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Archive for the ‘Outros’ Category

100.000 visitas! Obrigado!

Março 5, 2010 Paulo Sena 2 comentários

Caros leitores,

Em Março de 2006 transferi o meu site para o wordpress e desde então, foram escritos 130 artigos que obtiveram mais de 200 comentários. Tem sido uma experiência bastante enriquecedora devido à interacção com os leitores, à possibilidade de ajudar várias pessoas com algumas indicações sobre estilo de vida, relembrando alguns princípios para que mudem as suas vidas para melhor. O tempo não é infinito e tenho procurado ser regular na publicação e na resposta aos comentários de todos vocês. Este ano tem sido muito bom. Em 10 de Fevereiro bateu-se o recorde de visitas e alguns dos artigos publicados, já estão no top 10 do site. Atingimos agora 100 mil visitas que me dão ânimo a continuar este desafio voluntário e de grande paixão.

Obrigado a todos!

Bons treinos!

Paulo Sena

Treinos honestos para pessoas reais!

A educação física vista da minha janela. Versão 1.0

A minha janela é um local condicionado por imensas aulas de educação física leccionadas desde 1995 a mais de mil alunos, em mais de dez escolas diferentes, desde o ensino pré-escolar até ao ensino superior, em meios urbanos e rurais, exercendo paralelamente à função de professor, outras oito funções escolares, que pouco têm a ver com o acto de educar fisicamente os alunos.

O que é?

A educação física (EDF) é a educação através do movimento, uma ajuda na preparação para a vida através de movimentos organizados e orientados. Está inserida no Departamento de Expressões dentro das escolas Nacionais. Esse departamento é habitualmente uma área de menor importância pois as escolas estão ainda voltadas  para um saber livresco, centrado no professor, fundamentalmente com o intuito de formar indivíduos a fim de serem professores universitários ou ilustres académicos.

A EDF está dentro do Departamento de Expressões, uma área em muitas escolas negligenciada em vez de estimulada, apesar de muitos de nós sabermos que faz a diferença no mercado de trabalho, que distingue determinados valores e talentos. Talvez uma visita ao site TED para escutar algumas palestras sobre a forma como aprendemos, possa mudar a visão afunilada da educação escolar.

Embora a EDF tenha um forte componente de recreação física, a sua base é a educação. Na sua origem como disciplina, a EDF colocou regras nas práticas de rua. Mas a disciplina hoje tem muitos concorrentes ao nível dos media e do lazer. Estamos perante uma sociedade com muita oferta de actividades, situação que provoca frustração por parte dos jovens na escolha de apenas uma actividade ou duas actividades, dentro dos seus horários demasiado preenchidos. Para ter o efeito recreativo, a EDF teria de ser personalizada a cada caso, pois cada indivíduo tem as suas preferencias e o que diverte, descontrai uns, coloca stress sobre outros alunos. Leiam uma abordagem sobre a Recreação vs. Exercício físico.

Objectivos

Ao longo dos anos a educação física foi sofrendo alterações nos seus conteúdos. As culturas dos povos influenciaram o modelo de educação física em cada civilização, em cada país. Os Programas Nacionais de Educação Física, apresentam para o 3ºciclo, os seguintes objectivos gerais, na perspectiva da melhoria da qualidade de vida, da saúde e do bem-estar:

  • Melhorar a aptidão física elevando as capacidades físicas de modo harmonioso e adequado às necessidades de desenvolvimento do aluno.
  • Promover a aprendizagem dos conhecimentos relativos aos processos de elevação e manutenção das capacidades físicas.
  • Assegurar a aprendizagem de um conjunto de matérias representativas das diferentes actividades físicas, promovendo o desenvolvimento multilateral e harmonioso do aluno, através da prática de:
    • As actividades físicas desportivas nas suas dimensões técnica, táctica, regulamentar e organizativa.
    • As actividades físicas expressivas (danças), nas suas dimensões técnica, de composição e interpretação.
    • As actividades físicas de exploração da Natureza, nas suas dimensões técnica, organizativa e ecológica.
    • Jogos tradicionais e populares.
  • Promover o gosto pela prática regular das actividades físicas e aprofundar a compreensão da sua importância como factores de saúde e componente da cultura, na dimensão individual e social.
  • Promover a formação de hábitos, atitudes e conhecimentos relativos à interpretação e participação nas estruturas sociais no seio das quais se desenvolvem as actividades físicas, valorizando:
    • A iniciativa e a responsabilidade pessoal, a cooperação e a solidariedade;
    • A ética desportiva;
    • A higiene e a segurança pessoal e colectiva;
    • A consciência cívica na preservação das condições de realização das actividades físicas, em especial a qualidade do ambiente.

No Ensino Secundário, pede-se aos alunos os seguintes objectivos nas áreas obrigatórias:

  • Cooperar com os companheiros para o alcance do objectivo dos Jogos Desportivos Colectivos, realizando com oportunidade e correcção as acções técnico-tácticas, em todas as funções, conforme a posição em cada fase do jogo, aplicando as regras, não só como jogador mas também como árbitro.
  • Compor, realizar e analisar esquemas individuais e em grupo da Ginástica (Acrobática, Solo, Aparelhos ou Rítmica), aplicando os critérios de correcção técnica, expressão e combinação das destrezas, e apreciando os esquemas de acordo com esses critérios.
  • Realizar e analisar provas combinadas do Atletismo (saltos, lançamentos, corridas e marcha) em equipa, cumprindo correctamente as exigências técnicas e do regulamento, não só como praticante mas também como juiz.
  • Apreciar, compor e realizar sequências de elementos técnicos da Dança em coreografias individuais e de grupo, correspondendo aos critérios de expressividade, de acordo com os motivos das composições.

Os objectivos das áreas de opção, são os seguintes:

  • Realizar com oportunidade e correcção as acções técnico-tácticas de Jogos de Raquetas, garantindo a iniciativa e ofensividade em participações individuais e a pares, aplicando as regras não só como jogador mas também como árbitro.
  • Realizar com oportunidade e correcção as acções do domínio de oposição em Jogo formal de Luta ou Judo, utilizando as técnicas de projecção e controlo, com oportunidade e segurança (própria e do opositor) e aplicando as regras, quer como executante quer como árbitro.
  • Utilizar adequadamente os patins, em combinações de deslocamentos e paragens, com equilíbrio e segurança, em composições rítmicas individuais e a pares (Patinagem Artística), cooperando com os companheiros nas acções técnico-tácticas em jogo de Hóquei em Patins, ou em situação de Corrida de Patins.
  • Praticar jogos tradicionais populares de acordo com os padrões culturais característicos.
  • Realizar actividades de exploração da Natureza, aplicando correcta e adequadamente as técnicas específicas, respeitando as regras de organização, participação e especialmente de preservação da qualidade do ambiente.
  • Deslocar-se com segurança no meio aquático, coordenando a respiração com as acções propulsivas específicas das técnicas seleccionadas.

Nem vou discutir estes objectivos mais específicos, porque como sabemos os profissionais desta área, quando nos centramos nos aspectos técnicos das modalidades, necessitamos de tempo de prática para que os alunos repitam de forma consciente e orientada os gestos desportivos, a fim de se tornarem minimamente bem sucedidos (ex: realizar 5 acções correctas em 10 tentativas).

As modalidades que fazem parte dos conteúdos leccionados, são as tradicionais, aquelas mais praticadas e que, as federações respectivas conseguiram incluir nestes programas. Os alunos vão reclamando dos conteúdos e nós vamos verificando o grau de insucesso no desempenho das tarefas, pois o número de repetições é reduzido para que alguma vez sintam algum grau de sucesso nos lançamentos ou nos passes. E como tal, os alunos, devido ao reduzido tempo de exercitação numa tarefa, rapidamente abandonam a técnica e as instrucções transmitidas pelo professor, porque nenhuma técnica aplicada quatro ou cinco vezes permitirá a alguém ser proficiente naquilo que faz. Eu também faria o mesmo na crença de que estavam errados por não conseguirem o seu objectivo.

Como professores, fazemos o nosso melhor para que, alunos cujo único tempo de actividade física é aquele disponibilizado na escola, sejam capazes de passar pela experiência da prática desportiva (ou seja, acabam por realizar a dita recreação física em alguns casos). Sim, porque a grande maioria dos alunos não é fisicamente activo e não compensa os condicionalismos de tempo, espaço, material e climático que a escola lhes coloca, com actividades em casa ou em clubes. Tentamos cumprir as preocupações operacionais nas situações de aprendizagem e de treino:

  1. As actividades devem ser inclusivas.
  2. Proporcionar muito tempo de prática.
  3. Proporcionar desafios com objectivos alcançáveis, mas não demasiado fáceis.
  4. Proporcionar uma carga física “moderada a intensa”.
  5. Proporcionar actividades agradáveis.
  6. Proporcionar actividades variadas em termos motores e de tipo de esforço.
  7. Proporcionar um ambiente que promova cooperação e entreajuda, respeito pelos outros, sentido de responsabilidade, a segurança e o espírito de iniciativa.

Disciplina diferente

A disciplina de EDF não é melhor nem pior do que as outras disciplinas. A partir do momento que está incluida no curriculo, adquire o mesmo estatuto, embora eu coloque sérias dúvidas se deveria ter o mesmo peso nas médias dos alunos do Ensino Secundário quando a formação de base não é a actividade física. Embora a disciplina contribua indirectamente para o melhor rendimento cognitivo dos alunos, para a sua qualidade de vida e equilíbrio que permite obter melhores resultados escolares.

A EDF é uma actividade prática, onde os alunos não estão sentados, não decoram para fazer testes. Aqui, aprende-se fazendo. O professor necessita dar mais enfase às suas características de líder do que às suas características de gestor, pois lideram-se pessoas, gerem-se coisas. A missão controladora na EDF é importante, mas os condicionalismos e as ocorrências durante as actividades são tantas, que não há planificação que valha. O rumo tem de ser constantemente alterado em termos de organização das actividades, as tarefas de motivação dos alunos, de dinâmica de grupos, de feedbacks específicos, são muito mais relevantes do que uma meticulosa preparação antecipada dos conteúdos exactos da aula, dos tempos de exercitação e de repouso, etc. Um dia de mau tempo, um aluno irritado, uma má relação entre dois colegas de um grupo, podem fácilmente destruir o melhor plano de aula. Antes da aula, o pensamento deverá ser estratégico em vez de mecânico e transmissor de conhecimentos. É necessário pensar nos melhores exercicios, na melhor combinação de alunos dos grupos, nas actividades alternativas para o caso de alguns exercícios não resultarem, como dinamizar melhor o grupo passivo e desactivar os indivíduos mais rebeldes, como conversar com os líderes da turma, quais as melhores músicas para a dissociação cognitiva nas tarefas mais difíceis de condição física e repetitivas necessárias para a consolidação de gestos técnicos. Durante a aula, as decisões têm de ser rápidas e eficazes em vez de eficientes. A experimentação tem de ser constante.

Por exigencias do ambiente que se instalou no Ensino Secundário, muitos dos professores de educação física, estão a recorrer a testes escritos para avaliarem o domínio cognitivo da disciplina. Creio até que nos tornamos demasiado teóricos como defesa para a acusação que nos fizeram durante anos (gente sem grandes conhecimentos… tipos do fato de treino… montes de músculos…). Obviamente é uma avaliação puramente teórica e não aplicada na prática. Costumo optar por trabalhos realizados em ambiente de tecnologias da informação e comunicação no âmbito do Plano Tecnológico da Educação, para integrar os alunos através da criação de grupos de trabalho diversificados, para ocupação aletrnativa nos dias em que o clima não permite realização de aula, para melhorar a capacidade de pesquisa, selecção e utilização da informação mediante condicionalismos de tempo e conteúdos. É apenas uma opção com vantagens e desvantagens, mas extremamente enriquecedora e futurista.

A disciplina de EDF tem o problema do movimento, os alunos não têm cadeiras para se sentarem ou carteiras para lhes limitar os movimentos. O ênfase da disciplina é sobretudo de natureza biológica, embora as exigências cognitivas sejam enormes e os alunos com reconhecido mérito a esse nível tenham dificuldades em decidir o que fazer perante problemas simples de jogo 2×1, ou para dividir um campo em 4 partes iguais, ou para realizar uma classificação individual ou mesmo para organizar no papel uma pequena liga desportiva dentro da turma. Claro que os processos biológicos não podem ser acelerados e as repetições de estímulos de exercício não podem ter a mesma duração das repetições e duração de estímulos cognitivos com vista à memorização. Ao nível do treino, 2 a 3 sessões intensas por semana poderão ser uma boa dose para a maioria dos indivíduos, enquanto que o estudo de uma matéria teórica poderá ter muitas mais repetições de maior duração. Na primeira situação, se eu falhar um estímulo (treino), não será aconselhável (pois o corpo irá ser destruido durante o processo de recuperação e não serão obtidos melhores resultados) efectuar dois treinos consecutivos. Na segunda situação, se eu faltar a uma aula teórica, posso dedicar mais algum tempo ao estudo e recuperar de certa forma o tempo perdido. Assim, não me cansarei nunca de referir a importância da regularidade nas aulas de educação física.

Condicionalismos

As características da EDF, fazem com que os professores da disciplina entrem com alguma naturalidade na formação cívica, no estudo acompanhado ou na área de projecto, que façam substituições aos colegas de outras disciplinas, mas os outros profissionais recusam-se na generalidade a efectuar substituições nas aulas de EDF, mesmo recorrendo a um plano de aula bastante simples. Seja pelo incómodo meteorológico ou pelo conforto, eu tenho a certeza que tem muito a ver com a tal relação entre liderança e gestão. O sucesso de uma aula de EDF reside menos no planeamento meticuloso e muito mais na dinâmica e acções durante a aula.

As limitações da disciplina de EDF manifestam-se:

  • aptidão física dos alunos
  • cultura desportiva dos alunos
  • dimensão das turmas
  • condições materiais
  • instalações
  • meteorologia
  • sono e alimentação dos alunos
  • género e características comportamentais dos alunos

Benefícios

Os benefícios da actividade física (a qual, quando passa a regular, tratamos por exercício físico por respeitar os princípios do treino), têm essencialmente a ver com a melhoria da qualidade de vida de um indivíduo, o aumento do seu potencial físico e psicológico, da sua produtividade, que depois se traduzem não no prolongar da juventude ou da vida, mas acima de tudo no melhor aproveitamento dos dias de vida.

Os benefícios mais evidentes são ao nível da funcionalidade física, melhoria da força, resistencia e flexibilidade, melhoria da eficiência cardiopulmonar, melhoria da composição corporal (diminuição da percentagem de gordura), redução de riscos de traumatismos musculares e esquléticos pelas melhorias funcionais do corpo, que se torna capaz de melhor se adaptar e resistir aos desafios ambientais.

A melhoria da postura e as alterações estéticas que advêm das alterações funcionais e melhoria da performance, são também, um benefício muito procurado por todos os que mantêm um programa de exercício físico.

Ao nível psicológico, a EDF pode contribuir para melhorar o humor, redução do stress e da capacidade de lidar com o stress, melhoria da auto-estima, orgulho por alcançar objectivos físicos, melhoria da satisfação consigo próprio, melhoria da auto-imagem, aumento das sensações de energia, aumento da confiança nas capacidades físicas e um decréscimo dos sintomas associados com a depressão, são apenas alguns dos benefícios que o exercício físico poderá proporcionar ao nível mental.

No que diz respeito às relações interpessoais, a disciplina de EDF tem os conteúdos ideais para melhorar as relações entre os alunos, para criar grupos capazes de alcançar objectivos, coordenando os seus esforços de acordo com as limitações e desafios que se vão colocando nos jogos desportivos colectivos.  A interacção com diferentes tipos de pessoas, vai ensinando os alunos a lidar com aspectos que no futuro estarão patentes nos seus empregos, nos projectos de trabalho que certamente irão ter pela frente. De resto, é cada vez mais comum, utilizar a actividade física, os desafios físicos para trabalhar determinadas competências nas empresas. Expressões como outdoor training, ou coaching, são cada vez mais comuns associadas com a actividade física.

Para obter os beneficios temos de respeitar os principios do treino. Se não obrigarmos o nosso corpo a fazer algo ao qual não está habituado, ele não terá nenhuma razão para modificar as suas estruturas (ossos, músculos, tendões…) e os seus sistemas de alimentação (respiração, circulação, disgestão…). Mais uma repetição, ou realizar as mesmas repetições em menos tempo, são esforços que temos de fazer se queremos que o corpo seja mais forte, mais resistente e mais flexível para lhe darmos outra utilidade que não seja apenas estar sentado. Custa, é verdade. E a tolerancia ao esforço de cada um implica objectivos distintos para pessoas distintas, mas o princípio é o mesmo: exigir um pouquinho mais do que o habitual ao nosso corpo. Se houver apenas uma aula por semana e faltarmos uma vez por mês, os resultados não serão muito afectados, mas faltar uma vez a cada duas semanas começa a comprometer os resultados.

Avaliação

Avaliação em EDF, tem uma forte componente subjectiva, a qual vem nos últimosanos sendo apagada por exigências em ser o mais específico possível, chegando em alguns casos, a ter avaliações práticas em que o aluno dispoe de 10 tentativas num lançamento (se acerta 5 tem a nota média, se acerta 10 tem a nota máxima). Isto torna o ensino extremamente injusto para os alunos e prejudica imensa gente. No entanto a pressão tem chegado por parte dos defensores da minoria de alunos que apenas foram estimulados do ponto de vista cognitivo e que chegam à sua adolescência com imensos problemas motores. No calor das médias esquecemo-nos dos benefícios e do valor da disciplina de EDF. No meu entender, a melhor e mais justa forma de avaliação é contínua e exige que o professor coloque uma nota do aluno por cada aula realizada, deixando um período de testes práticos formais para retirar alguma dúvida existente. Assim, sem que os alunos saibam, vai-se definindo a sua avaliação de uma forma mais justa, não estando dependente de testes, realizados num dia bom ou mau, pois como sabemos a disciplina tem forte componente biológica e no caso dos desportos colectivos, também se reflecte a componente social (se o comanheiro é bom, facilita, se é mau, complica). Como professores, nunca agradaremos a todos e nem deveremos fazê-lo, sob pena de não agradar a ninguém. Habitualmente dividida em 3 domínios, saber-fazer, saber-estar e domínio cognitivo, a avaliação dos alunos está bastante dependente dos estímulos recebidos em anos anteriores e sobretudo da condição física que vão adquirindo e que condiciona a realização de todos os gestos técnicos. O aluno que não consegue fazer um certo número de flexões de braços, dificilmente poderá ou deverá ser colocado em tarefas para realizar a posição facial invertida. Um aluno que não corra regularmente nas aulas de forma contínua durante alguns minutos, não deverá realizar uma prova de corta-mato. Alguém sem força nos braços não pode servir no voleibol. A condição física é a base para a realização de muitas tarefas e protege-nos do risco de lesão. Outra questão importante é a da repetição. Recordo a modalidade de natação, extremamente técnica e onde a monotonia se pode instalar facilmente, mas onde a repetição dos movimentos é imperiosa para melhorar, para deslizar, para nadar. Ocorre o mesmo em todas as modalidades. Se ninguém souber realizar um passe por cima da cabeça a duas mãos no voleibol com algum acerto, dificilmente poderemos ter outro aluno a realizar um remate. Se já dominamos a bola de futebol, só depois podemos passar a exercícios com a bola e um companheiro para exercitar o passe que é a forma de comunicação interpessoal no futebol. Isso exije repetição, isso leva tempo, isso necessita de tempo de prática e pouco tempo de espera em filas. Na ansia de transmitirmos muitos conteúdos, ou melhor, para fazer os alunos passarem por muitas experiências, idealizamos muitos exercícios condicionados por apenas 2 tabelas ou 1 baliza e rapidamente confirmamos que as filas são demasiado grandes e apenas permitem uma repetição a cada 2 ou 3 minutos, indo contra princípios de treino e de aprendizagem técnica.

Na EDF temos de passar rapidamente da teoria à prática, do ideal ao real, utilizando imediatamente aquilo que foi aprendido. Se utilizarmos o que aprendemos no dia-a-dia, iremos compreender melhor a condição física e as actividades desportivas. Enquanto que, em muitas disciplinas, a maioria dos conteúdos só mais tarde veremos a sua aplicação, os princípios do treino, a condição física, a organização de pessoas no espaço e outros conteúdos da nossa disciplina, podem ser imediatamente utilizados. Um bom aluno na disciplina de educação física, chega sempre a horas, cumpre as indicações do professor, empenha-se nas actividades, colabora com os colegas, respeita os outros e procura melhorar a sua condição física e desempenho técnico. Quando assim é, progride e evolui. Vejam o que pode ser uma definição da  pessoa fisicamente educada.

Esta é apenas uma reflexão da educação através do movimento que ocorre na actual escola. Os objectivos, os seus conteúdos, as diferenças em relação a outras disciplinas, fazem com que a educação física esteja suijeita a uma série de condicionalismos que por uma lado a enriquecem bastante e por outro tornam complicada a tarefa de avaliar os alunos. Mas restam sempre os benefícios a médio prazo, mas sobretudo a criação de hábitos para um futuro estilo de vida mais equilibrado dos alunos.

A actividade física, pelas suas características, pelas suas ferramentas, tem uma importante contribuição a dar à formação dos alunos. Quer seja proporcionada nas escolas, nos clubes ou nos ginásios, apresenta benefícios educativos pela constante adaptação à mudança, pela tomada de decisão melhorada, pela resolução rápida de problemas. Melhora os relacionamentos entre as pessoas, ensinando os jovens a serem tolerantes, firmes, líderes de acordo com as situações. Ao nível da empregabilidade, é sabido que a inovação, criatividade, capacidade de liderança e capacidade de resposta sob pressão, são competencias bastante procuradas pelas empresas.

A educação física possui um elevado valor intrínseco independentemente da sua contribuição para uma média final de curso. E… É tão evidente neste mundo em constante mudança!

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Fevereiro 25, 2008 Paulo Sena 4 comentários

Desde 1998 que decidi entrar activamente no mundo da Internet. Elaborei a minha primeira página, aprendendo online. Depois criei um site com artigos e frames (que novidade!). Sem perceber nada do assunto, estudei CSS para melhorar a estética do meu último site pessoal. Mas, os tempos mudam, aparecem novas ferramentas mais práticas, que respondem aos nossos problemas. Agora, já não tenho de saber muito mais do que escrever um texto com uns anexos, como quem envia um e-mail. É assim o wordpress: uma ferramenta de publicação, cada vez mais versátil, que me poupa tempo e permitirá num futuro próximo que eu volte a ter uma palavra activa na Internet, mal termine o meu Doutoramento.

Sempre achei que tinha coisas diferentes para contar. Algumas vieram completamente fora de tempo, difíceis de aceitar para quem gosta do popular.

O filtro pelo qual vejo o mundo da actividade física e dos ginásios é muito próprio. Fruto dos meus contactos com gente mais ou menos experiente que me contavam: “- Foi assim que eu fiz, neste local, com esta gente e consegui estes resultados”. Resultado de experiências com gente real, de um mundo bombardeado por fantasias. Retirado das conclusões de uma reflexão que fui fazendo ao longo de 20 anos de frequência como utilizador de ginásios, professor, formador de outros professores… Enfim, um tempo rico que só quem viveu os primórdios dos ginásios em Portugal é que saberá valorizar.

Agradeço a todos aqueles que têm contribuido com as suas críticas, os seus incentivos, a sua participação nos meus eventos. Obrigado.

Irei continuar, cada vez mais forte no sentido de dar uma imagem diferente da musculação como actividade rica para quem sabe retirar dela todo o proveito. Um estímulo como poucos, para o corpo, mas não só. É para pessoas com o seu lado físico, psicológico, social que costumo escrever. É para pessoas comuns que eu tento indicar alguns princípios de treino honestos para um mundo real onde a funcionalidade é cada vez mais necessária para dar resposta às exigências de produtividade do ser humano do século XXI.

Obrigado a todos. Continuem a treinar contra resistencias adicionais (pesos) de acordo com as funções dos vossos músculos e articulações, procurando estimular o vosso corpo, fazendo algo ao qual ele não está habituado, para assim se tornar mais forte, mais resistente e mais flexível.

Espero continuar pelo menos mais 10 anos, de forma ainda mais activa para retribuir as visitas que tive até agora.

Tratem os pesos com carinho que o vosso corpo tratará de vos fazer gente muito forte!

Y tú, ¿qué sabes de Bogotá?

Quando me convidaram para apresentar comunicações em dois congressos em Bogotá – Colômbia, fiquei muito entusiasmado. Mas depois, vieram as informações sobre o País, a cidade, informações negativas: traficantes, insegurança, má relação com os estrangeiros, embaixadas de Países como E.U.A., Inglaterra e Austrália a não recomendarem a viajem… Muitas, muitas histórias e informações que me deixaram inseguro e com dúvidas.

Preparei as malas, preparei a minha mente para uma semana de trabalho e recolhimento em hotel. Mas, assim que lá cheguei, toda a paisagem se alterou. Foi precisamente com o belo cenário visto de avião que o lado positivo da coisa começou a aumentar: estufas agrícolas, muito verde, campos bonitos… o diálogo informal e a simpatia das pessoas cuja função é controlar e manter a segurança… a forma como me receberam os organizadores… as ruas largas, os bons espaços verdes… o diálogo com os primeiros Colombianos que conheci, logo me fizeram esquecer as outras informações e a confusão do trânsito também conhecido como o el trancon. Seguiu-se um apertado controlo na entrada do hotel com militares, polícias, segurança canina… E… um descontraído Presidente da República a chegar com a sua simpatia e a deixar-se fotografar com toda a gente. Jantei a melhor sopa que comi num hotel ou restaurante em toda a minha vida e adaptei-me facilmente à simpatia e controlo emocional dos elementos do dispositivo de segurança.

As pessoas, os Bogotanos, são extremamente simpáticos, dispostos a ajudar, sorridentes apesar das dificuldades. Qualquer loja, café, restaurante, organismo oficial, quer sejam seguranças ou empregados de mesa, facilmente se trava uma conversação informal com eles. A variedade de aspecto físico impressiona: louros, morenos, africanos… Não há um padrão como noutros Países.

A comida, para alguém muito esquisito como eu, é uma verdadeira surpresa. Poucos molhos daqueles que não deixam ver a comida ou saborear os outros ingredientes. Carne, peixe, a variedade é impressionante! E as frutas? Pela rua, ou em qualquer lugar, é só escolher e parece que há todo o ano. Isso é fabuloso para alguém que gosta de sumos como eu. Mandarina e amora ficaram os meus favoritos, mas eram tantos! Caminhando pela, rua, entrando num café ou num restaurante, só não comemos de forma saudável se não quisermos. A disponibilidade de alimentos nessas lojas é muito superior à de Portugal.

Falavam mal da água… Fartei-me de beber água da torneira e sabe muito bem. A altitude e as montanhas que rodeiam a cidade terão algo a ver com o facto.

Verdadeiro exemplo a nível mundial no que toca à actividade física para todos, Bogotá dá ênfase à base da pirâmide da actividade física e do desporto. Lá, a competição tem o seu lugar mas primeiro está a base. Ao contrário de medidas hipócritas de outros políticos internacionais, aqui há acção no terreno. Cortam-se ruas, alteram-se vias regularmente para que os 7 milhões de habitantes façam actividade física de forma organizada. A Ciclovía y Recreovía habilita-se Domingos e feriados utilizando várias das principais ruas da cidade e uma rede de 121 kms de vias destinadas a ciclistas. Cerca de 2000 pessoas colaboram directa ou indirectamente para que todo o sistema funcione. Podemos ver pela cidade às terças e quintas à noite, os pontos de recreovía onde um palco, um sistema sonoro e 6 pessoas dinamizam actividade física para a população do local

A cidade tem grandes espaços verdes e outros em construção que atenuam os efeitos do seu trânsito. Mas, uma das coisas que mais adorei foi o facto de poder entrar em centros comerciais, restaurantes, bares, cafés e outras lojas sem cheirar tabaco. É tão bom sentir o cheiro da comida, da bebida ou mesmo o perfume das pessoas em vez do cheiro do tabaco tão comum nos restaurantes da minha terra.

Enfim, esta descrição é só uma amostra daquilo que podemos ter em Bogotá. Eu só estive 9 dias, mas foram uma óptima experiência profissional, turística e cultural. Recomendo a visita! Enquanto isso não acontece, ficam as fotos.

O campeão

O campeão resulta da dialética estabelecida entre as potencialidades existentes no indivíduo – aliás, em si próprias, em constante evolução histórica – e as condições que o meio social fornece para satisfazer as suas necessidades. O campeão é o resultado de um esforço global que nada tem que ver com os “milagres” que muitos desejam ver subsistir ao esforço de um Povo para construir, com a força da mente e dos braços, o seu próprio futuro.

Carvalho, A. M. Em Sobral, F. (1985). Introdução à educação física. 5ª edição. Lisboa: Livros Horizonte.

Bandeiras!

Nós podemos, quando queremos e nos empenhamos!

Tem sido muito agradável ver a nossa bandeira Portuguesa por todo o lado. Transmite emoção, faz sentir que estamos todos cheios de força em torno do mesmo objectivo. É giro! Faz sentir que temos força, fé e dinâmica.

Tenho visto notícias de pessoas que fazem feitos extraordinários para demonstrar que apoiam a Selecção Nacional de futebol. Viajam de bicicleta milhares de quilómetros, fazem promessas, caminham grandes distâncias, poupam dinheiro durante anos, etc. O futebol tem impacto, mexe com o mundo, mexe comigo também. Devo dizer até que o futebol de onze foi o responsável por ter destruído os meus joelhos nos últimos 4 anos e por ter ajudado a acrescentar 4 kg de gordura por ter reduzido o volume de actividade física que anteriormente realizava. É importante mostrar os símbolos da nossa cultura, mas gostava tanto que estes fossem mostrados noutras circunstâncias e por outras causas. Não digo que o futebol profissional não seja importante, representa uma Nação, mas já têm tanto apoio, cada jogador receberá 250 mil euros em caso de vitória no mundial e outras quantias enormes por cada jogo vencido ou fase ultrapassada. Dispõem de todas as comodidades, a Federação usufrui dos nossos impostos e nem reclamamos por haver estádios municipais vazios comparticipados pelo nosso dinheiro.

Em contraste a tudo isto, recordo que no dia 10 de Junho de 2005 não vi bandeiras nas janelas, nesse dia em que os símbolos se deveriam mostrar numa explosão de orgulho nacionalista. Parece que o futebol puxa por nós em demasia. Gostava de ver tanta emoção e energia no trabalho, ver as pessoas orgulhosas daquilo que fazem no dia a dia, vê-las a dar o seu melhor com emoção e intensidade para serem os melhores naquilo que fazem, para serem os mais perfeitos naquilo que produzem, para tornarem os serviços e produtos portugueses os melhores do mundo. Porque, é de ser melhor que tudo isto se trata. Queremos ser campeões do mundo, queremos ser os melhores e parece-me que na intensidade e emoção do apoio demonstrado estamos ao nível dos melhores. Então porque não tentamos colocar a mesma emoção e intensidade no dia a dia? Na estrada a conduzir, no trabalho, na relação com os outros, na ajuda a quem de nós necessita, no orgulho de tudo aquilo que produzimos. Gostava imenso de ver transferida toda a dedicação, todos os sacrifícios e a mobilização do futebol para a vida de Portugal que é feito pelas acções de todos nós Portugueses que somos capazes do melhor quando queremos. É tudo uma questão de atitude! Não é problema dos materiais ou das instalações, não é problema do chefe ou do árbitro, somos nós que no nosso círculo de influências já provamos que podemos mudar muita coisa e ter muito impacto sobre aquilo que nos rodeia. Gosto tanto da bandeira!