Escrita Académica: Como Elaborar um Trabalho Científico – Versão 1.0

Escrita Académica: Como Elaborar um Trabalho Científico

Versão 1.0

Paulo Sena, PhD

Escola Superior de Educação de Fafe, Portugal

pjrsena@gmail.com

www.paulosena.com

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Escrita Académica: Como Elaborar um Trabalho Científico

Um trabalho académico, um trabalho de investigação, tem uma linguagem própria, tem regras da sociedade académica. Embora haja diferenças entre universidades e publicações académicas, no geral, são constituídos por:

Título/Folha de Rosto

O título do trabalho deverá dizer aos leitores qual o tema central do trabalho e seu significado. Muitas das vezes inclui uma espécie de “gancho” ou chamada de atenção e uma descrição breve sobre de que é que trata, incluindo palavras-chave mais comuns na área de investigação em que se centra.

Deverá ainda identificar o autor, a instituição à qual está ligado e incluir um contacto.

Abstract/Resumo

Um sumário do trabalho (cerca de 100-500 palavras). Deverá incluir: objectivos, resultados e conclusões.

Introdução

Na introdução repetimos o título do trabalho em vez de usarmos o título “introdução”.

Primeiro fornece um plano de fundo (background) e motivos para o tema que se está a estudar (habitualmente inclui a revisão da literatura). Depois descreve o objectivo do trabalho. Por último, dá uma visão geral dos conteúdos das várias partes do trabalho. Em termos de escrita, vai do geral para o particular.

Método/Procedimento

Nesta parte descreve-se aquilo que fizemos e como fizemos. O objectivo é dar informação suficiente ao leitor para o caso dele querer replicar o nosso trabalho.

Resultados

Aqui apresentam-se os dados obtidos. Gráficos, tabelas, etc. Deve ser dada alguma descrição aos dados e uma ajuda para o leitor reconhecer os pontos importantes dos dados obtidos.

Discussão/Conclusões

Na discussão relacionamos as nossas descobertas com as dos autores apresentados na revisão da literatura. Pontos em que coincidem os trabalhos dos outros autores ou as grandes diferenças dos trabalhos consultados. Ou simplesmente concluir que não há consenso na matéria…

O objectivo da conclusão é sumariar os seus pontos de vista, deixando exemplos específicos, reafirmar a ideia do trabalho e possivelmente sugerir possíveis investigações futuras acerca do tópico analisado. O texto deverá ser orientado do particular para o geral.

Bibliografia

Aqui apresentam-se todos os livros, revistas científicas, sites, vídeos e outros suportes de dados consultados. Deverá ser uma listagem ordenada por ordem alfabética. Na generalidade, coloca-se:

Último nome do autor, Iniciais dos dois primeiros nomes do autor. (ano de publicação.) Título. Local de publicação: Editora que publicou o trabalho. Aqui ficam alguns exemplos:

Livro. Paloutzian, R. (1996). Invitation to the psychology of religion (2nd ed.). Boston: Allyn and Bacon.

Documentos retirados da web. Hallam, A. Duality in consumer theory [documento em PDF]. Disponível em Lecture Notes Online Web site: http://www.econ.iastate.edu/classes/econ501/Hallam/index.html

Diapositivos. Roberts, K. F. (1998). Federal regulations of chemicals in the environment [diapositivos em PowerPoint]. Disponível em: http://siri.uvm.edu/ppt/40hrenv/index.html

Artigo online. Sena, P. (7 de Dezembro de 2011). Flacidez. Disponível em http://paulosena.com/2011/12/07/flacidez/

Vídeo no YouTube. Burpees a la Tour Eiffel [ficheiro em Vídeo]. Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=rmYbaBj-kVc&list=UUucTs2Xq5XIMBpBZN6QegZQ

Citações

Quando queremos adoptar material de outros autores para o nosso trabalho, deveremos citar o autor(es) a data(s) das fontes de onde retiramos a citação. Ou seja, o objectivo é reconhecer formalmente as ideias e palavras dos outros. Exemplos:

Wirth e Mitchell (1994) descobriram que a insulina tinha um efeito…

As revisões sobre a religião e a saúde concluíram que pelo menos alguns tipos de comportamentos religiosos estão relacionados com elevados níveis de saúde mental (Gartner, Larson, e Allen, 1991; Koenig, 1990; Levin e Vanderpool, 1991).

Figuras e Tabelas

As figuras e as tabelas deverão ser numeradas consoante a sua ordem de entrada no texto. As figuras e as tabelas deverão ter um título. O título da figura deverá situar-se por baixo da mesma enquanto o título de uma tabela deverá situar-se por cima desta. Utilizar o formato itálico de forma oposta como neste exemplo:

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Figura 1. Logótipo de Paulo Sena

 

Tabela 1.

Melhores marcadores do campeonato de futebol XX2

Jogador Golos
Paulo 10
Jorge 9

 

Normas de Apresentação

Existem normas de apresentação de trabalhos: a norma portuguesa NP 419.1995, as normas das associações internacionais como a APA, ACS, AMA, CBE, CMS, Turabian, Microsoft e a MLA. Utilizaremos como referência as normas APA – American Psychologycal Association. Mas como as normas são muito complicadas. Apresentaremos um resumo de orientações para que se criem bons hábitos na elaboração de trabalhos escritos.

Determinar Claramente o Objetivo do Trabalho

Antes de realizar a pesquisa para o trabalho, é fundamental compreender o objectivo do mesmo. O professor é que manda, por isso temos de perceber bem o que ele pretende.

Delimitar o Tema

Depois é necessário delimitar o tema.

Exemplos de temas:

  • A natação
  • Os benefícios da natação
  • A natação com idosos
  • Os benefícios da natação em idosos com osteoporose

Nestes exemplos anteriores o primeiro tema é muito vasto, por isso o último seria mais indicado pois delimita muito mais a quantidade de trabalhos a pesquisar.

Recomenda-se que o tema esteja ligado com os objectivos profissionais futuros, para que as descobertas do trabalho e o tempo dedicado sejam úteis e para que não se transforme apenas num documento de avaliação.

Questão de Partida

Após a escolha do tema para o qual poderá ser formulada uma questão de partida, poderá iniciar-se a pesquisa na tentativa de dar resposta a essa questão a esse problema de investigação. Convém ter em atenção ao pesquisar nas diversas fontes (em livros, vídeos, na Internet ou noutros suportes documentais) para se registarem sempre as fontes, os autores, as datas, etc. Esse registo irá depois servir para elaborar a listagem de referências bibliográficas consultadas.

A Revisão da Literatura

Na revisão bibliográfica vamos investigar sobre as opiniões, os trabalhos de investigação de outros autores. Antes de iniciar o processo de escrita, convém criar um índice para ajudar a organizar ideias do geral para o particular. Começamos a escrever a revisão com uma ligeira introdução, uma frase curta e simples. Se necessário, analisar primeiro definições, teorias e modelos antes de sintetizar. Procurar responder no nosso texto às seguintes questões para avaliar trabalhos de outros autores sobre os quais incide a nossa revisão:

  • O problema está apresentado de forma clara?
  • Os resultados apresentados são novos?
  • A amostra utilizada era grande?
  • Os argumentos são convincentes?
  • Como foram analisados os resultados?
  • Qual a perspectiva como eles foram vistos?
  • As generalizações são justificadas pelas evidências sobre as quais elas são efectuadas?
  • Qual é a significância da investigação?
  • Quais são as assunções por detrás da investigação?
  • A metodologia está bem justificada como a mais apropriada para estudar o problema?
  • A base teórica é transparente?
  • Quais as forças e fraquezas dos trabalhos revistos?
  • Quais as diferenças genuínas entre as teorias apresentadas nos vários trabalhos?
  • Elaborar um quadro final a sintetizar o que os outros fizeram.
  • Isolar e salientar as descobertas que são relevantes para a temática que estamos a estudar.

Atenção: não se fala do problema, apenas mostramos aquilo que os outros fizeram. Apresentar as ideias principais do estado da arte mas sem incluir as nossas ideias.

Podemos organizar a revisão da literatura de forma cronológica ou temática.

Por ex.: se houve várias teorias da liderança podemos organizar sub-títulos em torno delas. Demonstrar que consideramos os trabalhos dos outros e revelar poder de síntese e fazer uma leve avaliação do trabalho dos outros. Ao avaliar criticamente estamos à procura das forças de certos estudos e a significância das contribuições dos investigadores.

Frases de Início e Expressões Úteis

Quando começamos a escrever, por vezes, é difícil começar. Para tal, podemos procurar trabalhos de mérito, boas referências e retirar estruturas de frases mais comuns. Aqui ficam alguns exemplos que poderás utilizar com as devidas adaptações:

Introdução

… é um importante componente de…

O ponto central da disciplina de… é…

… é um assunto de crescente importância em…

Desenvolvimentos recentes na… demonstraram a necessidade de…

Desenvolvimentos recentes no campo da… levaram a um renovado interesse pela…

Este estudo contribui para…

No último século, houve um grande declínio…

Recentemente tem havido um crescente interesse por…

Até à data tem havido pouco consenso sobre…

A controvérsia sobre… tem existido nos últimos 30 anos…

Um assunto que tem dominado a área X durante os últimos anos…

A questão da… tem aumentado em termos de importância…

A maioria dos estudos de… foi apenas centrado na…

Até agora, pouca importância tem sido dada a…

Até agora, este método foi apenas aplicado a…

Revisão da literatura

Foi publicada já uma quantidade considerável de literatura sobre X…

No entanto, existem poucos trabalhos sobre…

Numerosos estudos argumentam que…

Vários estudos revelaram que…

A investigação até à data tende a focar-se em…

Dados de vários estudos identificaram a…

Tem sido sugerido que…

Tem sido conclusivamente demonstrado que…

Tem sido demonstrado que…

Pensa-se que…

Outros estudos consideraram a relação entre…

O primeiro estudo sistemático de… foi relatado por…

O estudo de X foi iniciado por…

Uma análise detalhada de… por Rodrigues (2015)… mostrou que…

Num estudo aleatório (randomizado)…

Num estudo comparativo, Rodrigues (2014) encontrou…

Esta visão é suportada por Rodrigues (2014), que argumenta…

Um problema chave com este argumento é…

No entanto, existe alguma inconsistência neste argumento apresentado…

A interpretação de Rodrigues (2014)…

No entanto, uma questão que tem de ser colocada…

Um problema com esta abordagem é…

A principal limitação deste estudo é…

No entanto, este método de análise tem várias limitações…

No entanto, a investigação não tem em conta o seguinte…

O autor não explica…

As principais lacunas deste estudo são…

Estudos anteriores apenas se focaram…

Muita da literatura recente não…

A literatura não apresenta um consenso sobre X, o que significa que…

A literatura actual apresenta vários exemplos de…

Segundo Santos (2012), os desportos colectivos são muito mais benéficos do ponto de vista educativo, por isso…

Jordan (2014) salienta que…

Jordan (2014) argumenta que…

Jordan (2014) conclui que…

Jordan (2014) sugere que…

Jordan (2014) propõe…

Rodrigues (2012) defende a ideia…

Rodrigues (2012) comenta…

Rodrigues (2012) cita…

Rodrigues (2012) olha para o trabalho de Santos (2014)…

Rodrigues (2012) acredita que…

Rodrigues (2012) lança a hipótese…

Rodrigues (2012) ataca…

Rodrigues (2012) condena…

Rodrigues (2012) refuta…

Embora tenha havido relativamente pouca investigação sobre X…

Nos últimos X anos a investigação tem disponibilizado um amplo suporte da ideia X…

A investigação actual parece validar a hipótese/ideia…

A investigação nesta área ainda é insuficiente para concluir acerca de…

Esta visão também é proposta por Jordan (2013), que refere…

O trabalho de Jordan (2013) é complementado pelo estudo dos desportos colectivos de Santos (2012)…

Ao contrário de Jordan, Rodrigues (2011) argumenta que…

Método

O procedimento foi…

Foi escolhida uma abordagem X porque…

Esta metodologia tem uma série de vantagens, tais como:

As limitações aos procedimentos do estudo incluem…

Os dados foram obtidos de…

… foi preparado de acordo com o procedimento delineado por…

A amostra inicial consistiu em…

O critério para seleccionar os indivíduos foi o seguinte:

Para incrementar a fiabilidade…

Resultados

Nota-se na Tabela 1 que…

Os dados na Figura 2 indicam que…

Encontrou-se uma forte evidência…

Encontrou-se uma correlação positiva entre… e…

Os resultados, como se verifica na Tabela 2, indicam que…

Não se encontrou uma forte redução em…

A maioria dos inquiridos referiu que…

Um pequeno número dos entrevistados indicou que…

Uma comparação entre os dois grupos revela que…

Discussão

Ao contrário daquilo que se esperava, este trabalho não encontrou diferença significativa entre…

Este resultado foi inesperado e sugere que…

Os resultados do presente estudo estão de acordo com os resultados de…

Existem similaridades entre este trabalho e o de…

Estes resultados sugerem…

Ao contrário de resultados anteriores…

Existem várias explicações para este resultado. Por exemplo:

Esta inconsistência pode dever-se a…

Os dados devem ser interpretados com precaução porque…

Este resultado tem implicações em…

Conclusões

O objectivo da presente investigação era…

Este estudo demonstrou que…

Uma descoberta importante deste estudo é…

Os resultados são significativos em 3 aspectos:

Em geral… Por isso, os resultados mostram…

Os resultados deste trabalho mostram confirmam anteriores resultados obtidos por…

No entanto, necessitam ser consideradas algumas limitações. Por exemplo:…

A investigação estava limitada de várias formas.

Várias limitações têm de ser reconhecidas.

Futuras investigações deverão orientar-se no sentido…

A investigação futura deveria concentrar-se em…

É necessária mais investigação para compreender…

Os resultados deste trabalho têm a seguinte implicação…

Recursos

https://scholar.google.pt/

http://www.efdeportes.com/

https://owl.english.purdue.edu/

http://www.phrasebank.manchester.ac.uk/

http://www.besttitlegenerator.com/

http://www.luizotaviobarros.com/2013/04/academic-writing-useful-expressions.html

Bibliografia

American Psychologycal Organization (2009). Publication Manual of the American Psychological Association (6th ed.). Washington: APA.

Morley, J. (2015). Academic Phrasebank: referring to sources. Retirado de: http://www.phrasebank.manchester.ac.uk/referring-to-sources/

RMIT University. (2014). Study tips – research writing: starter phrases. Retirado de: https://emedia.rmit.edu.au/learninglab/sites/default/files/Research_Starter_phrases_2014_Accessible.pdf

Taylor, D. (2001). The literature review: a few tips on conducting it. [Online]. Disponível em: http://www.utoronto.ca/writing/tirev.html [10 Fevereiro 2004].

100 formas de conseguir clientes de personal training

Paulo Sena e Carlos Pinto1. Trabalha para seres o melhor profissional do mundo naquilo que estás a fazer agora.
2. Passa 15 dias sem TV e sai para a rua.
3. Educa os teus familiares e amigos sobre a atividade do personal trainer.
4. Contrata o melhor personal trainer que conheces durante um período de tempo limitado e aprende com ele em termos de comunicação, atitude, marketing, etc.
5. Procura o melhor personal trainer que faça coaching com personal trainers e contrata-o com um objetivo bem definido.
6. Tudo aquilo que fazes é marketing porque pode aproximar as pessoas de forma a criar uma relação comercial. Por isso cuida da forma como falas, vestes, te movimentas, locais que frequentas… De forma a te aproximares do teu público alvo. A propósito… Sabes qual é?
7. Treina para teres a melhor condição fisica de sempre. Partilha publicamente os resultados desse processo.
8. Treina o padre da paróquia (podes fazê-lo gratuitamente).
9. Treina um funcionário do café mais povoado da tua zona.
10. Treina o teu barbeiro ou cabeleireira.
11. Treina em público: parque, piscina, ginásio.
12. Treina um amigo ou familiar como se fosse um cliente com registo de treino e tudo aquilo que darias a um cliente.
13. Publica uma newsletter de uma página e deixa uma foto e contactos no final. Deixa essa newsletter nos locais que o teu público alvo frequenta.
14. Faz um cartão de visita diferente.
15. Pública os teus treinos num blogue.
16. Candidata-te a fazer um pequeno programa numa rádio local.
17. Escreve uma coluna de exercício num jornal local.
18. Desenvolve as tuas habilidades de comunicação.
19. Faz um curso de coaching.
20. Faz um curso de programação neurolinguistica.
21. Define objetivos específicos, mensuráveis e coloca-lhe uma data.
22. Atua como se já tivesses atingido esses objetivos. Usa os 5 sentidos nesse processo.
23. Partilha os teus objetivos com outras pessoas para aumentares o compromisso com os mesmos.
24. Escreve os teus objetivos todos os dias como se já os tivesses alcançado. Descreve por escrito o que ouves, o que sentes, o que vês.
25. Limita a utilização do computador e sobretudo das redes sociais.
26. Lidera através do exemplo em tudo o que fazes.
27. Cria ou melhora o teu personal trailer.
28. Cria um canal no youtube. Pública vídeos de treino regularmente com boas práticas. Pode ser uma vez por mês, ou por semana, mas se consistente com a regularidade
29. Nas discussões desportivas, mostra uma visão profissional. Aproveita para educar sem eles perceberem que o estás a fazer. Acaba com a culpa do árbitro e coisas similares.
30. Dá dicas de treino aos colegas de trabalho e amigos.
31. Comunica como um treinador top em vez de comunicares como uma claque, um guarda de máquinas, um contador de repetições, um fomentador de intimidardes, um actina e miosina ou um recepcionista.
32. Treina a recepcionista do teu ginasio.
33. Participa em eventos populares de grande visibilidade: corridas, feiras municipais, etc.
34. Trabalha como voluntário nos eventos municipais contribuindo com a organização de pequenos eventos relacionados com a tua atividade. Bom momento também para distribuíres newsletters.
35. Oferece sessões grátis a potenciais clientes.
36. Identifica os teus parceiros chave e cria parcerias com interesses comuns.
37. Recorda: serão sempre coisas simples muito bem feitas que te levarão ao êxito.
38. Mostra paixão em tudo o que fazes.
39. Cria programas de treino únicos que se diferenciem dos outros profissionais e que sejam solução para os problemas das pessoas.
40. Foca-te na qualidade porque se te focares nas séries e repetições não adicionas valor.
41. Cria uma lista de ações, formas de estar que adicionem valor ao teu serviço. Mais do mesmo já estamos fartos.
42. Sê honesto na tua ação. Evita vender poções mágicas e equipamentos milagrosos.
43. Chega sempre a horas (15 min. antes).
44. Faz uma lista de todas as formas de ajudares as pessoas a serem disciplinadas com os seus treinos, porque a regularidade do estímulo é fundamental para obter resultados. Depois aplica essa lista de ações.
45. Procura metodologias que respeitem os princípios do treino e as leis naturais.
46. Faz uma lista de todas as formas de controlo do treino, sono, alimentação dos teus alunos e aplica.
47. Recorda: intensidade é a tua base de trabalho, a chave dos resultados. Por isso, procura envolver os teus alunos com uma comunicação inteligente de forma a levá-los para fora da sua zona de conforto.
48. Identifica as tuas próprias rotinas de sucesso. E procura ser consistente na sua aplicação.
49. Usa a sala de troféus para elevar a tua auto-estima e a dos teus alunos.
50. Adequa a linguagem ao teu público.
51. Frequenta os mesmos locais do teu público-alvo.
52. Trabalha sempre em amplitude total de movimento.
53. Utiliza movimentos multi articulares que criem mais impacto local e metabólico no corpo, permitindo assim resultados mais rápidos em menos tempo.
54. Deixa sempre indicações pós treino sobre alimentação e repouso.
55. Procura pontos comuns nos teus potenciais clientes para promover melhor rapport, confiança e assim aumentar a probabilidade de virem a treinar contigo ou de respeitarem mais os teus conselhos.
56. Dá palestras sobre um tema no qual te sintas confiante pela tua experiência ou formação.
57. Recorda: és um alfaiate, não um pronto a vestir. Atua de acordo com isso.
58. Recorda: queres ser um chef de cozinha e não um livro de receitas na mão de quem não sabe cozinhar.
59. Coloca os teus objetivos e material com eles relacionado no fundo do teu computador, no fundo do teu telemóvel, na tua carteira, no espelho do teu quarto…
60. Estuda pessoas de sucesso e modela o seu comportamento, o seu sistema de valores e a sua fisiologia.
61. Usa a cadeia de excelência para todos os teus desafios.
62. Procura formação de qualidade nas áreas que menos dominas. Ou seja: sai da zona de conforto.
63. Se queres ajudar alguém a mudar o seu estilo de vida, tu tens de mudar primeiro.
64. A perfeição é inimiga do sucesso, por isso, o momento ideal é agora, o conhecimento que tens basta para começar.
65. Kaizen! Procura a melhoria constante naquilo que fazes.
66. Seleciona melhor as pessoas com quem convives, porque quer queiras quer não, és o resultado das 5 pessoas com quem passas mais tempo.
67. Lê 15 min. por dia um livro fora da área da atividade fisica.
68. Começa o dia definindo as 3 ações mais importantes. Depois cumpre essas tarefas e só depois realiza o resto.
69. Faz uma sessão fotográfica com um profissional para depois utilizares essas fotos no teu site, nos teus cartões de visita, no teu folheto…
70. Identifica as ações que tem mais impacto em todos os processos de treino e do teu negócio. Usa o princípio de Paretto.
71. Lê como tornar-se indispensável de Seth Godin e aplica os seus ensinamentos.
72. Lê e escuta o CD do livro mude a sua vida em 7 dias do Paul McKenna.
73. Lê Richard Bandler.
74. Lê e aplica Brand you de Tom Peters.
75. Faz um mínimo de 3min de meditação por dia.
76. Dorme 8 ou mais horas por dia.
77. Cria troféus para os teus alunos.
78. Usa roupa diferente e de acordo com o teu público alvo. Evita ir com a maré.
79. Faz uma boa triagem em vez de avaliação da condição fisica.
80. Cria o teu conjunto base de exercícios. Trabalha de forma que os teus alunos os aprendam em poucos meses. Que sirvam para depois progredir para coisas mais complexas. Serão a tua imagem de marca e os teus alunos, a tua melhor publicidade.
81. Evita treinos tipo 1001 exercícios com bola. Identifica os melhores movimentos e depois varia os desafios em termos de repetições e combinações. A base dos doces é farinha, ovos e açúcar e no entanto o resultado dessa mistura pode ser bem diferente. Por isso procura os ingredientes chave e depois aprende a combina-los em vários formatos.
82. Identifica um nicho de mercado que ninguém trabalhe e torna-te uma grande referência no mesmo. Vais ter de investir tempo para depois obteres dinheiro. Em marketing é fundamental ser primeiro na mente do mercado. Seja primeiro numa categoria ou sub-categoria.
83. Usa músicas, elementos visuais e gestos como ancoras nos teus treinos.
84. Aprende as necessidades da população que os ginásios não trabalham: quase toda a população acima dos 35 anos de idade.
85. Reúne à tua volta um conjunto de profissionais especialistas nos quais te possas apoiar: reabilitação/terapias, nutrição, medicina desportiva e psicologia.
86. Procura um estagiário, um adjunto que te possa substituir quando estejas doente. Assim, ele irá usar a mesma linguagem e metodologia. Os alunos vão adorar esse cuidado e detalhe. E isso vai permitir expandir o negócio quando for caso disso.
87. Cria umas regras e procedimentos do teu negócio de PT antes de avançares para uma relação comercial com alguém.

88. Envia uma sms inspiradora semanal ou diária aos teus clientes.
89. O personal trainer vende atos humanos, por isso identifica os serviços que vais prestar.
90. Cria pacotes comerciais e soluções para diferentes tipos de clientes.
91. Evita processos curtos de treino e relações comerciais de curta duração porque podem ser uma fraca imagem do teu trabalho. Ter 40 ou 50 alunos em treino personalizado num ano, é como o ginasio típico que abre no primeiro ano com 750 sócios e no segundo só tem 150.
92. Aprende os processos do melhor ginasio do mundo: Gainesville Health and Fitness Center.
93. Interessa-te pelas pessoas primeiro. Elas devem estar sempre antes dos processos.
94. Lê o Nuts da Southwest Airlines e aplica os seus princípios.
95. Lê a Fish Philosophy e aplica.
96. Treina em locais diferentes e procura viajar para conheceres outras formas de estar e ver o negócio de PT e do fitness.
97. Cuidado com a poderosa indústria do fitness. Estão sempre a tentar vender-te qualquer coisa. Desconfia.
98. Estuda a história e evolução dos ginásios e do fitness porque há coisas que são cíclicas, há muitas situações que estão a ocorrer agora e também se verificaram no passado. Há equipamentos que são revitalizados, há exercícios que sempre foram eficazes…
99. Investiga a indústria dos suplementos e drogas ligada ao fitness.
100. Vê o filme Food Inc.
Agora a bola está nos teus pés. Vais rematar?

 

Futebol e Treino Funcional/Musculação 1.0

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Preparing for the University of Chester football game 🙂
Muitos indivíduos procuram imitar movimentos desportivos no ginásio com pesos ou cargas adicionais na esperança que desta forma se tornem mais fortes e mais rápidos nesses movimentos. Não parece que seja esta a via mais adequada, pois o transfer de um movimento desportivo executado com uma bola medicinal para o mesmo movimento efectuado com a bola de jogo, é muitas das vezes negativo no padrão motor que permite por exemplo realizar a tarefa de remate. Claro que, se não houver força suficiente nos músculos, por muito treino técnico que se realize, dificilmente se conseguirá fazer deslocar a bola a grande distância ou grande velocidade.

Para além dos benefícios referidos amplamente neste site, a musculação ajuda o desportista a melhorar o seu desempenho por 3 grandes vias:

  • Aumentando o seu potencial, através da melhoria da força, resistência e flexibilidade dos músculos em todos os ângulos articulares (reparem que o jogo e a grande maioria dos movimentos de treino do futebol não trabalham todos os ângulos articulares, mas depois em jogo são submetidos a elevadas tensões em ângulos completamente diferente e muito acentuados).
  • Ajuda a equilibrar o desenvolvimento muscular (sobretudo na relação flexores da anca/extensores da anca e flexores/extensores do joelho).
  • Previne o aparecimento de lesões que têm aumentado nos últimos anos (aumento de lesões devido a maior pressão e exigência dos adeptos que alteraram as suas referencias do jogo, a toda a envolvência do futebol como indústria, ao aumento do maior vigor físico dos atletas, aos “carrinhos” cada vez mais utilizados, ao elevado número de jogos).

Benchmarks

Por uma questão de proteção das articulações mais solicitadas em termos de carga num jogo de futebol, há níveis de condição que consideramos essenciais para quem pratica a modalidade a alto nível.

Exemplo:

Ancas

  • 100 agachamentos consecutivos em amplitude total de movimento com o peso do corpo.
  • 10 “pistolas” (agachamentos com uma perna em amplitude total de movimento)
  • 5 repetições de agachamento com barra com peso corporal nos trapézios
  • peso morto com 1 a 1,5 vezes o peso corporal
  • salto vertical de 50cm

Empurrar

Puxar

Cintura

Trabalho

  • corrida de 800m em 3’20”
  • 2000m de remo em menos de 7’50”
  • 5km de corrida em menos de 25min

Velocidade

  • corrida de 400m em 1’40”
  • 500m de remo em menos de 2min

Frequência (só analisando os registos de treino e conhecendo os atletas, poderemos determinar a frequência de estímulos óptima para cada indivíduo) semanal média:

  • 2 a 3 sessões no período não competitivo.
  • 1 a 2 sessões no período competitivo.
  • Mas irá sempre depender do volume e intensidade dos treinos.

Principais zonas de lesão

  • Abdómen (hérnias e distensões)
  • Ancas (distensões nos flexores e extensores)
  • Joelhos (distensões, roturas dos isquiotibiais; tendinites/tendinoses rotulianas; problemas nos tendões e nos meniscos)
  • Tornozelos (entorses, tendinites)
  • Contusões diversas em várias partes do corpo.

Desequilíbrios musculares/zonas mais débeis

Curiosamente ou não, estas zonas, estão diretamente relacionadas com as principais áreas de lesão:

  • Isquiotibiais
  • Adutores
  • Extensores da anca
  • Gémeos
  • Flexores da anca

Alguns exemplos de rotinas de treino:

Indicações metodológicas:

Ensinar um movimento de cada vez e deixar consolidar a técnica, realizando circuitos apenas com esse movimento, variando repetições e circuitos. Quando esse movimento estiver consolidado do ponto de vista técnico, adicionamos outro e assim sucessivamente para evitar grandes erros técnicos, lesões e falta de rendimento quando solicitamos circuitos onde o número de repetições por unidade de tempo é a nota dominante. Este processo irá demorar algumas semanas, mas será bem mais sólido do que ensinar muitos movimentos para depois realizar circuitos com fraca qualidade de execução técnica.

26291_1409579958922_1618475_nMovimentos fundamentais com o peso do corpo:

Movimentos com barra

Movimentos de endurance

  • Corrida
  • Remo
  • Bicicleta

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With friends it’s easy to score 12 penalties 🙂
Realizando sempre os exercícios em amplitude articular total, até à falha muscular e respeitando os princípios de treino.

Todo este processo deverá ser integrado nas tarefas globais de treino respeitando o princípio da unidade ou da totalidade.

Se continuarmos a fazer aquilo que fazemos, é provável que os resultados obtidos sejam idênticos. Para obtermos resultados diferentes, provavelmente teremos de dar mais atenção à componente mental do treino integrada no processo de preparação física e técnica onde a tática se simplifica pelo como e quando utilizar a técnica.

Preocupa-me o facto de todos os técnicos envolvidos no processo de treino de um futebolista (nas equipas profissionais já são quase tantas pessoas quanto jogadores) estarem demasiado focados em testes de condição física (ver artigo sobre testes de condição física), mas pouca preocupação têm com uma intensidade de treino próxima da intensidade de jogo. Aquilo que tenho verificado ao longo de mais de um quarto de século a treinar jovens jogadores em campo e sobretudo em ginásio, desde amadores a profissionais, incluindo situações de reabilitação, é um enorme desfasamento entre os quilómetros percorridos em jogo com elevada exigência e a baixa intensidade e volume com que o fazem em treino, deixando com algum fundamento a suspeição de doping. Embora se venha alterando nos últimos anos, a atitude de muitos treinadores continua a ser de enorme receio para com a musculação porque ainda não perceberam que muitos dos gestos técnicos efetuados num jogo, colocam 2 a 3 vezes o peso corporal do atleta em cima das suas articulações (estamos a falar de mais de 200kg). Como é comum dizer-se: conforme treinas, assim jogas. O trabalho em ginásio resume-se ao início da temporada ou à reabilitação de um ou outro atleta, desrespeitando uma Lei Natural que conhecemos por Princípio do Treino da Reversibilidade. Por isso, se queremos menos lesões, mais força, mais resistência, mais flexibilidade, temos de usar processos completamente diferentes embora muito simples.