Fórmula da Capacidade de Produção Humana

yin yan

Image by Leo Reynolds via Flickr

Vivemos num tempo exigente em termos de produção física e mental para o ser humano. Muita pressão para ter muita coisa feita no mínimo de tempo possível. Para tal, é necessário um equilíbrio entre a produção e a capacidade de produção. Ocorre com muita frequência produzirmos demasiado sem cuidar da capacidade de produção. É como um automóvel que não faz revisões. Chega a um ponto e começa a deslocar-se mais lentamente, a engasgar e até… Parar. Uma pessoa desequilibrada, fisicamente esgotada, mal dormida… Vai produzir muito menos e não adianta permanecer na tarefa mais tempo, porque os resultados irão ser mínimos ou nulos.

Fórmula da Capacidade de Produção Humana = D + M + A + I + S

  • Dieta Adequada
  • Movimento dosificado
  • Amor
  • Inspiração
  • Sono

Como se encontra em cada um desses aspectos?

É capaz de se pontuar em cada um deles? Utilize uma escala de 0-10 e atribua um valor a sí próprio. Come de forma equilibrada? Tem elevados níveis de performance física? Tem melhorado o seu desempenho físico? Tem muita gente que gosta de si? Nos momentos maus, há sempre gente disposta a ajudá-lo? Dão-lhe muito sem lhe pedir nada em troca? Tem momentos de criação? Tem fontes e ambientes inspiradores? Acorda sempre à mesma hora e dorme oito horas com qualidade e praticamente não tem necessidade de despertador?

Imagine as pessoas que admira em cada um desses pontos. A pessoa que come melhor em qualidade e quantidade, o indivíduo que consegue manter uma performance de alto nível anos a fio, a pessoa mais amada, os indivíduos mais criativos, as pessoas que dormem com facilidade e emanam energia logo pela manhã. Modele os comportamentos dessas pessoas. Procure identificar aquilo que cada uma dela faz para conseguir esses resultados que você admira. Incorpore tudo isso no seu dia-a-dia e vai ver como consegue produzir muito mais em menos tempo e estar sempre cheio de energia.

Os tempos que se avizinham são desafiantes em termos de trabalho para todo o mundo. Temos de ser pessoas de alto-rendimento nas várias facetas da vida. Não basta ser campeão uma vez. Não basta ter êxito num projecto, porque no dia seguinte começamos outro. Não basta obter boas notas num ano lectivo, porque depois virá outro. Não desenvolver um bom produto, porque a seguir vem outro melhor. O espaço de melhoria é infinito e o nível de exigência dos empregadores, do mercado, é cada vez maior. E quando estamos lá no alto, todos querem derrubar-nos e ver-nos cair. Por isso temos de estar bem todos os dias. Para tal, necessitamos equilíbrio e pensar dia-a-dia em cada uma das variáveis da fórmula. Porque o caminho do sucesso está sempre em construção e está dentro de nós. Todos nos pedem mais e melhor todos os dias. Se colocarmos toda a energia num só momento, num só dia, vamos acabar desgastados e obrigados e ficar parados dias a fio para recuperar desse desgaste. Por isso não podemos ter uma abordagem de sprint naquilo que fazemos, pois a vida é uma maratona. Esta fórmula pode ser uma brincadeira ou talvez não. O certo é que… Tem bons resultados. A chave está no equilíbrio!

Estabeleçam objectivos de performance em vez de objectivos de perda de peso!

Estamos na época de mostrar a epiderme. O tempo aquece. Todos reclamam dos quilogramas acumulados de gordura no solstício de Inverno. E agora?

Agora tratam de perder peso, pensando que esse peso será gordura. Essa gordura que reflecte comportamentos. Comportamentos que são resultado de pensamentos e filtros pouco eficazes da realidade. Comportamentos que são resultado de uma fisiologia inadequada ao pouco gasto energético diário da maioria dos indivíduos.

Na minha opinião, se todos pensarem na sua necessidade de melhorar a performance física, irão criar um impacto positivo nos seus pensamentos e consequentemente obter resultados muito, mas muito melhores. O desafio é claro e simples: se temos uma percepção corporal que não gostamos, apenas temos de fazer tudo para melhorar a performance física. Se aumentarmos a força, resistência e flexibilidade, iremos consequentemente mudar a nossa percepção corporal. Iremos ver o nosso corpo de uma forma diferente, iremos senti-lo de forma diferente. E como interagimos com outras pessoas, estas irão ver o nosso corpo de forma diferente, alimentando a nossa auto-estima. E como as duas situações não se dissociam, vão motivar-nos para melhorarmos progressivamente a nossa performance. E como corpo e mente não se dissociam, um corpo mais forte terá como consequência um alteração profunda nas representações internas que temos da realidade. Assim, se mudarmos o nosso mapa, iremos ter um mundo diferente. Necessita algum esforço no arranque e a partir daí, os benefícios da actividade física regular, curta e intensa, não vão deixar que abandonemos o exercício físico.

Assim, deitem as balanças ao lixo. Não são necessárias para detectar se estamos mais gordos. A roupa diz-nos. Centrem-se na melhoria da performance. Caminhar mais rápido a mesma distancia. Percorrer distancias maiores no mesmo tempo de treino. Levantar pesos maiores, levantar os mesmos pesos um maior número de vezes e em distâncias maiores… Utilizar a maior amplitude de movimento possível… São apenas algumas formas de estimular o nosso corpo para que este se transforme num corpo mais forte, resistente e flexível. A consequência será um corpinho bonito, com brilho interior, que respira saúde, funcional para as actividades do dia-a-dia.

Marquem um objectivo de performance física (ex: ser capaz de percorrer 1,5km em 15 minutos ou ser capaz de elevar uma barra com 20kg acima da cabeça) e estabeleçam uma estratégia para atingir esse objectivo. Verifiquem quais os maus hábitos a vencer e os recursos que necessitam para conseguir esse objectivo. Procurem em torno do vosso círculo de influencias as pessoas que vos podem ajudar. Contem com o motor-humano.

Bons treinos!

Muda a tua fisiologia, muda o teu estado!

Uma das formas de influenciarmos constantemente o nosso estado é através da maneira como usamos o nosso corpo. Mudanças na posição, respiração, tensão muscular e expressão facial afectam os nossos sentimentos e comportamentos. Se usar o seu corpo de forma diferente, terá uma experiência diferente de estar vivo. Paul McKenna

Motivação e adesão aos ginásios

Por Nuno Couto e Luís Cid

Carlos Silva, Paulo Sena, Nuno Couto e Luís Cid na defesa pública da Dissertação de Mestrado de Nuno Couto

Carlos Silva, Paulo Sena, Nuno Couto e Luís Cid na defesa pública da Dissertação de Mestrado de Nuno Couto

Basta pesquisar um pouco sobre a investigação realizada acerca da Psicologia aplicada ao Exercício Físico, para verificarmos que o tema da motivação é um dos mais aplicados a este domínio. Esta inclusão surgiu pela tentativa de compreensão do comportamento humano neste contexto específico, onde para muitos, o que é hoje, amanhã já não é! Com isto queremos dizer, e como muitos que agora estão a ler este documento sabem, que quando os indivíduos na sua grande maioria iniciam a prática de exercício num determinado ginásio, fazem-no com determinados objectivos de frequência e participação (adesão), o que passado algumas semanas, ou mesmo dias, esses mesmos objectivos são reformulados, e na sua grande maioria, num sentido desajustado à obtenção dos benefícios, quer físicos, quer psicológicos, que uma prática regular proporciona aos praticantes.

Sabendo nós da elevada influência que os estímulos fornecidos pelo contexto exercem sobre o comportamento dos praticantes, fomos aplicar a Teoria da Autodeterminação ao contexto da prática de exercício físico em ginásios, visto ser uma das mais fortes teorias motivacionais que explica o desenvolvimento e funcionamento da personalidade em contextos sociais através de uma conceptualização multidimensional da motivação que assenta num continuum motivacional que oscila entre as formas menos e mais autodeterminadas (extrínseca vs intrínseca), relacionando assim as suas componentes: necessidades psicológicas básicas (autonomia; competência; relação) e a regulação motivacional com a adesão dos praticantes de exercício físico em ginásio. Esta teoria afirma fundamentalmente que o comportamento intrinsecamente motivado é autónomo e autodeterminado, e que não existem dois pólos motivacionais: motivação extrínseca e intrínseca, mas sim um continuum motivacional, através do qual o sujeito regula o seu comportamento. À medida que possui uma maior índice de autonomia, avança-se no sentido da autodeterminação , ou seja, o comportamento intrinsecamente motivado. No entanto, isto não significa que não possa existir a regressão para um sentido mais externo da motivação, basta que para isso exista menor percepção de autonomia na realização do desse comportamento.

Nesta investigação, participaram 102 indivíduos praticantes de exercício físico num ginásio do distrito de Leiria – Portugal, com uma média de idades de 28.75 anos, sendo 52 elementos do sexo feminino e 50 do sexo masculino. Para o estudo, utilizamos a versão portuguesa do Behavior Regulation Exercise Questionaire (BREQ-2) e do Basic Psychological Needs in Exercise Scale (BNESp), instrumentos que permitiram avaliar a regulação motivacional e a satisfação das necessidades psicológicas básicas, respectivamente. A adesão foi medida através do registo informatizado de presenças dos praticantes ao ginásio durante um período de seis meses.

Os principais resultados indicam a não existência de diferenças na satisfação das necessidades psicológicas básicas de autonomia, competência, relação e na regulação motivacional, independentemente do estado de adesão. Aferimos ainda, que a satisfação das necessidades psicológicas básicas e a regulação motivacional, não exercem influência sobre o tempo médio de cada treino, a frequência semanal e o tempo que praticam exercício físico no ginásio.

Verificamos assim, que neste ginásio, não é por ter mais tempo de prática no ginásio, ou ter um tempo médio de treino superior, que se verificava um maior nível de satisfação das necessidades psicológicas básicas e um maior nível de regulação motivacional. Mas em termos práticos, o que isto significa?

A bibliografia diz-nos que o comportamento autodeterminado associa-se positivamente à manutenção da prática de exercício físico, por outro lado, a menor autodeterminação associa-se a regulação externa do comportamento, o que pode ter consequências negativas sobre o estado de manutenção do comportamento. No entanto, no presente estudo, verificámos uma situação contrária neste ginásio. Contudo, durante a investigação percebemos existir uma elevada satisfação das três necessidades psicológicas básicas e razoáveis valores na autonomia do comportamento, resta-nos questionar sobre a possibilidade de, ao longo do tempo, estes comportamentos se manterem.

Assim e de uma forma mais prática desta exposição, resta-nos reflectir sobre a seguinte questão: como se faz para fazer evoluir e manter um comportamento intrinsecamente motivado em praticantes de ginásio?

  • Promover a satisfação das necessidades psicológicas.

Para promover a necessidade de autonomia, deve-se permitir que os praticantes participem na tomada de decisão sobre as actividades do seu programa de exercício, ou seja, é necessário conhecer as necessidades próprias de cada praticante e proporcionar-lhes um maior controlo sobre as suas acções.

Por exemplo: No início, na chamada fase de adaptação do indivíduo ao ginásio, deve-se proporcionar o maior número de actividades para que este conheça, e dê a conhecer os exercícios favoritos, para que na altura de se prescrever o exercício, se faça a inclusão destes no programa. Seja como for, isto não quer dizer que não seja importante e se deva manter os processos funcionais do exercício, necessários para que o indivíduo atinja os objectivos a que se propôs.

Em termos práticos, podemos dar como exemplo o seguinte: no ginásio existem duas bicicletas, uma reclinada e outra vertical, mesmo tendo solicitações fisiológicas diferentes, a inclusão no programa de exercício da opção que mais agrada ao praticante, contribui de forma bastante positiva para a forma como este realiza o comportamento.

Para a promoção da necessidade de competência, deve-se orientar as pessoas para uma busca de desafios de acordo com as suas capacidades, apelando sempre à melhoria das aprendizagens e superação pessoal.

Por exemplo: como instrutor, sei que determinada pessoa não possui capacidades coordenativas desenvolvidas o suficiente para que possa realizar uma actividade mais técnica (por exemplo: uma aula de step ao power jump, então porquê recomendar que faça este tipo de aulas, para proporcionar sentimentos de incompetência? Neste ponto parece que entro em contradição com o exemplo dado para o caso da autonomia, pois disse que se devia de experimentar tudo. Mas não é disso que se trata, pois se quem acompanhar o praticante, o prepara para o que possa acontecer. Coloquemos uma situação hipotética relacionada com o facto de um praticante (a Maria ou o Manuel) vai ter dificuldades na minha aula de step porque tem dificuldades coordenativas, então tenho que a preparar para o que possa acontecer:

“A Maria sabe como é uma aula de step? Numa fase inicial pode parecer confusa esta mudança de movimentos entre o solo e o step, mas se sentir alguma dificuldade é perfeitamente normal. É normal que veja os outros praticantes virados para um lado e você para outro, no entanto, se continuar a frequentar esta aula, irá verificar que se vai sentir mais à vontade e que conseguirá acompanhar a coreografia.”

Este tipo de diálogo prepara o indivíduo para o que possa acontecer, tomando logo à partida consciência do factor negativo, havendo logo à partida uma preparação pré-pratica que engloba uma situação menos positiva da prática. Não sendo intenção deste artigo, é fundamental como a maioria dos instrutores de fitness sabem, o acompanhamento durante a aula, sendo este bastante importante para a promoção e manutenção do sentimento de competência:

“Boa Maria! O movimento mais difícil já está, agora melhora a posição dos braços para ficar excelente….isso mesmo, muito bem!”

Este reforço promove a promoção do sentimento de competência e além disso, deixa o praticante sem o receio de ser incompetente na execução técnica.

Relativamente à necessidade de relação, é importante que os indivíduos em contexto de exercício físico possam estabelecer relacionamento (s) com os que se identificam mais, com um sentimento de vínculo com os outros, deve-se manter a relação de bem-estar, segurança e a unidade com os membros de uma comunidade.

Por exemplo: apresentar o indivíduo aos outros praticantes é fundamental para que isto possa acontecer. Por exemplo: os instrutores que encaminham uma pessoa pela primeira vez a uma passadeira, e ao lado está alguém que já conhecemos, porque não fazer a apresentação? “Dona Ana, hoje vamos começar aqui na passadeira….” e quando chegamos junto à passadeira, podemos fazer referência à pessoa que está  ao lado “….hoje fica aqui junto do Srº João, sabe ele é perto da sua terra…” esta pequena ligação possibilita quebrar logo ali uma barreira, mas existe um senão: há que perceber se neste caso o Srº João se interessa ou está disposto para este tipo de diálogo.

Durante as aulas de grupo, porque não promover a interacção entre os alunos? Existem modalidades pré-coreografadas que já contemplam este tipo de comportamentos, mas pode-se criar determinados movimentos em aulas que podem ser realizados com interacção com diversos elementos, promovendo um sentimento de relação e integração com outros praticantes no ginásio.

No entanto, e na continuação da promoção de uma motivação autónoma (mais autodeterminada) associa-se 2 tipos fundamentais de regulação do comportamento:

1)      Motivação Identificada: através da qual o sujeito aceita o comportamento como pessoalmente importante, identificando-se com o seu objectivo e valor;

2)      Motivação Intrínseca: através da qual o sujeito realiza o comportamento apenas pelo prazer, divertimento e satisfação que lhe está inerente.

Estratégia 1: Explicar as Razões/Propósitos das Actividades/Exercícios

Objectivo: Atribuir um sentido à actividade/exercício e potenciar uma percepção clara e correcta daquilo que se está a fazer e o porquê de se fazer, permitindo que os praticantes possam atribuir importância e valorizarem a actividade/exercício.

Por exemplo: (através da forma e conteúdo da comunicação/acção para com os praticantes): O que se deve fazer/dizer: “Este exercício vai permitir desenvolver os músculos que estão na base de sustentação da postura”; “Ao realizar a actividade a um ritmo menos intenso irá proporcionar uma diminuição do impacto sobre as articulações”; “Se aumentar o volume da carga para níveis inabituais aumentará o risco de lesão e o surgimento de contracturas (dores) musculares”. O que NÃO se deve fazer/dizer (apenas): “Olá a todos! Vamos começar a aula?”; “Ao fazer abdominais não ponha as mãos atrás da cabeça”; “Não incline o tronco à frente no agachamento!”; “Agora vamos subir e pedalar em pé durante 10 minutos!”.

Estratégia2: Identificar Aquilo que os Praticantes Gostam de Fazer

Objectivo: Potenciar a prática de actividades/exercícios que sejam agradáveis ao praticante, aumentando o prazer pela sua realização.

Por exemplo: (através da forma e conteúdo da comunicação/acção para com os praticantes): O que se deve fazer/dizer (ou perguntar): “Diga-me lá uma coisa: de tudo aquilo que já experimentou o que é que gosta mais de fazer?”; “De todos os exercícios do seu programa, quais são aqueles que lhe custam mais fazer (aqueles que gosta menos)?”; “Hoje não lhe apetece fazer este exercício/aula ? Então arranjamos uma alternativa!”; “Quer mudar o seu programa de exercício?”. O que NÃO se deve fazer/dizer: “Tem de ser! Não pode fazer só aquilo que gosta!”; “Se não doer, não faz efeito!”; “Não existe outra forma, só conseguirá atingir os seus objectivos se fizer o que está no programa”.

Em suma, devemos:

  • Promover a Identificação com o Exercício (a valorização do exercício como pessoalmente importante para o praticante, reforça o compromisso com a actividade praticada);
  • Proporcionar o Divertimento (o ser humano repete o que é agradável e rejeita o que não é – o exercício tem de ser divertido para quem o faz).

Este tipo de comportamentos por parte dos instrutores e professores em contexto de ginásio, permite a satisfação das necessidades psicológicas básicas, logo a promoção de um comportamento mais autodeterminado, sendo fundamental para a manutenção dos praticantes de exercício físico, evitando por vezes a regressão de um comportamento com satisfatória autonomia para indicadores menos autodeterminados.

Assim, afirmamos que o ambiente que é desenvolvido no ginásio, é determinante para retenção dos praticantes, sendo este fundamental para o crescimento e integração do comportamento cada vez mais autónomo e autodeterminado, para tal, à que saber desenvolver situações capazes de promover no maior número de praticantes a desejada manutenção.

Nuno Couto

nunorpcouto@gmail.com

Mestre Psicologia Deporto Exercício pela ESDRM. Instrutor Power Jump / Cardiofitness. Treinador Futsal. Professor Actividade Física Escolar – Extra Curricular

Luís Cid

luis.filipe.cid@sapo.pt

Professor Adjunto no Instituto Politécnico de Santarém