100 formas de conseguir clientes de personal training

Paulo Sena e Carlos Pinto1. Trabalha para seres o melhor profissional do mundo naquilo que estás a fazer agora.
2. Passa 15 dias sem TV e sai para a rua.
3. Educa os teus familiares e amigos sobre a atividade do personal trainer.
4. Contrata o melhor personal trainer que conheces durante um período de tempo limitado e aprende com ele em termos de comunicação, atitude, marketing, etc.
5. Procura o melhor personal trainer que faça coaching com personal trainers e contrata-o com um objetivo bem definido.
6. Tudo aquilo que fazes é marketing porque pode aproximar as pessoas de forma a criar uma relação comercial. Por isso cuida da forma como falas, vestes, te movimentas, locais que frequentas… De forma a te aproximares do teu público alvo. A propósito… Sabes qual é?
7. Treina para teres a melhor condição fisica de sempre. Partilha publicamente os resultados desse processo.
8. Treina o padre da paróquia (podes fazê-lo gratuitamente).
9. Treina um funcionário do café mais povoado da tua zona.
10. Treina o teu barbeiro ou cabeleireira.
11. Treina em público: parque, piscina, ginásio.
12. Treina um amigo ou familiar como se fosse um cliente com registo de treino e tudo aquilo que darias a um cliente.
13. Publica uma newsletter de uma página e deixa uma foto e contactos no final. Deixa essa newsletter nos locais que o teu público alvo frequenta.
14. Faz um cartão de visita diferente.
15. Pública os teus treinos num blogue.
16. Candidata-te a fazer um pequeno programa numa rádio local.
17. Escreve uma coluna de exercício num jornal local.
18. Desenvolve as tuas habilidades de comunicação.
19. Faz um curso de coaching.
20. Faz um curso de programação neurolinguistica.
21. Define objetivos específicos, mensuráveis e coloca-lhe uma data.
22. Atua como se já tivesses atingido esses objetivos. Usa os 5 sentidos nesse processo.
23. Partilha os teus objetivos com outras pessoas para aumentares o compromisso com os mesmos.
24. Escreve os teus objetivos todos os dias como se já os tivesses alcançado. Descreve por escrito o que ouves, o que sentes, o que vês.
25. Limita a utilização do computador e sobretudo das redes sociais.
26. Lidera através do exemplo em tudo o que fazes.
27. Cria ou melhora o teu personal trailer.
28. Cria um canal no youtube. Pública vídeos de treino regularmente com boas práticas. Pode ser uma vez por mês, ou por semana, mas se consistente com a regularidade
29. Nas discussões desportivas, mostra uma visão profissional. Aproveita para educar sem eles perceberem que o estás a fazer. Acaba com a culpa do árbitro e coisas similares.
30. Dá dicas de treino aos colegas de trabalho e amigos.
31. Comunica como um treinador top em vez de comunicares como uma claque, um guarda de máquinas, um contador de repetições, um fomentador de intimidardes, um actina e miosina ou um recepcionista.
32. Treina a recepcionista do teu ginasio.
33. Participa em eventos populares de grande visibilidade: corridas, feiras municipais, etc.
34. Trabalha como voluntário nos eventos municipais contribuindo com a organização de pequenos eventos relacionados com a tua atividade. Bom momento também para distribuíres newsletters.
35. Oferece sessões grátis a potenciais clientes.
36. Identifica os teus parceiros chave e cria parcerias com interesses comuns.
37. Recorda: serão sempre coisas simples muito bem feitas que te levarão ao êxito.
38. Mostra paixão em tudo o que fazes.
39. Cria programas de treino únicos que se diferenciem dos outros profissionais e que sejam solução para os problemas das pessoas.
40. Foca-te na qualidade porque se te focares nas séries e repetições não adicionas valor.
41. Cria uma lista de ações, formas de estar que adicionem valor ao teu serviço. Mais do mesmo já estamos fartos.
42. Sê honesto na tua ação. Evita vender poções mágicas e equipamentos milagrosos.
43. Chega sempre a horas (15 min. antes).
44. Faz uma lista de todas as formas de ajudares as pessoas a serem disciplinadas com os seus treinos, porque a regularidade do estímulo é fundamental para obter resultados. Depois aplica essa lista de ações.
45. Procura metodologias que respeitem os princípios do treino e as leis naturais.
46. Faz uma lista de todas as formas de controlo do treino, sono, alimentação dos teus alunos e aplica.
47. Recorda: intensidade é a tua base de trabalho, a chave dos resultados. Por isso, procura envolver os teus alunos com uma comunicação inteligente de forma a levá-los para fora da sua zona de conforto.
48. Identifica as tuas próprias rotinas de sucesso. E procura ser consistente na sua aplicação.
49. Usa a sala de troféus para elevar a tua auto-estima e a dos teus alunos.
50. Adequa a linguagem ao teu público.
51. Frequenta os mesmos locais do teu público-alvo.
52. Trabalha sempre em amplitude total de movimento.
53. Utiliza movimentos multi articulares que criem mais impacto local e metabólico no corpo, permitindo assim resultados mais rápidos em menos tempo.
54. Deixa sempre indicações pós treino sobre alimentação e repouso.
55. Procura pontos comuns nos teus potenciais clientes para promover melhor rapport, confiança e assim aumentar a probabilidade de virem a treinar contigo ou de respeitarem mais os teus conselhos.
56. Dá palestras sobre um tema no qual te sintas confiante pela tua experiência ou formação.
57. Recorda: és um alfaiate, não um pronto a vestir. Atua de acordo com isso.
58. Recorda: queres ser um chef de cozinha e não um livro de receitas na mão de quem não sabe cozinhar.
59. Coloca os teus objetivos e material com eles relacionado no fundo do teu computador, no fundo do teu telemóvel, na tua carteira, no espelho do teu quarto…
60. Estuda pessoas de sucesso e modela o seu comportamento, o seu sistema de valores e a sua fisiologia.
61. Usa a cadeia de excelência para todos os teus desafios.
62. Procura formação de qualidade nas áreas que menos dominas. Ou seja: sai da zona de conforto.
63. Se queres ajudar alguém a mudar o seu estilo de vida, tu tens de mudar primeiro.
64. A perfeição é inimiga do sucesso, por isso, o momento ideal é agora, o conhecimento que tens basta para começar.
65. Kaizen! Procura a melhoria constante naquilo que fazes.
66. Seleciona melhor as pessoas com quem convives, porque quer queiras quer não, és o resultado das 5 pessoas com quem passas mais tempo.
67. Lê 15 min. por dia um livro fora da área da atividade fisica.
68. Começa o dia definindo as 3 ações mais importantes. Depois cumpre essas tarefas e só depois realiza o resto.
69. Faz uma sessão fotográfica com um profissional para depois utilizares essas fotos no teu site, nos teus cartões de visita, no teu folheto…
70. Identifica as ações que tem mais impacto em todos os processos de treino e do teu negócio. Usa o princípio de Paretto.
71. Lê como tornar-se indispensável de Seth Godin e aplica os seus ensinamentos.
72. Lê e escuta o CD do livro mude a sua vida em 7 dias do Paul McKenna.
73. Lê Richard Bandler.
74. Lê e aplica Brand you de Tom Peters.
75. Faz um mínimo de 3min de meditação por dia.
76. Dorme 8 ou mais horas por dia.
77. Cria troféus para os teus alunos.
78. Usa roupa diferente e de acordo com o teu público alvo. Evita ir com a maré.
79. Faz uma boa triagem em vez de avaliação da condição fisica.
80. Cria o teu conjunto base de exercícios. Trabalha de forma que os teus alunos os aprendam em poucos meses. Que sirvam para depois progredir para coisas mais complexas. Serão a tua imagem de marca e os teus alunos, a tua melhor publicidade.
81. Evita treinos tipo 1001 exercícios com bola. Identifica os melhores movimentos e depois varia os desafios em termos de repetições e combinações. A base dos doces é farinha, ovos e açúcar e no entanto o resultado dessa mistura pode ser bem diferente. Por isso procura os ingredientes chave e depois aprende a combina-los em vários formatos.
82. Identifica um nicho de mercado que ninguém trabalhe e torna-te uma grande referência no mesmo. Vais ter de investir tempo para depois obteres dinheiro. Em marketing é fundamental ser primeiro na mente do mercado. Seja primeiro numa categoria ou sub-categoria.
83. Usa músicas, elementos visuais e gestos como ancoras nos teus treinos.
84. Aprende as necessidades da população que os ginásios não trabalham: quase toda a população acima dos 35 anos de idade.
85. Reúne à tua volta um conjunto de profissionais especialistas nos quais te possas apoiar: reabilitação/terapias, nutrição, medicina desportiva e psicologia.
86. Procura um estagiário, um adjunto que te possa substituir quando estejas doente. Assim, ele irá usar a mesma linguagem e metodologia. Os alunos vão adorar esse cuidado e detalhe. E isso vai permitir expandir o negócio quando for caso disso.
87. Cria umas regras e procedimentos do teu negócio de PT antes de avançares para uma relação comercial com alguém.

88. Envia uma sms inspiradora semanal ou diária aos teus clientes.
89. O personal trainer vende atos humanos, por isso identifica os serviços que vais prestar.
90. Cria pacotes comerciais e soluções para diferentes tipos de clientes.
91. Evita processos curtos de treino e relações comerciais de curta duração porque podem ser uma fraca imagem do teu trabalho. Ter 40 ou 50 alunos em treino personalizado num ano, é como o ginasio típico que abre no primeiro ano com 750 sócios e no segundo só tem 150.
92. Aprende os processos do melhor ginasio do mundo: Gainesville Health and Fitness Center.
93. Interessa-te pelas pessoas primeiro. Elas devem estar sempre antes dos processos.
94. Lê o Nuts da Southwest Airlines e aplica os seus princípios.
95. Lê a Fish Philosophy e aplica.
96. Treina em locais diferentes e procura viajar para conheceres outras formas de estar e ver o negócio de PT e do fitness.
97. Cuidado com a poderosa indústria do fitness. Estão sempre a tentar vender-te qualquer coisa. Desconfia.
98. Estuda a história e evolução dos ginásios e do fitness porque há coisas que são cíclicas, há muitas situações que estão a ocorrer agora e também se verificaram no passado. Há equipamentos que são revitalizados, há exercícios que sempre foram eficazes…
99. Investiga a indústria dos suplementos e drogas ligada ao fitness.
100. Vê o filme Food Inc.
Agora a bola está nos teus pés. Vais rematar?

 

Mais um corta-mato distrital em Chaves

O corta-mato não é das minhas provas favoritas. Gosto de correr e de incentivar os meus alunos a fazer o mesmo. No início, quando cheguei à região de Chaves, havia gente que não percebia o ênfase que eu dava à condição física nas minhas aulas. Os alunos a correr 1600m ou 10minutos todas as aulas, burpees, agachamentos, flexões de braços e abdominais no final, eram sempre conteúdos obrigatórios. A princípio aparecem as dores musculares, dizem que é tropa, apelidam o professor de tudo sem compreenderem os tempos que vivemos, onde o sedentarismo é a causa de morte número um em todo o mundo, a condição física permite-nos uma boa postura, permite rematar forte, passar muitas vezes sem nos cansarmos tão cedo, permite chegar onde os outros não chegam, permite manter ausência de lesão em condições difíceis, permite efectuar movimentos mais difíceis na ginástica, etc.

É também uma forma quantificável de ter intensidade de treino nas aulas de educação física de forma que sejam os próprios alunos a controlar os seus descansos, mas tendo sempre objectivos específicos a cumprir.

Os alunos compreendem melhor a forma de funcionamento das suas estruturas musculares e articulares, percebem a diferença entre trabalhar com intensidade e estar apenas de corpo presente. Sentem dores musculares quando fazem algo ao qual não estão habituados e vão aprendendo a elaborar o seu próprio programa de treino.

Com a obtenção de benefícios que advêm do respeito dos princípios de treino, da intensidade, da regularidade, do entendimento da utilidade do sono, da ingestão de água e nutrição apropriadas, conseguem no seu dia-a-dia sentir mais energia, melhoria no seu estado de humor, melhor auto-estima em idade de muitas dúvidas e complexos com o corpo, melhor rendimento escolar e desportivo fora da escola.

Para que se obtenham benefícios da actividade física, quer seja na escola quer seja fora dela, há um mínimo de intensidade que deverá estar presente, há um mínimo de regularidade que deverá existir para começar a apelidar a actividade física de exercício físico.

Como professores sentimo-nos orgulhosos quando os alunos adquirem novos hábitos e um estilo de vida saudável. Sim, porque os programas de educação física escolar estão muito mais preocupados com os conteúdos das modalidades mais populares e pouco preocupados em fazer com que à saída do ensino básico um aluno saiba: comer melhor, conheça a importância do sono na regeneração do corpo, saiba elaborar o seu próprio programa de treino básico e levá-lo à prática com um mínimo de correcção técnica. Parece-me que falta dar mais ênfase a esta situação. Falta que os alunos percebam os benefícios de treinar com intensidade suficiente para conseguirem resultados. É necessário que deixem o ensino básico com algo, em vez de passarem vários anos a abordar superficialmente técnicas de basquetebol, andebol e outras modalidades, sem que no final, consigam pelo menos passar e atirar a bola ao alvo com 50% de eficácia. É necessário que saibam estar na bancada, que entendam melhor a função dos árbitros e percebam de uma vez por todas que, numa equipa, pelo erro de um paga a equipa toda. Todo o transfer que exista destas competências para a sociedade, é actualmente uma miragem. Impera o individualismo, a incapacidade de trabalhar em projectos, a falta de produtividade e uma constante atitude de 50%.

Nestes corta-matos, provas politicamente impactantes, de elevada visibilidade, apresentam-se sempre os mesmos alunos e professores. Ao contrário daquilo que parece (um evento de massas de participação voluntária), o corta-mato é obrigatório para as escolas que participam no desporto escolar. Parece uma contradição: por um lado a falta de exigência, a incompreensão para os conteúdos que trabalham a base de condição física para estas provas e, por outro lado, a obrigatoriedade de uma prova de elevada exigência. Ao nível escolar, fica ao critério dos professores preparar ou não os alunos para o evento do corta-mato dentro de cada escola. Verificamos depois alguns alunos que, por ansiedade, por nunca terem competido, se sentem pressionados a fazer algo para o qual não estão minimamente preparados. Sim, porque não é fácil para quem não corre 2 ou 3 vezes por semana a 70 ou 80% do máximo, realizar um corta-mato escolar.

Mas quando todos os alunos realizam trabalho de condição física de forma regular, quando têm alguma intensidade de treino, apresentam-se nestas provas para se superarem ao lado de gente que não conhecem, testando verdadeiramente as suas capacidades. Trazendo já a noção do que é dar o seu melhor, do que é ter a pulsação próxima dos limites, do que é uma frequência ventilatória muito aumentada, do que são dores musculares, do que são as dificuldades de cair e levantar-se da lama, do que é o ambiente pré-competitivo e todo o relacionamento social e exposição perante o público. Assim, retiram muito mais proveito da actividade e conseguem na maioria dos casos bater os seus melhores tempos, surpreender-se a si próprios e serem muitas vezes chamados ao podium.

Os professores vêem assim parte do seu trabalho recompensado, depois de terem conseguido alunos substitutos à última da hora com equipamentos emprestados, depois de convencerem a aluna B a ir porque a aluna A também vai, depois de todo o stress de obter autorizações de encarregados de educação de todos os alunos, mesmo daqueles que se esqueceram à última da hora, depois de acordarem alunos que não despertaram a horas, depois de cuidarem de todos eles como se fossem seus filhos, vêem assim coroado o seu esforço.

Como professores ficamos sobretudo satisfeitos quando os alunos conseguem ir a uma prova e controlar o seu estado de ansiedade pré-competitiva, libertando de forma progressiva o seu stress, percebendo que afinal até podem controlar algo na sua participação: o seu próprio desempenho. Deixando assim de se centrarem naquilo que não controlam e passando a centrar-se nas suas próprias acções. É giro de ver e é bom poder ajudar. Quase sempre chegam surpreendidos e compreendem neste momento o efeito do trabalho das aulas, dos sermões do professor sobre tabaco, sono e alimentação, dos trabalhos de casa (corriditas, burpees, agachamentos e afins). Sentem-se poderosos e depois da fase de recuperação ficam atónitos como conseguiram superar as suas expectativas subindo ao podium, quando minutos antes diziam: “- Não vou chegar ao fim! – É muito comprida a pista! – O piso está escorregadio! – Tem ali umas que devem fazer atletismo! – Nós não temos hipóteses!” É aqui que se deixa a marca da educação física para o que resta de vida escolar mas sobretudo para o resto da vida. Memórias que não se apagam, mas sobretudo aprendizagens que ficam e ensinam os alunos a vencer obstáculos muito mais difíceis do que correr um corta-mato.

Neste corta-mato ao ver alunos e alunas que trabalharam comigo, sinto-me algo realizado neste sistema de ensino de frequência, libertando parte da revolta que vai cá dentro, depois de lutas sem fim para EDUCAR os alunos contra partes de um sistema cada vez menos oleado. Venceram algumas ideias, alguns valores, alguns princípios cujo verdadeiro termómetro será o futuro.

Continuamos nesta aventura com os amigos professores! 🙂