality in consumer theory [documento em PDF]. Disponível em Lecture Notes Online Web site: http://www.econ.iastate.edu/classes/econ501/Hallam/index.html

Diapositivos. Roberts, K. F. (1998). Federal regulations of chemicals in the environment [diapositivos em PowerPoint]. Disponível em: http://siri.uvm.edu/ppt/40hrenv/index.html

Artigo online. Sena, P. (7 de Dezembro de 2011). Flacidez. Disponível em http://paulosena.com/2011/12/07/flacidez/

Vídeo no YouTube. Burpees a la Tour Eiffel [ficheiro em Vídeo]. Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=rmYbaBj-kVc&list=UUucTs2Xq5XIMBpBZN6QegZQ

Citações

Quando queremos adoptar material de outros autores para o nosso trabalho, deveremos citar o autor(es) a data(s) das fontes de onde retiramos a citação. Ou seja, o objectivo é reconhecer formalmente as ideias e palavras dos outros. Exemplos:

Wirth e Mitchell (1994) descobriram que a insulina tinha um efeito…

As revisões sobre a religião e a saúde concluíram que pelo menos alguns tipos de comportamentos religiosos estão relacionados com elevados níveis de saúde mental (Gartner, Larson, e Allen, 1991; Koenig, 1990; Levin e Vanderpool, 1991).

Figuras e Tabelas

As figuras e as tabelas deverão ser numeradas consoante a sua ordem de entrada no texto. As figuras e as tabelas deverão ter um título. O título da figura deverá situar-se por baixo da mesma enquanto o título de uma tabela deverá situar-se por cima desta. Utilizar o formato itálico de forma oposta como neste exemplo:

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Figura 1. Logótipo de Paulo Sena

 

Tabela 1.

Melhores marcadores do campeonato de futebol XX2

Jogador Golos
Paulo 10
Jorge 9

 

Normas de Apresentação

Existem normas de apresentação de trabalhos: a norma portuguesa NP 419.1995, as normas das associações internacionais como a APA, ACS, AMA, CBE, CMS, Turabian, Microsoft e a MLA. Utilizaremos como referência as normas APA – American Psychologycal Association. Mas como as normas são muito complicadas. Apresentaremos um resumo de orientações para que se criem bons hábitos na elaboração de trabalhos escritos.

Determinar Claramente o Objetivo do Trabalho

Antes de realizar a pesquisa para o trabalho, é fundamental compreender o objectivo do mesmo. O professor é que manda, por isso temos de perceber bem o que ele pretende.

Delimitar o Tema

Depois é necessário delimitar o tema.

Exemplos de temas:

  • A natação
  • Os benefícios da natação
  • A natação com idosos
  • Os benefícios da natação em idosos com osteoporose

Nestes exemplos anteriores o primeiro tema é muito vasto, por isso o último seria mais indicado pois delimita muito mais a quantidade de trabalhos a pesquisar.

Recomenda-se que o tema esteja ligado com os objectivos profissionais futuros, para que as descobertas do trabalho e o tempo dedicado sejam úteis e para que não se transforme apenas num documento de avaliação.

Questão de Partida

Após a escolha do tema para o qual poderá ser formulada uma questão de partida, poderá iniciar-se a pesquisa na tentativa de dar resposta a essa questão a esse problema de investigação. Convém ter em atenção ao pesquisar nas diversas fontes (em livros, vídeos, na Internet ou noutros suportes documentais) para se registarem sempre as fontes, os autores, as datas, etc. Esse registo irá depois servir para elaborar a listagem de referências bibliográficas consultadas.

A Revisão da Literatura

Na revisão bibliográfica vamos investigar sobre as opiniões, os trabalhos de investigação de outros autores. Antes de iniciar o processo de escrita, convém criar um índice para ajudar a organizar ideias do geral para o particular. Começamos a escrever a revisão com uma ligeira introdução, uma frase curta e simples. Se necessário, analisar primeiro definições, teorias e modelos antes de sintetizar. Procurar responder no nosso texto às seguintes questões para avaliar trabalhos de outros autores sobre os quais incide a nossa revisão:

  • O problema está apresentado de forma clara?
  • Os resultados apresentados são novos?
  • A amostra utilizada era grande?
  • Os argumentos são convincentes?
  • Como foram analisados os resultados?
  • Qual a perspectiva como eles foram vistos?
  • As generalizações são justificadas pelas evidências sobre as quais elas são efectuadas?
  • Qual é a significância da investigação?
  • Quais são as assunções por detrás da investigação?
  • A metodologia está bem justificada como a mais apropriada para estudar o problema?
  • A base teórica é transparente?
  • Quais as forças e fraquezas dos trabalhos revistos?
  • Quais as diferenças genuínas entre as teorias apresentadas nos vários trabalhos?
  • Elaborar um quadro final a sintetizar o que os outros fizeram.
  • Isolar e salientar as descobertas que são relevantes para a temática que estamos a estudar.

Atenção: não se fala do problema, apenas mostramos aquilo que os outros fizeram. Apresentar as ideias principais do estado da arte mas sem incluir as nossas ideias.

Podemos organizar a revisão da literatura de forma cronológica ou temática.

Por ex.: se houve várias teorias da liderança podemos organizar sub-títulos em torno delas. Demonstrar que consideramos os trabalhos dos outros e revelar poder de síntese e fazer uma leve avaliação do trabalho dos outros. Ao avaliar criticamente estamos à procura das forças de certos estudos e a significância das contribuições dos investigadores.

Frases de Início e Expressões Úteis

Quando começamos a escrever, por vezes, é difícil começar. Para tal, podemos procurar trabalhos de mérito, boas referências e retirar estruturas de frases mais comuns. Aqui ficam alguns exemplos que poderás utilizar com as devidas adaptações:

Introdução

… é um importante componente de…

O ponto central da disciplina de… é…

… é um assunto de crescente importância em…

Desenvolvimentos recentes na… demonstraram a necessidade de…

Desenvolvimentos recentes no campo da… levaram a um renovado interesse pela…

Este estudo contribui para…

No último século, houve um grande declínio…

Recentemente tem havido um crescente interesse por…

Até à data tem havido pouco consenso sobre…

A controvérsia sobre… tem existido nos últimos 30 anos…

Um assunto que tem dominado a área X durante os últimos anos…

A questão da… tem aumentado em termos de importância…

A maioria dos estudos de… foi apenas centrado na…

Até agora, pouca importância tem sido dada a…

Até agora, este método foi apenas aplicado a…

Revisão da literatura

Foi publicada já uma quantidade considerável de literatura sobre X…

No entanto, existem poucos trabalhos sobre…

Numerosos estudos argumentam que…

Vários estudos revelaram que…

A investigação até à data tende a focar-se em…

Dados de vários estudos identificaram a…

Tem sido sugerido que…

Tem sido conclusivamente demonstrado que…

Tem sido demonstrado que…

Pensa-se que…

Outros estudos consideraram a relação entre…

O primeiro estudo sistemático de… foi relatado por…

O estudo de X foi iniciado por…

Uma análise detalhada de… por Rodrigues (2015)… mostrou que…

Num estudo aleatório (randomizado)…

Num estudo comparativo, Rodrigues (2014) encontrou…

Esta visão é suportada por Rodrigues (2014), que argumenta…

Um problema chave com este argumento é…

No entanto, existe alguma inconsistência neste argumento apresentado…

A interpretação de Rodrigues (2014)…

No entanto, uma questão que tem de ser colocada…

Um problema com esta abordagem é…

A principal limitação deste estudo é…

No entanto, este método de análise tem várias limitações…

No entanto, a investigação não tem em conta o seguinte…

O autor não explica…

As principais lacunas deste estudo são…

Estudos anteriores apenas se focaram…

Muita da literatura recente não…

A literatura não apresenta um consenso sobre X, o que significa que…

A literatura actual apresenta vários exemplos de…

Segundo Santos (2012), os desportos colectivos são muito mais benéficos do ponto de vista educativo, por isso…

Jordan (2014) salienta que…

Jordan (2014) argumenta que…

Jordan (2014) conclui que…

Jordan (2014) sugere que…

Jordan (2014) propõe…

Rodrigues (2012) defende a ideia…

Rodrigues (2012) comenta…

Rodrigues (2012) cita…

Rodrigues (2012) olha para o trabalho de Santos (2014)…

Rodrigues (2012) acredita que…

Rodrigues (2012) lança a hipótese…

Rodrigues (2012) ataca…

Rodrigues (2012) condena…

Rodrigues (2012) refuta…

Embora tenha havido relativamente pouca investigação sobre X…

Nos últimos X anos a investigação tem disponibilizado um amplo suporte da ideia X…

A investigação actual parece validar a hipótese/ideia…

A investigação nesta área ainda é insuficiente para concluir acerca de…

Esta visão também é proposta por Jordan (2013), que refere…

O trabalho de Jordan (2013) é complementado pelo estudo dos desportos colectivos de Santos (2012)…

Ao contrário de Jordan, Rodrigues (2011) argumenta que…

Método

O procedimento foi…

Foi escolhida uma abordagem X porque…

Esta metodologia tem uma série de vantagens, tais como:

As limitações aos procedimentos do estudo incluem…

Os dados foram obtidos de…

… foi preparado de acordo com o procedimento delineado por…

A amostra inicial consistiu em…

O critério para seleccionar os indivíduos foi o seguinte:

Para incrementar a fiabilidade…

Resultados

Nota-se na Tabela 1 que…

Os dados na Figura 2 indicam que…

Encontrou-se uma forte evidência…

Encontrou-se uma correlação positiva entre… e…

Os resultados, como se verifica na Tabela 2, indicam que…

Não se encontrou uma forte redução em…

A maioria dos inquiridos referiu que…

Um pequeno número dos entrevistados indicou que…

Uma comparação entre os dois grupos revela que…

Discussão

Ao contrário daquilo que se esperava, este trabalho não encontrou diferença significativa entre…

Este resultado foi inesperado e sugere que…

Os resultados do presente estudo estão de acordo com os resultados de…

Existem similaridades entre este trabalho e o de…

Estes resultados sugerem…

Ao contrário de resultados anteriores…

Existem várias explicações para este resultado. Por exemplo:

Esta inconsistência pode dever-se a…

Os dados devem ser interpretados com precaução porque…

Este resultado tem implicações em…

Conclusões

O objectivo da presente investigação era…

Este estudo demonstrou que…

Uma descoberta importante deste estudo é…

Os resultados são significativos em 3 aspectos:

Em geral… Por isso, os resultados mostram…

Os resultados deste trabalho mostram confirmam anteriores resultados obtidos por…

No entanto, necessitam ser consideradas algumas limitações. Por exemplo:…

A investigação estava limitada de várias formas.

Várias limitações têm de ser reconhecidas.

Futuras investigações deverão orientar-se no sentido…

A investigação futura deveria concentrar-se em…

É necessária mais investigação para compreender…

Os resultados deste trabalho têm a seguinte implicação…

Recursos

https://scholar.google.pt/

http://www.efdeportes.com/

https://owl.english.purdue.edu/

http://www.phrasebank.manchester.ac.uk/

http://www.besttitlegenerator.com/

http://www.luizotaviobarros.com/2013/04/academic-writing-useful-expressions.html

Bibliografia

American Psychologycal Organization (2009). Publication Manual of the American Psychological Association (6th ed.). Washington: APA.

Morley, J. (2015). Academic Phrasebank: referring to sources. Retirado de: http://www.phrasebank.manchester.ac.uk/referring-to-sources/

RMIT University. (2014). Study tips – research writing: starter phrases. Retirado de: https://emedia.rmit.edu.au/learninglab/sites/default/files/Research_Starter_phrases_2014_Accessible.pdf

Taylor, D. (2001). The literature review: a few tips on conducting it. [Online]. Disponível em: http://www.utoronto.ca/writing/tirev.html [10 Fevereiro 2004].

Breve Revisão Teórica do Personal Training

Breve Revisão Teórica do Personal Training

Paulo Sena, PhD

Escola Superior de Educação de Fafe, Portugal

paulosena@iesfafe.pt

 

O exercício físico tem benefícios psicológicos, sociais e físicos, mas nem todas as pessoas se comprometem tempo suficiente para sentirem esses efeitos. A adesão e o abandono do exercício físico, têm sido problemas para os profissionais deste sector durante décadas, mas este fenómeno apenas começou a ser estudado de forma sistemática nos últimos vinte anos (William e Klein, 2004). Nos ginásio, a adesão tem como factor principal de sucesso a relação sócio-funcionário (Sena, 2008).

Incorporar o exercício físico na vida das pessoas pode ser tão importante que, autores como Vina, Gomar, Bello, e Cabrera (2010) referem que o exercício físico é tão efetivo em termos de efeitos psicológicos que deveria ser considerado como uma droga, no entanto, deveria ser prestada mais atenção à dosagem e às variações individuais entre os pacientes.

Sabemos há algum tempo que a adesão ao exercício físico tende a ser mais elevada em pequenos grupos do que em grandes grupos (Massie e Shephard, 1971; Andrew et al., 1981). Uma intervenção individualizada é uma forma importante para o sucesso de alguns processos educativos em geral bem como na atividade física. Aliás, tem sido crescente o interesse de cientistas que realizam trabalhos no sentido de verificar o sucesso do personal training como forma de mudar comportamentos (McClaran, 2003; Maloof, Zabik, e Dawson, 2001; Mazetti, et al., 2000; Wing, Jeffrey, Pronk, e Hellerstedt, 1996).

A Atividade Profissional do Personal Trainer (PT)

Os personal trainers (PTs) segundo Rosado at al. (2014) executam várias funções: a promoção, criação e execução de um programa de exercício físico destinado a melhorar os níveis de condição física, bem-estar bem e a prevenir a doença em adultos saudáveis. E embora não haja dados para o mercado em Portugal, sabe-se que o Bureau of Labour and Statistics (2015) dos Estados Unidos da América, referia existirem 238,170 fitness trainers e aerobic instructors em 2012 nos EUA a auferir um salário médio de $31,720 por ano ($15.25 por hora de trabalho). No mesmo país o inquérito nacional da utilização do PT, referia que o cliente médio de um serviço de personal training em 2000 tinha efetuado 19,5 sessões e os clientes pagavam uma média de $47 (American Sport Data INC., 2007). O rendimento auferido pelos PTs poderá influenciar a sua performance profissional. Koustelios, Kouli e Theodorakis (2003) encontraram uma correlação significativamente positiva entre a segurança no trabalho (ordenado, promoção, o trabalho em si mesmo e a organização como um todo) e a satisfação no trabalho.

Apesar de sabermos que muitas pessoas não se comprometem com a frequência, intensidade e duração de exercício recomendadas para produzir benefícios psicológicos e fisiológicos de um programa de exercício físico (Glaros e Janelle, 2001), os professores devem promover a adesão ao exercício, desenvolvendo programas em torno dos gostos das pessoas (Thompson e Wankel, 1980), evitar prescrever exercício “by the book” para obter ganhos cardiorrespiratórios e de força porque podem promover o abandono (Annesi, 1996). No entanto, a variabilidade excessiva de um programa de exercício não está relacionada com o aborrecimento e não tem impacto na adesão ao exercício (Glaros e Janelle, 2001). Sobre este assunto, Cartoccio (2004) apresenta uma visão curiosa ao referir que: nos ginásios, onde deveríamos encontrar uma maior atenção ao corpo, encontramos uma atenção muito mais concentrada nos planos, receitas, programas que se aplicam ao corpo.

Harvey, Vchhani e Williams (2014) identificaram a importância do trabalho estético do PT, detalhando formas nas quais o PT comercializa o seu próprio capital físico. Os autores afirmam existirem confluências e contradições entre as dimensões afetivas e estéticas do trabalho na indústria do fitness, as quais demonstram que o excessivo capital físico é percebido como negativo para a identidade profissional dos PTs.

George (2008) aborda também questões de relacionamento, referindo que o personal training é um exemplo do crescente número de ocupações que requerem aos trabalhadores o uso de trabalho emocional e conhecimento especializado para fornecer um serviço à medida dos clientes.

Para McGuire (2008) o personal training é um caso particularmente revelador devido às tensões explícitas entre factores culturais (por ex: uma ética orientada para o serviço) e parâmetros económicos (por ex: aspectos empresariais da venda de serviços). O conflito entre o profissionalismo dos PTs e a parte empresarial produz a fronteira entre cultura e economia. O autor conclui que embora vender instrução de exercício seja um negocio para dar lucro, mas porque tem a ver com a saúde e interação pessoal, as racionalidades económicas deverão ser reguladas por uma ética profissional, a qual está considerada isenta de cálculo interesseiro. Isto ajuda a clarificar um diálogo amplo entre a cultura e a economia numa cultura de consumo cultural e de serviço: racionalidades económicas ainda são consideradas suspeitas quando no contexto das interações “pessoais” e serviços de atendimento.

Origem do Personal Training

Embora se aceite que que personal training tenha nascido nos Estados Unidos da América nos anos cinquenta e sessenta na dourada Hollywood quando os atores começaram a solicitar a ajuda de profissionais do exercício físico a que chamaram de PTs (Isidro et al., 2007), pode também considerar-se que Eugene Sandow, a figura da estatueta do concurso culturista Mr. Olympia, embora nascido na Alemanha, foi provavelmente o primeiro PT inglês, abriu os Institutes of Physical Culture em 1885, onde utilizava exercícios com pesos e ginástica (Chapman, 1994). Também estabeleceu um negocio de instrução pelo correio, bem como venda de equipamentos de exercício. Organizou ainda o primeiro concurso de exibição do corpo em 1901, escreveu livros e lançou uma revista intitulada Physical Culture. Mas aquilo que mais se salienta é o facto de ter sido PT de Eduardo VII e George V (monarcas britânicos).

Apesar do trabalho individualizado não ser uma descoberta dos ginásios, foi popularizado por estes. O personal training surgiu em grande parte pela falta de resultados das intervenções de grupo. Stalonas, Johnson, e Christ (1978); Pollock et al. (1998) assinalaram a importância de individualizar os programas de treino.

Formação/Certificação dos PTs

Existe uma grande variedade de certificações de PT com variados graus de validade que falham na hora de assegurar treinadores qualificados e por isso, proteger o consumidor (Melton, Katula e Mustian (2008).

Após entrevistarem de forma semiestruturada 11 fitness trainers que tinham concluído com êxito um curso acreditado pelo Register of Exercise Professionals, Lyon e Cushion (2013) referiam que os trainers aprendem de formas complexas e variadas, algumas das quais são informais e advêm de processos naturais que ocorrem no contexto de trabalho diário. Por isso concluíram existir uma necessidade de integrar mais o sistema de acreditação formal com o conhecimento informal adquirido no trabalho como fitness trainer.

Num estudo realizado com 130 Instrutores de ginástica e musculação de ginásios de S. Paulo, cuja grande maioria tinha menos de trinta anos e só 10% tinha mais de 10 anos de experiência, Antunes (2003), verificou que alguns instrutores graduados em educação física consideravam esse curso pouco importante na sua preparação, considerando a experiência prática mais importante para a capacitação profissional e muitos deles consideravam-se pouco preparados para assumirem determinadas funções ou para atuarem.

No entanto, Graham e Bauer (2006) referem que as certificações são competências mínimas. O conhecimento avançado para além da certificação inicial virá de uma instituição académica, a qual terá educado formalmente o PT nas áreas da nutrição, elaboração de programas, populações especiais e biomecânica.

Malek, Nalbone, Berger, Dale e Coburn (2002), efetuaram uma pesquisa com 115 profissionais do fitness a qual revelou que um grau de bacharelato no campo da ciência do exercício e a posse de certificações do American College of Sports Medicine ou da National Strength and Conditioning Association em oposição a outras certificações, eram fortes preditores do conhecimento de um PT, enquanto que os anos de experiência não estavam relacionados com o conhecimento. Estes resultados sugerem que os PTs deveriam ter um grau de bacharelato em ciências do exercício físico e uma certificação por uma organização cujo os critérios sejam extensivos e amplamente aceites, antes de serem admitidos a desempenhar o seu cargo.

Gavin (1996) obteve a opinião de 228 experientes PTs sobre responsabilidades, conflitos e limites da sua função. Os resultados sugerem que os treinadores podem por vezes assumir responsabilidades por comportamentos que se situam para além dos seus domínios de competência e influencia. Isto inclui atividades como aconselhar clientes acerca de nutrição, estilo de vida e agendas psicológicas.

Os gestores que trabalham na indústria do fitness também recomendam a existência de um licenciamento para os funcionários (Melton, Dail, Katula, e Mustian, 2010).

Relacionamento

Melton, Katula e Mustian (2008) afirmam que alguns clientes e atletas que trabalham com PTs, fitness instructors e treinadores estão inadvertidamente a lesionar-se e estão a experimentar efeitos de saúde adversos devido a informação errada e métodos de treino inadequados. Por isso os programas de formação não graduada dos treinadores, deveriam dedicar tempo adicional ao desenvolvimento das qualidades afetivas dos futuros fitness trainers.

A situação do relacionamento entre utilizadores de ginásio e professores foi também o âmbito de estudo de outros autores que relacionaram a adesão com a personalidade dos professores. Wininger (2002) analisou as relações entre o prazer do exercício e as percepções de 296 mulheres que frequentavam aulas de aeróbica com quatro características do instrutor e cinco características da sala de aula. Características como a condição física do instrutor, a capacidade do instrutor comunicar, as instruções e a ligação com outros participantes na aula, combinadas, contribuíam apenas para 17% da variabilidade do prazer no exercício físico. Annesi (1999) procurou avaliar se os traços de personalidade e os estilos de comportamento de 15 profissionais do exercício estavam associados com a adesão ao exercício físico dos seus clientes. O controlo estava significativamente correlacionado com a adesão dos clientes.

Por vezes os PTs exageram nos incentivos. Springer e Clarkson (2003) reportaram dois casos (mulher de 22 anos e homem de 37 anos) de pessoas educadas e experimentadas em termos de exercício físico que foram encorajadas pelos instrutores a exaustão durante o treino, levando a uma situação de rabdomiólise.

Sekendiz (2014), menciona que as abordagens de “amor rude” e no pain-no gain dos PTs, podem ter riscos sérios de segurança para os clientes e levar a um subsequente litígio. Neste sentido, os gestores de instalações de fitness deverão estar atentos à propaganda de treinos na indústria, monitorizar constantemente e avaliar as formas nas quais os seus PTs estão a fornecer os seus serviços, de forma a minimizar riscos para a segurança dos clientes e possíveis implicações legais.

Motivos Para Usar o PT

Arbinaga e Garcia (2003) ao analisarem um grupo de 55 jovens com idade média abaixo dos 25 anos que treinavam 4 a 5 vezes por semana, verificaram que os homens iam ao ginásio para manter a forma física e as mulheres para controlar o peso.

Petitemberte (2013) verificou em 183 praticantes de personal training (142 mulheres, 41 homens; média de idades 43 anos) que os motivos para utilizar o personal training, estavam mais relacionados com a prevenção de doenças. Situação reforçada por Salcedo (2010) que verificou em 30 indivíduos (entre 23 a 60 anos de idade) utilizadores do serviço de PT em academias de Porto Alegre que a saúde era a dimensão que mais levava os alunos a utilizar o PT.

O trabalho de Guimarães (2012) apresenta como motivos principais de adesão e permanência com PT o treino individualizado, estética, resultados rápidos, compromisso com horário, aconselhamento médico, envelhecimento sadio, variações de treino, avaliações periódicas e motivação.

Teixeira, Konda, Rocha, e Alves (2012) analisaram fatores determinantes para a contratação do serviço de treino personalizado em 17 homens e 16 mulheres (média de idade de 41,9 +/- 11,7 anos) utilizadores do serviço de personal training em 3 academias na cidade de Santos e verificaram que os alunos de personal training primam pela qualidade do serviço, valorizando preferencialmente aspectos como conhecimento técnico do PT, atendimento inicial e postura profissional. Já, com relação ao custo deste serviço, mencionavam que este não parecia ser o fator determinante para a sua contratação.

Em termos de adesão dos alunos ao serviço de personal training, Sombrio (2011) menciona a competência profissional e Almeida e Sartori (2014) referem os valores hora/aula como aspectos determinantes.

Intervenções de Treino com PT

Existe já um conjunto interessante de trabalhos efetuados tendo como objetivo de estudo a ação do PT em termos de resultados no treino. Na Tabela 1 apresenta-se um resumo da literatura académica sobre intervenções de treino com PT. De notar que os grupos investigados vão desde adolescentes a idosos, pessoas treinadas a não treinadas, pacientes em reabilitação e atletas, homens e mulheres, com intervenções de 6 até 32 semanas, onde foram obtidos resultados significativos com a intervenção do PT em termos de perda de peso, melhoria da força, aumento de massa muscular, redução do perímetro da cintura, intensidade de treino superior, reabilitação de pacientes e sobretudo o mais importante: a adesão ao exercício, facto sem o qual nenhum programa de treino poderá permitir ao corpo produzir os benefícios induzidos pelo estímulo do treino.

Tabela 1.

Resumo dos trabalhos mais significativos em publicações com impacto sobre a influencia do PT.

Autores Amostra Metodologia Resultados
Faulkner, Michaliszyn, Hepworth e Wheeler (2014) 39 adolescentes sedentários. 20 diabetes tipo I; 9 tipo II e 10 obesos. 16 semanas de personal training ajustado às preferências pessoais. A quantidade de atividade física moderada-vigorosa aumentou. Quanto mais tempo de atividade diária, mais melhorias na capacidade cardiorrespiratória.
Storer, Dolezal, Berenc, Timmins, e Cooper (2014) 34 homens

30-44 anos

12 semanas de treino. 3 vezes/semana

G1: treino personalizado

G2: treino não supervisionado

O G1 melhorou força e aumentou massa muscular mais do que o G2. G1 melhorou a potencia e o VO2max enquanto que o G2 não mudou.
Killen, Barry, Cooper, e Coons (2014) 20 mulheres. 2 sessões de exercício idênticas. Cada sessão consistia em 6 exercícios; 1 sessão foi efetuada com um PT e a outra com um DVD.

Foi usado um analisador metabólico portátil para medir o consumo de 02 e registar a frequência cardíaca.

O gasto energético e frequência cardíaca foram significativamente superiores durante a sessão com PT.

A RPE foi significativamente superior na sessão com PT.

89% dos participantes referiu que preferia a sessão ao vivo com PT do que a sessão com DVD.

Marchiori, Bertaccini, Manferrari, Ferri e Martorana (2010) 332 incontinentes que fizeram prostatectomia radical (PR) G1 efetuou um programa intensivo supervisionado de um programa de treino de pelvic tilt.

G2 foi o grupo de controlo.

Os pacientes do G1 conseguiram continência mais cedo do que o G2.
Gentil e Botaro (2010) 124 jovens homens 11 semanas de treino.

G1: treinaram sob uma relação elevada treinador-aluno (HS, 1:5).

G2: (LS, 1:25).

Ambos os grupos efetuaram programas de treino idênticos.

Os resultados revelaram melhores resultados nos indivíduos com mais supervisão (G1), facto que segundo os autores se deveu provavelmente a maior intensidade no exercício.
Ratamess, Faigenbaum, Hoffman e Kang (2008) 46 mulheres 26.6 ± 6.4 anos n = 27 com PT

n = 19 sem PT

Foi-lhes instruído para selecionarem o peso que utilizavam nos seus treinos de forma a permitir efetuar 10 repetições nos exercícios chest press (CP), leg press (LP), seated row (SR), e leg extension (LE).

Os valores de 1RM para LP, LE, e SR foram maiores no grupo PT do que no grupo sem PT. Os valores RPE foram significativamente maiores no grupo PT para os exercícios CP, LE, SR, mas não no LP.
Fischer e Bryant (2008)

 

31 estudantes receberam serviços de personal training durante um semestre.

31 estudantes não receberam esses serviços.

  Os processos cognitivos e comportamentais de mudança, equilíbrio de decisão e agendamento de autoeficácia baixaram significativamente no grupo sem PT. Enquanto no grupo com PT não se alteraram.
Autores Amostra Metodologia Resultados
Byrne et al. (2006) 74 homens e mulheres com excesso de peso ou obesos.

38 ± 5 anos.

32 semanas de treino

G1: treino com programa personalizado mediante pulsómetro (controlo do gasto calórico diário) + conselhos gerais;

G2: conselhos gerais standard.

G1 perdeu mais peso, mais gordura e mais perímetro de cintura do que G2.
Ratamess, et al. (2006) 46 mulheres treinadas.

27 ± 7 anos.

3 meses de treino de força

G1: treino personalizado

G2: treino não supervisionado.

As mulheres do G1 auto-selecionaram um peso absoluto e relativo (a 1RM) maior para poder completar 10 repetições do que G2.

As mulheres do G1 tinham mais força e eram menos propensas a acreditar no falso mito de que o treino de força poderia gerar-lhes “corpos de homens”.

Coutts, Murphy, e Dascombe (2004) 42 jovens jogadores de rugby.

17 ± 1 ano.

12 semanas de treino de força G1: treino personalizado;

G2: treino não supervisionado

G1 melhorou força nos testes de 3RM nos membros inferiores e superiores. Ambos grupos melhoraram potencia e velocidade.
Wise, Posner e Walker (2004) 32 mulheres que não faziam supino há 18 meses, foram distribuídas em 2 grupos e foram expostas a 2 fontes de informação de eficácia. Ambos os grupos efetuaram 10 repetições numa máquina de supino vertical e completaram a escala da eficácia no supino.

Depois, cada grupo recebeu 1 de 2 mensagens verbais possíveis.

Ambas mensagens incluíam as qualificações do emissor no treino de força. Para além disso uma mensagem tinha feedback específico de performance, enquanto o outro continha informação mais generalista.

Depois a eficácia foi medida de novo.

Os resultados indicaram que ambas as mensagens foram eficazes.
McClaran (2002) 129 indivíduos.

20-65 anos.

10 semanas de treino personalizado. 74 indivíduos subiram 1 a 2 estadios do modelo transteórico, 27 indivíduos mantiveram-se (porque não tinham mais estadio para cima) e apenas 1 indivíduo baixou.
Autores Amostra Metodologia Resultados
Maloof, Zabik, e Dawson (2001) 17 indivíduos.

18-65 anos.

6 semanas de treino

G1: treino personalizado

G2: treino em grupo com pouca supervisão.

G1 melhorou mais a força do que G2.
Mazetti et al. (2000) 20 homens.

25 ± 1 ano.

12 semanas de treino de força.

G1: treino personalizado

G2: treino não supervisionado.

G1 aumentou mais a carga utilizada para treinar, melhorou mais a força e a massa muscular do que G2.
Jeffery, Wing, Thorson, e Burton (1998) 193 homens e mulheres obesas. G1: standard behavior therapy (SBT).

G2: SBT com SW (caminhadas supervisionadas 3x por semana).

G3: SBT + SW + PT (com PTs, que caminhavam com os participantes, faziam lembretes por telefone e faziam SW).

G4: SBT + SW + I (com incentivos monetários por completarem as SW).

G5: SBT + SW + PT + I.

O PT melhora a frequência nas caminhadas. Quando combinado com incentivos financeiros produz melhor adesão ainda ao exercício físico.
Wing, Jeffery, Pronk, e Hellerstedt (1996) 35 indivíduos.

40 ± 8 anos.

24 semanas de treino (andar 3x/s) + dieta (1000-1200kcal/dia).

G1: com PT

G2: sozinhos

A adesão ao programa foi a mesma em ambos os grupos e ambos perderam gordura de igual forma.

É possível que ao fazer-se uma dieta muito rigorosa, o efeito do treino se veja diluído.

 

Conclusões

O objetivo deste trabalho foi dar a conhecer a literatura académica relacionada com a atividade de personal training e fornecer uma estrutura de análise para melhor compreensão do tema, servindo eventualmente de ponto de partida para futuras investigações sobre personal training.

Assim, conclui-se que treinando com um PT, podem conseguir-se os seguintes resultados do ponto de vista fisiológico:

  1. a) Perde-se mais peso, gordura e perímetro na cintura (Byrne et al., 2006; Mina et al., 2012);
  2. b) Ganha-se mais força (Storer et al., 2014; Mina et al., 2012; Ratamess et al., 2008; Ratamess et al., 2006; Coutts et al., 2004; Maloof et al., 2001; Mazetti et al., 2000);
  3. c) Ganha-se mais massa muscular (Storer et al., 2014; Mazetti, et al., 2000).
  4. d) Ajusta-se melhor a carga do treino, ocorre uma autosseleção de intensidades superiores de treino e valores superiores de Escala de Percepção de Esforço durante o exercício físico (Ratamess et al., 2008; Ratamess et al., 2006).
  5. e) Melhora-se potencia e capacidade cardiorrespiratória (Storer et al., 2014).
  6. f) Mulheres universitárias com condição física baixa a moderada, preferem exercitar-se com PT e demonstram maior gasto calórico e frequência cardíaca nessas sessões. Killen, Barry, Cooper, e Coons (2014).

Os melhores resultados obtidos no treino com supervisão, devem-se provavelmente à maior intensidade no exercício (Gentil e Botaro, 2010).

Em termos de adesão, conclui-se que um treino personalizado ajustado às preferências pessoais e atuando sobre o entorno familiar, aumenta a adesão ao exercício (Faulkner at al., 2014).

Treinar com um PT aumenta a adesão ao exercício físico (McClaran, 2002).

O PT contribui para manter processos cognitivos e comportamentais de mudança, equilíbrio de decisão e agendamento de autoeficácia (Fischer, e Bryant, 2008).

O PT melhora a frequência nas caminhadas e quando combinado com incentivos financeiros produz melhor adesão ainda ao exercício físico (Jeffery et al., 1998).

Pessoas idosas com atraso mental profundo podem beneficiar de um PT para manterem a adesão ao exercício físico (Cooper e Bowder (1997).

Apenas encontramos um trabalho que concluiu que o PT não gera mais adesão ao exercício (Wing et al., 1996).

Os treinadores de força que trabalhem em situação um-para-um com mulheres jovens, devem: (a) assegurarem-se que os alunos têm conhecimento das suas qualificações profissionais, (b) fornecer feedback específico e (c) declarar as suas crenças nas capacidades dos seus alunos executarem os exercícios. Wise, Posner e Walker (2004).

Devido ao reduzido número de indivíduos estudados, estes resultados requerem uma interpretação cuidadosa e confirmação em futuros trabalhos com diferentes amostras e metodologias.

Ficamos a conhecer um pouco melhor o que que faz o PT, qual a sua origem e a problemática da formação/certificação dos profissionais do sector. Começamos a ter evidências que a intervenção de um PT tem impacto nos resultados obtidos através do exercício físico bem como na adesão aos respetivos programas de movimento corporal. No fundo o PT vende atos humanos, serviços que pretendem resolver os problemas dos indivíduos que na generalidade parecem centrar-se na melhoria da condição física e saúde.

Assim, mediante a literatura estudada e o conhecimento empírico, acreditamos que a investigação deveria avançar com base nestas 3 estruturas conceptuais e até partir daí para a criação de um modelo de análise:

  1. Parece-nos que a adesão está relacionada com os resultados e que estes estão de alguma forma dependentes da intensidade dos treinos.
  2. Por outro lado, nota-se que as percepções e o próprio exercício influenciam o estado emocional, consequentes comportamentos e resultados obtidos pelos indivíduos.
  3. Se os serviços do PT são contratados em última análise para colmatar a falta de disciplina, de um método eficaz e de um processo de controlo por parte dos indivíduos, convém perceber de que forma a escolha que o PT faz dos exercícios e a comunicação proxémica nos treinos podem levar a melhores resultados.

Face ao exposto, parece evidente que o Personal training é uma vasta área de estudo para a psicologia do desporto.

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