Se bateres contra uma parede, faz um buraco!
Capitão Haddock no filme As Aventuras de Tintin: O segredo do Licorne
Nos dias 27 e 28 de Outubro, realiza-se o 2º CONGRESO GALEGO-PORTUGUES DE PSICOLOXÍA DA ACTIVIDADE FÍSICA E DO DEPORTE, no Palacio de Congresos em Pontevedra, onde faremos um workshop na sexta-feira dia 28, sobre ferramentas para aumentar o rendimento dos profissionais de fitness e dos seus alunos.
Abordaremos técnicas comportamentais, ferramentas de programação neurolinguística, coaching e faremos uma reflexão das nossas experiências dos últimos 20 anos de supervisão de salas de musculação, de consultoria, formação e personal training, com enfase nos aspectos comportamentais de de comunicação.
O exercício físico não serve para perder peso. O exercício físico realizado de acordo com os princípios de treino, tem um tremendo impacto sobre a vida de uma pessoa: muda o seu eu, as suas relações interpessoais e a forma como vê o mundo. Venho testemunhando isto há mais de 20 anos. A resistência que algumas pessoas têm para levarem a cabo um simples programa de treino de 2 a 3 vezes 30 minutos por semana, deve-se ao medo de saírem da sua zona de conforto. Muitas delas sabem que nunca mais serão as mesmas a partir do momento que forem em busca de melhorar a sua performance física
Utilizar uma balança para medir saúde é como usar um par de óculos para contar micróbios…
Comemos demasiado, comemos muito, comemos em excesso para aquilo que o nosso corpo necessita, quer para simplesmente se manter vivo, quer para fazer face às necessidades energéticas do dia-a-dia. Como tal, acumulamos gordura a mais que, no fundo, é apenas o depósito do combustível que não gastamos. Logo, aqueles de nós que mais gordura acumulada têm, são os que ingerem mais combustível e menos gastam.
São inúmeras as pessoas que querem perder peso. Falam de peso porque utilizam a balança. Não falam de gordura, não falam dos excessos, mas sim de peso. inclusive algumas dessas pessoas, apenas se centram no número mágico que gostariam de ver na balança. Ou seja, se colocássemos uns dígitos falsos, elas já ficariam satisfeitas. Não procuram sensações nem performance melhorada ou postura correcta. Estão centradas em ideias pré-concebidas, influenciadas por revistas, por conversas com profissionais de saúde que apenas baseiam as suas recomendações no IMC – Índice de Massa Corporal (relação peso/estatura) para classificarem qualquer pessoa como obesa. É uma obsessão social do momento!
Como consequência, essas pessoas querem ver -3 ou -4kg nos dígitos da balança para ficarem tranquilas e como que, autorizadas a ingerir mais combustível. Ou seja, a partir do momento que se avaliam como tendo o peso ideal, mesmo estando gordas, ficam satisfeitas. Não importa se estão flácidas, não importam os níveis de colesterol ou pressão arterial elevada. O que interessa é o peso.
Balança (-3) – O Método Clássico
Partem assim para aquilo que chamo o método clássico: deixar de comer tanto e eventualmente na opção B, associar uma forma light de actividade física esporádica com medo de aumentar o peso com massa muscular. Raramente obtêm grandes resultados e o mais certo é iniciarem processos de aumento e perda frequentes ao longo de meses, ao longo de anos, chegando a pontos em que o seu metabolismo fica tão lento, que bastam algumas centenas de calorias para excederem as suas necessidades energéticas. Ou seja, engordam cada vez com mais facilidade, dando origem ao chamado fenómeno ió-ió.
Elevações na barra (+3)
Ao longo dos últimos anos, tenho vindo a estimular muita gente a efectuar elevações na barra, motivado pelo progresso de algumas alunas e alunos. Verifiquei que é um movimento extraordinário para melhorar ao nível funcional e estético. Já viram algum gordo(a) a efectuar elevações numa barra? Eu continuo à procura desde 1985 e ainda não encontrei. Acho que dificilmente encontrarei. Mas poderá haver um raridade algures por aí.
Sempre que tiverem como objectivo uma perda de peso corporal. Por exemplo, se o objectivo é perder 3kg de gordura, esqueçam a balança durante uns tempos e treinem a sério para serem capazes de efectuar 3 elevações na barra.
Porque gosto das elevações, resolvi efectuar uma comparação destas duas abordagens face à insatisfação com o corpo. (quer interpretem como ironia, humor ou algo sério, experimentem primeiro):
Estático vs dinâmico
A balança é um objecto sem vida, em cima dela somos tratados como um objecto inanimado, estamos parados e muitas das vezes petrificados, emitindo pensamentos maioritariamente negativos. As elevações pressupõem movimento, acção, estímulo e menos tempo para reflectir sobre o que estamos a fazer naquele momento.
Olha para baixo vs olhar para cima
A balança faz-nos olhar para baixo, inclinar a cabeça para o chão. As elevações obrigam-nos a olhar para cima.
Perder vs ganhar
Quando olhamos para a balança associamos maioritariamente a palavra perder, nas elevações temos de atingir algo superior, temos de ganhar a capacidade de…
Regressão vs progressão
Mais uma vez, entre regredir e progredir, sentimo-nos melhor no sentido positivo.
Efémero vs duradouro
O processo clássico de perda de peso associado à balança, leva-nos a acções urgentes e resultados temporários, a dietas, a fenómenos ió-ió. Nas elevações, o processo que nos leva até la, faz com que os ganhos, a aprendizagem conseguida seja duradoura.
Esvazia vs preenche
Passar fome implica estômago vazio durante muito tempo. Perder, implicar que nos seja retirado algo. O progresso de nos exercitarmos para sermos capazes de elevar o nosso corpo suspenso numa barra, aumenta a nossa auto-estima.
Efectuar treinos no sentido de conseguir fazer elevações, tem impacto positivo na capacidade de produção: aumenta os níveis de energia, aumenta a capacidade de trabalho físico.
Com as elevações somos estimulados a aprender um processo, a seguir um caminho ao nível do sono, exercício e alimentação que nos permita vir a efectuar o movimento com sucesso.
Obeso consegue vs obeso não consegue
Qualquer obeso é capaz de perder uns quilitos, mas o difícil é mantê-los. Os processos que nos levam a alcançar a perda de peso não os mantêm. Mas quando utilizamos processos de melhoria de performance como treinar para fazer elevações, conseguimos estabilizar e melhorar a composição corporal.
Uma flácida consegue vs uma flácida não consegue
Uma mulher flácida que se esconde por trás das roupas é capaz de perder mais uns quilos com prejuízo da sua massa muscular e todos os seus efeitos negativos. Mas, como não tem músculos capazes de puxarem pelo seu corpo, não consegue fazer elevações sem treinar.
Fácil de conseguir vs difícil de conseguir
Perder peso é relativamente fácil de conseguir. Mesmo um obeso, um sedentário pode conseguir perder 3kg com facilidade. Mas, para ser capaz de realizar 1 elevação na barra, tem de ultrapassar diversas progressões de exercícios.
Quando somos capazes de fazer elevações, passamos a espelhar outro brilho, postura, nota-se em nós e nas nossas acções, na roupa, nos níveis de energia. Enquanto que, perdendo 3kg, muitas das vezes ninguém dá conta do fenómeno.
Difícil manter a perda de peso vs fácil de manter a performance e todos os benefícios associados
Para manter uma perda de peso conseguida pelo método tradicional de dietas, fome e tratamentos milagrosos, é bastante mais difícil do que manter uma melhoria de performance e todos os benefícios associados.
Cultura de perdedor vs cultura de vencedor
A cultura da balança, a cultura da dieta é uma cultura de vencido, de perdedor. A cultura desportiva, é uma cultura de desafio, de superação, de busca de soluções que fomentam resultados no tempo.
Perder gordura em vez de peso, consegue-se sempre melhorando a performance. Treinos regulares, curtos e intensos respeitando os princípios de treino, são sucesso garantido.
Se utilizarmos o habitual objectivo da balança e o ligarmos a uma estratégia comum de fazer dieta, tomar chás e fazer exercício light, iremos reforçar aqueles pensamentos as ideias de: cortar, diminuir, perder, baixar, reduzir, evitar comer, arrependimento, evitar, ingerir suplementos milagrosos, utilizar mais vezes as palavras. As más sensações, a perspectiva negativa vai imperar, tendo como resultado: défice, buraco, lacuna, espaço para preencher por algo. E quando temos espaços e desequilíbrios, algo irá ocorrer para o nosso sistema se equilibrar. O impacto que isso tem nas relações interpessoais, nos níveis de energia, no rendimento profissional e na performance física são tremendamente negativos.
Por outro lado, tendo o objectivo de fazer elevações e treinar para melhorar a performance, teremos de ter em mente: fazer mais, treinar, fazer exercício, melhorar, força, procurar soluções, métodos de treino, ter uma perspectiva elevada, ter a mente ocupada com acções positivas. Quando o conseguirem voltem a utilizar a balança se ainda o desejarem. Verifiquem o quanto o vosso corpo se alterou.
Quando nos centramos no peso, agimos de forma negativa, retirando comida, realizando treinos pouco intensos e de longa duração. Resultado: perda de massa muscular, desequilíbrios, efeito ió-ió, altos e baixos, mas raramente temos efeitos duradouros.
Está na hora de agir. Em vez de olhar para os ponteiros ou para os dígitos da balança, está na hora de começar a fazer exercício com um objectivo em mente: elevar o corpo numa barra. Isso trará consigo um conjunto de actos positivos, uma melhoria, movimento adicional. É difícil, mas os frutos serão surpreendentes e duradouros. Experimentem! Sejam inteligentes!
Links úteis:
Elevações na barra. Atreve-te!
Desafios para mulheres: és capaz?
Vídeos úteis:
Peguei neste livro com grande cepticismo, pois o título I Can Make You Thin: The Revolutionary System Used by More Than 3 Million People (Book and CD)
e o destaque nas livrarias, fazia crer que seria algo ao estilo “banha da cobra”. Mas ao ler alguns extractos, fui verificando que as ferramentas de programação neurolinguística e de coaching que utilizava, poderiam ser algo muito poderoso para provocar resultados. Melhor ainda, foram as ideias que gostaria de destacar e recomendo que apliquem no vosso dia-a-dia.
As regras de ouro deste sistema de Paul McKenna, são as seguintes:
De facto, se não comermos quando estamos com fome, iremos criar um vazio que será preenchido mais tarde com uma refeição enorme, ou irá originar comportamentos que reconhecemos na fase inicial de quem deixa de fumar: irritabilidade, agitação, stress, etc.
O mesmo irá ocorrer quando não comemos aquilo que gostamos verdadeiramente. Isto não significa comer chocolates todos os dias ou grandes quantidades de batatas fritas. Temos de lidar com os pensamentos e a repentina vontade de comer um tipo de comida e identificar se ingerimos esses alimentos apenas por serem emocionalmente reconfortantes sem sequer os saborearmos.
Os nossos sentidos são fundamentais na hora de comer. “Comemos com os olhos”, somos estimulados pelos aromas das comidas, aquilo que nos dizem ou escutamos durante a refeição influencia o acto de comer (desliguem a TV), a textura de alguns alimentos faz registos mentais poderosos (exemplo: comer batatas fritas com os dedos) e o paladar termina o registo. Para apreciar verdadeiramente a comida, comer quantidades razoáveis e escolher melhor os alimentos, parece-me muito importante despertar a nossa acuidade sensorial para transformar por completo todos os nossos actos e particularmente o acto de ingerir alimentos.
Se aumentarmos a sensibilidade durante a refeição, vamos sentir-nos satisfeitos muito antes do habitual. Se adaptarmos o estômago a um menor grau de dilatação durante várias semanas, esse orgão passará a ser um “saco” mais pequeno e mais fácil de satisfazer.
A estratégia comportamental cognitiva, utiliza diversas ferramentas de programação neurolingúistica que funcionam noutras situações funcionarão também no desafio de quem necessita de emagrecer, se forem aplicadas consistentemente. É também uma questão de treino.
Quando lhe tentam dizer, seja quem for, onde, quando ou o que deve comer, estão a ensiná-lo a ignorar o seu corpo – e se tiver excesso de peso, é porque o seu corpo está a tentar dizer-lhe que não gosta de ser ignorado! Paul McKennna
Não somos apenas o que comemos. Mas também o que pensamos. Paul McKenna
Outro aspecto importante neste livro, é o facto de ter um capítulo dedicado à “alimentação emocional”, talvez um dos maiores problemas da sociedade. Pela experiência que tive recentemente ao trabalhar com pessoas obesas e gente que fez cirurgias para perder peso, verifiquei que a grande maioria tinham desequilíbrios nas suas vidas, que preenchiam com comida e continuam a fazê-lo. Ou seja, mais do que o desequilíbrio entre aquilo que ingerem e o que gastam, é a forma como comem e porque comem. Se o problema é emocional, não há alimento que colmate o problema. A comida apenas serve de analgésico.
Neste sentido o autor, deixa-nos duas ideias:
1. A fome emocional é súbita e urgente; a fome física é gradual e paciente.
2. A fome emocional não se satisfaz com comida: a fome física sim.
E deixa uma dica: controle a sua resposta ao stress, e deixará de precisar ou desejar comer.
O mais interessante deste livro, é a sua abordagem comportamental-cognitiva e o conjunto de ferramentas de acção. A maioria dos livros dedicados a perder peso ou emagrecer, orientam-se muito sobre o diagnóstico e pouco sobre a acção. Outros dedicam-se muito à acção mas demasiado sobre o conteúdo e pouco sobre a estrutura do problema. Ou seja, tratam de alimentos, quantidades e horários de sua ingestão, ignorando o pensamento, as motivações e todos os comportamentos que nos levam a comer demasiado para aquilo que gastamos.
Fica uma mensagem poderosa e realista deste livro:
Se continuar a fazer dieta, vai ganhar peso e mantê-lo a vida inteira. Paul McKenna