No Natal esvaziam-se os ginásios e enchem-se os centros comerciais

São Pedro por El Greco

Em Portugal (e em outros países também), verificamos que, no Natal esvaziam-se os ginásios e enchem-se os hipermercados e centros comerciais de pessoas. Em Agosto, esvaziam-se os ginásios e enchem-se as praias e os hotéis de… Pessoas. Em Março e Abril (dependendo das temperaturas e do Sol), enchem-se os ginásios. Sabendo que não podemos influenciar o clima e não temos o telemóvel de São Pedro, como podemos influenciar as pessoas de forma a manterem um programa de exercício regular? Aqui fica o desafio.

Os centros comerciais e os hipermercados fazem promoções e decorações especiais durante dois meses para o Natal numa jogada de antecipação. Na Primavera, quando os ginásios se enchem de pessoas, os operadores turísticos promovem os seus hotéis e serviços com a máxima intensidade. E os ginásios? O que fazem os ginásios nesses períodos de tempo? Jogadas de antecipação não fazem. Marcam à zona? Marcam individualmente? Hummm!

E nós professores. Que podemos fazer? Sabendo que estes períodos são de elevado potencial de abandono, sabendo que a regularidade no exercício é fundamental, cabe-nos antecipar e investir em todo o tipo de acções de prevenção de abandono. São estes os momentos para dotar os nossos clientes de estratégias para fazer face aos desafios destas épocas:

  • Analisar situações passadas de abandono temporário do programa de exercício para verificar o que originou a situação e actuar sobre o problema.
  • Verificar o grau de valorização do exercício (salientar os benefícios obtidos pelo cliente; sobretudo os benefícios por ele relatados).
  • Verificar de que modo se podem alterar positivamente as influencias sociais que levam o aluno a abandonar o programa de exercício.
  • Utilizar todas as ferramentas para comunicar com o aluno: e-mail, sms, facebook, artigos impressos, etc.
  • Analisar a forma do aluno pensar face às dificuldades e às ideias pré-concebidas em relação ao exercício.
  • Associar positivamente o exercício e as sensações por ele provocadas. Quanto mais associações positivas e quanto mais fortes essas sensações, maior a valorização do exercício, maior a probabilidade de repetir o comportamento.
  • Ajudar o aluno a interpretar positivamente as sensações durante o exercício e pós-exercício de acordo com a tolerância ao esforço do indivíduo.
  • Atribuir pequenas tarefas a realizar fora do treino.
  • Procurar incluir amigos e familiares dos clientes no processo de treino.
  • Estabelecer objectivos realistas.
  • Centrar o trabalho na mudança de hábitos, na inclusão do exercício físico no seu dia-a-dia e dar ênfase à criação de novos hábitos em vez de procurar algo temporário.
  • Cuidar da abordagem perfeccionista por parte de alguns clientes.
  • Estar atento às alterações comportamentais da época (faltar aos treinos para realizar actividades menos importantes, alterar rotinas de sono e alimentares).
  • Realizar treinos mais curtos.
  • Ajudar a incluir o exercício na agenda semanal de forma a que este se torne prioritário em relação a algumas tarefas menores.
  • Substituir o auto-diálogo negativo por um conjunto de palavras de sentido positivo para o cliente.
  • Focar a atenção nos benefícios intrínsecos do exercício.
  • Incentivar o aluno a centrar-se mais nas sensações do corpo durante o seu dia-a-dia fora do ginásio, ensiná-lo a ser mais consciente do momento presente com todos os sentidos.
  • Associar-se o mais possível a pessoas que sejam bons modelos (dentro do círculo social do aluno) em termos de hábitos de sono, alimentação e exercício.
  • Criar redes de apoio social no ginásio (workshops regulares sobre temas como gestão do tempo, como estabelecer objectivos, como alterar comportamentos; dinâmicas que premeiem a regularidade no exercício incluindo mesmo algumas motivações extrínsecas).

No fundo, trata-se de estarmos conscientes da concorrência indirecta de um programa de exercício físico e das forças sociais e de mercado que se opõem. Se não as ignorarmos já teremos dado um passo de gigante, se aprendermos com essas forças e fizermos uma marcação cerrada utilizando estratégias directas, poderemos vencer a avalanche promocional e publicitária dos jantares, das compras, das férias pouco saudáveis, das desculpas, etc.

Aumento do IVA nos ginásios

Está previsto que o IVA nos ginásios aumente de 6 para 23%. Um aumento de 17% que se irá reflectir nos custos dos operadores e muito provavelmente no preço final que os clientes terão de pagar.

Há uns meses atrás, após uma luta política, conseguiu-se que o IVA baixasse de 21 para 5%, ou seja, uma descida de 16%. Se tudo tivesse funcionado de forma adequada, os clientes teriam visto as suas mensalidades ou anuidades baixar numa percentagem similar aquilo que se prevê subam agora. Mas, na prática, a maioria dos clubes não baixaram os preços aos clientes. Apenas um número mínimo de operadores baixou os preços (apenas me recordo de um exemplo) e alguns ginásios resolveram manter os valores e utilizar o “excedente” para investir. Investiram sobretudo em equipamento e instalações, esquecendo-se do maior activo que possuem: os seus recursos humanos. Continuaram a esquecer-se que vendem actos humanos, vendem serviços e por isso, deveria ser no pessoal o seu maior investimento, quer em termos de dinheiro quer em termos de tempo disponibilizado ou melhoria da competência profissional, da capacidade de produção e de um trabalho de equipa melhor coordenado e liderado.

Sabemos das dificuldades de gerir espaços como os ginásios onde as rendas são elevadas, os investimentos materiais enormes e cada vez mais exagerados face às exigências do mercado (treinei em mais de 60 ginásios em 10 países diferentes e posso opinar que o nosso País possui instalações requintadas e bastante caras ao nível Europeu). Por outro lado temos as grandes dificuldades de liderar grupos de pessoas (sócios e staff) e controlar a qualidade dos bens intangíveis que vendem. Talvez seja este o momento ideal para cuidarem dos seres humanos, para se preocuparem mais em liderar em vez de gerir meticulosamente rendas, activos e cashflows cada vez mais pequenos dado o reduzido número de sócios e o gigantesco abandono de clientes. Essa fraca retenção que está directamente relacionada com factores humanos, com a relação sócio-funcionário, a relação sócio-sócio, só poderá ser corrigida quando nos centrarmos de uma vez por todas no desafio: adesão ao exercício físico a longo prazo e na oferta de soluções para os problemas de estilo de vida das pessoas, através das formas de movimento que vendemos nos ginásios.

Agora sim, basta de comprar máquinas inúteis, pouco funcionais, que dificilmente se adaptam às nossas senhoras de 160cms de estatura, basta de construir tanques aquáticos que sugam a rentabilidade das actividades de grupo apenas para oferecer um serviço adicional. Chega de concorrer directamente com as grandes cadeias oferecendo 5 aulas semanais de marca registada contra 150 dos grandes grupos empresariais. Basta de contratar pessoal pelos diplomas sem qualquer avaliação de atitudes e valores. Chega de gerir pessoas e tratá-las como números. Basta de instrutores estilo guardas de máquinas, contadores de repetições, fomentadores de intimidades, actinas e miosinas ou puros recepcionistas de sala. Chega de abandonar os clientes sem registos de treino diários, sem objectivos de treino, sem os cumprimentar, acompanhar e comprometer para sessões futuras. Basta de enganar os clientes com pseudo sessões de treino personalizado que mais não são do que treino “pronto-a-vestir” de oferta limitada, sem resultados, com umas cócegas obrigatórias nos músculos.

Não admira que os clientes estejam fartos de tanta ilusão, tanta promessa oca de alterações estéticas miraculosas. Aquilo que podemos fazer pelos clientes é ajudá-los a mudar a sua funcionalidade e contribuir para a mudança de estilo de vida a partir do momento que incorporam o exercício físico no seu dia a dia. Mas para isso temos de fazer subir o exercício físico na escala de valores de cada pessoa. É óbvio que a generalidade da população tem na sua lista de tarefas a ida ao ginásio em último lugar, trocando-a por qualquer outra actividade por pouco interessante e mais cara que seja. Mas não são os factores pessoais, não é o preço, as instalações, as máquinas e o tempo disponível que marcam a diferença na adesão.Temos vindo a trabalhar anos a fio sobre essas falsas desculpas. Aliás, como gestores, donos de ginásios agrada-nos a ideia de ter um bode expiatório para deixarmos as pessoas, para nos interessarmos mais pelo lado material da coisa. Uma desculpa para deixarmos de ser professores e nos transformarmos em coordenadores que passam todo o tempo atrás de uma secretária. Que ironia! Professores de educação física! Que ironia! Trabalhar com movimento, com actos humanos, com pessoas e não contactar com elas, não liderar, deixar o terreno por completo e ficar atrás do PC. Que contradição! Basta de desculpas!

Por estes dias, os ginásios reúnem-se, conversam, sondam, falam com consultores, líderes de opinião. A Associação de Ginásios de Portugal continua, como sempre, proactiva e dinâmica na defesa dos interesses dos seus associados. A tensão é grande.

Muitos clubes aguardam pelas decisões dos seus pares. Esperam sobretudo a decisão das grandes cadeias para ver como estas influenciam o mercado. Deixando os seus clientes ansiosos por saber o que se vai passar com eles. Algo pouco recomendável. Imaginem-se na pele de utilizador de um ginásio sem saber se os preços vão subir, se há aulas que vão encerrar, se há piscinas que vão deixar de funcionar. Alguns ginásios terão de suportar mensalmente valores consideráveis de subida de IVA no seu orçamento. Mas não podem ficar indecisos.

A maioria dos ginásios não tem moral para subir os preços devido ao seu procedimento a quando da descida do IVA, por isso não acredito que o façam. Se o fizerem será o fim da sua credibilidade já anteriormente magoada. São valores universais, princípios básicos que gerem as relações humanas e como tal, não acredito que os clientes destes clubes tolerem que um ginásio que não baixou preços nem lhe ofereceu valor adicional ,vá agora, com a desculpa da subida do IVA subir os preços dos seus serviços.

A falta de confiança no sector sempre foi um problema da indústria do fitness. Os médicos mandam as pessoas nadar em vez de recomendarem outras actividades de ginásio mais importantes e que poderiam dar melhores resultados aos seus pacientes. Os ginásios continuam parecidos com discotecas quer pela música quer pela faixa etária com que trabalham, as conotações negativas dos personal trainers e de relações interpessoais pouco decentes, não abonam aos olhos da sociedade. A imagem de que, só os bem acondicionados e esteticamente apelativos frequentam estes locais, também não ajuda para uma maior penetração do mercado dos sedentários, ainda que estes reconheçam os benefícios do exercício físico e que a população saiba na generalidade que a inactividade é o factor de morte número um em todo o mundo.

Também estou certo que, os ginásios que mantiverem os preços terão de qualquer forma uma vantagem competitiva que compensará certamente a perda financeira, pois poderá traduzir-se numa manutenção do seu conjunto de sócios. Não digo que estes aumentem, pois, com as baixas taxas de retenção é uma delícia poder dizer que em cada 10 pessoas que se inscreveram mantivemos 9. Mas a ver por aquilo que se passou em 2008, quando o IVA baixou 15% e os maiores grupos de ginásios do país até aumentaram os seus preços, já não me admiraria que aumentassem de novo os valores a cobrar aos clientes, o que resultaria numa oscilação positiva muito significativa para os clubes dados como exemplo.

Alguns clubes poderão ter de remodelar instalações, ou abdicar de algumas das suas áreas para baixar custos. Mas terão de agir rapidamente e têm até a oportunidade de surpreender o mercado antes de todos os outros que se encontram na expectativa. Acredito até, que parte da solução passe por despedir professores, por simplificar alguns processos de funcionamento para rentabilizar o tempo de trabalho. É esse investimento que deveria ter sido feito: nas operações de funcionamento.

Sabemos que os custos com pessoal ocupam a grande fatia dos orçamentos. Mas os incentivos ao pessoal não passam exclusivamente pelo lado monetário… Existem outras formas de motivação e valorização.
Parece-me que pela primeira vez haverá ginásios que não irão atrás dos carneirinhos e tomarão decisões pessoais, traçarão definitivamente o caminho mais adequado para eles próprios. Talvez assim deixem de agir como suicidas ao investir na mesma oferta das grandes cadeias e da concorrência. A diferença terá de se marcar pelas actividades e pela relação humana em vez da cor das instalações ou da marca de máquinas de musculação.

Como sempre investi na retenção de sócios, no trabalho a longo prazo e na satisfação dos clientes actuais como estratégia de marketing, aqui fica a minha contribuição activa para a melhoria e o sucesso destes espaços que frequento e onde trabalho há mais de 20 anos.

Mas o mais importante é mudar de estratégia para conseguir resultados diferentes. Não se pode continuar com a mesma filosofia de trabalho, porque só os melhores sobreviverão. Está na hora de confirmar a confiança dada pelas autoridades a quando da descida do IVA, então sob o pretexto de aumentar a prática de actividade física no país e reduzir custos com segurança social.

Agora é a hora! Chegaram as oportunidades para as grandes mudanças!

50 acções para fazer crescer o seu ginásio

  1. Adquirir um medidor de pressão arterial e realizar algumas actividades em torno do aparelho: dia mensal de medição da pressão arterial, palestra anual sobre a hipertensão e exercício, criar um folheto sobre a pressão arterial onde esteja o logo e o contacto do ginásio, etc.
  2. Agendar periodicamente (mas não de forma rotineira), sessões de treino de funcionários (abordar os temas dos: procedimentos, problemas de serviço, falhas no sistema, etc.).
  3. Dedicar um mês a um tema relacionado com serviço a clientes e exigir aos funcionários maior atenção a esse tema (ex: comunicação, lidar com reclamações, escuta activa…)
  4. Criar o diário de vida do ginásio (definir os itens a incluir).
  5. Definir um local para expor todas as memórias do clube (fotos de momentos importantes e de eventos especiais, bem como de certas comemorações; os chamados “elementos culturais”).
  6. Inscrever-se no próximo campeonato de remo indoor e aderir às actividades gratuitas dinamizadas pela Concept II.
  7. Dinamizar um blogue na Internet onde os sócios apareçam com frequência. Aqui ficam 3 websites de ginásios considerados como bons exemplos ao nível da retenção e serviço:
    1. www.ghfc.com
    2. www.acac.com
    3. www.myfrancos.com
  8. Criar um portfolio com o registo de todos os momentos importantes do clube, todas as datas comemoradas, todos os objectivos atingidos (divulgar alguns desses momentos no local de exposição do clube definido para o efeito).
  9. Divulgar os recordes do ginásio (seja em termos de performance, longevidade, frequência, grandes feitos, etc.).
  10. Realizar um curso de primeiros socorros para todos os funcionários do clube.
  11. Incentivar todos os funcionários a frequentarem um programa de exercício regular.
  12. Incentivar todos os funcionários a experimentarem TODAS as actividades e serviços do clube.
  13. Simplificar todo o tipo de procedimentos do ginásio.
  14. Assinalar dias/datas especiais do calendário (ver: http://civica.wordpress.com/datas-importantes/)
  15. Editar uma newsletter mensal. Basta apenas uma folha (duas páginas) para começar.
  16. Criar a equipa da diversão (um conjunto de funcionários, podendo ser rotativo ou não) para manter alegria e brincadeira todo o dia no clube, sem perder os princípios fundamentais de treino e sem “abandalhar” o sistema.
  17. Acreditar nas pessoas (sejam funcionários ou clientes).
  18. Ser diferente dos outros ginásios pela relação com os clientes e não apenas nos logotipos ou instalações.
  19. Definir os seus próprios standards de serviço, de atendimento, de performance (definir o que é ser bom, o que é fazer bem no nosso clube).
  20. Manter os sistemas de funcionamento simplificados. Os sistemas de controlo e todos os outros sistemas implantados no clube deverão ser flexíveis e muito simples.
  21. Ser maior nem sempre é melhor: não confundir quota de mercado com lucro. Nem sempre o clube que tem mais sócios é o que factura mais. Nem sempre o clube que tem mais sócios é aquele que perdura no tempo.
  22. Quando o sucesso é um facto, não se pode esquecer que há sempre detalhes para melhorar.
  23. Concentre-se no desenvolvimento dos pontos fortes e no controlo dos pontos fracos.
  24. Liderar através do exemplo.
  25. Cumprir sempre as promessas pessoais e do clube perante os clientes.
  26. Demonstrar interesse e preocupação para com as pessoas. É mais importante do que os conhecimentos técnicos que temos.
  27. Praticar a escuta activa.
  28. Contratar pessoas com sentido de humor.
  29. Contratar pessoal pela atitude e não pelos skills (estes podem ser treinados e melhorados).
  30. Tratar toda a gente com carinho e igual respeito; nunca se sabe com que se está a falar.
  31. Acabar com a burocracia: terminar com as reuniões desnecessárias, minimizar o papel e simplificar a comunicação interna (entre funcionários) e externa (entre o clube e os potenciais clientes, entre o clube e os clientes, entre o clube e a comunidade, entre o clube e os media).
  32. Antecipar situações inesperadas.
  33. Ser flexível: ajustar procedimentos e regras para melhorar a relação com funcionários e clientes.
  34. Lidar com pessoas, não com cargos que ocupam.
  35. Actuar como se fosse o dono do ginásio.
  36. Não actuar como uma vítima. Há sempre algo que podemos fazer para marcar a diferença.
  37. Confiar nos outros. Isso dir-lhes-á que você é de confiança e eles actuarão em conformidade.
  38. Valorizar os funcionários.
  39. Dar mais responsabilidade às pessoas para desenvolverem os seus pontos fortes e para crescerem.
  40. Traçar novos caminhos em vez de simplesmente imitar os outros.
  41. Preparar as pessoas para tomarem decisões definindo claramente a cultura do clube, a visão e os valores (os seus e os do clube (por ex: se valoriza a saúde e funcionalidade, deverá evitar grandes apelos à estética e toda a gente deverá actuar em conformidade).
  42. Alinhar os sistemas, políticas e práticas com os seus valores.
  43. Medir, recompensar e reconhecer os funcionários que protegem e promovem a cultura (valores, rituais, mitos, crenças, memórias, símbolos, etc) da empresa.
  44. Desenvolver um sincero interesse em cada membro da empresa (cada membro da família).
  45. Criar um grupo responsável por promover e proteger a cultura organizacional do ginásio.
  46. Tornar-se um contador de histórias para a sua empresa e para a sua família.
  47. Utilize as celebrações para criar memórias.
  48. Faça com que as celebrações reconheçam as coisas importantes, aquilo que valoriza.
  49. Deixe que as celebrações ofereçam a oportunidade às pessoas de dizerem olá e adeus (dar as boas vindas aos novos que chegam e desejar boa sorte aos que partem para outro local). Isto aplica-se a funcionários e clientes.
  50. Utilize as celebrações para construir relacionamentos interpessoais.

Mais Leituras

  • Almeida, S. (1993). Cliente nunca mais, 7ª ed. Salvador: Casa da Qualidade.
  • Almeida, S. (1995). Cliente eu não vivo sem você. Salvador: Casa da Qualidade.
  • Carlaw, P. & Deming, V. K. (1999). The big book of customer service training games. New York: McGraw-Hill.
  • Croce, P. (2004). Lead or get off the pot! New York: Fireside.
  • Freiberg, K. & Freiberg, J. (1998). Nuts! Southwest Airlines’ Crazy Recipe for Business and Personal Success. New York: Broadway Books.
  • Harris, J. (1996). Getting employees to fall in love with your company. New York : AMACOM.
  • Lundin, S., Christensen, J., Paul, H. & Strand, P. (2004). Fish! Ou a arte de motivar. Lisboa: Presença.
  • Michelli, J. (2008). The New Gold Standard: 5 Leadership Principles for Creating a Legendary Customer Experience Courtesy of the Ritz-Carlton Hotel Company. New York: McGraw-Hill.
  • Peters, T. (1999). The brand you50: fifty ways to transform yourself from an “employee” into a brand that shouts distinction, commitment, and passion! New York: Borzoi Book.
  • Peters, T. (1999). The professional service firm50: fifty ways to transform your department into a professional service firm whose trademarks are passion and innovation! New York: Borzoi Book.
  • Plummer, T. (1999). Making money in the fitness business. Los Angeles: Fitness Management Books.
  • Plummer, T. (2003). The business of fitness: understanding the financial side of owning a fitness business. Monterey: Healthy Learning.
  • Snow, D. (2008). Lessons from the Mouse: A Guide for Applying Disney World’s Secrets of Success to Your Organization, Your Career, and Life. DC Press.
  • Spector, R. (2001). Lessons from the Nordstrom way. New York: John Wiley & Sons.

Os registos de treino: como controlar o treino

O único verdadeiro erro é aquele do qual não aprendemos nada.

-John Powell

Quando um aluno melhora a sua performance em termos de força, resistência e capacidade de recuperação, o seu corpo modifica-se, tornando-se mais funcional. No entanto, essas alterações não são, na maioria das vezes, visíveis em termos estéticos.

Tanto professores como alunos, apenas podem verificar a eficácia de um programa de treino quando existe um registo rigoroso desse mesmo treino. Existem algumas variáveis imprescindíveis a registar, para:

  • saber se melhorou ou piorou,
  • visualizar melhor a sua evolução,
  • o professor verificar possíveis motivos de insucesso do programa de treino,
  • uma questão de motivação,
  • estabelecer objectivos baseados em aspectos mensuráveis,

Duração do Treino

A duração do treino não deverá exceder muito os 60 minutos; quando a duração diminui e todos os pesos e repetições se mantêm, isso é sinal de melhoria, ou seja, o aluno conseguiu efectuar os mesmos movimentos, o mesmo trabalho em menos tempo, o que provoca algum impacto e possíveis mudanças no funcionamento do corpo; a consequência disto é fácil de verificar: se não houver registo da duração do treino, poderá haver uma ilusão de que a performance melhorou, quando de facto isso não aconteceu. Um treino com os mesmos exercícios, as mesmas repetições e as mesmas cargas, efectuado em 60 minutos, é diferente do mesmo treino efectuado em 70 minutos.

Datas dos treinos (frequência)

A frequência é fundamental para que os estímulos do treino vão produzindo resultados. Serve para verificar a frequência de treino e saber se o número de treinos deve manter-se, diminuir ou aumentar para que o progresso continue.

Exercícios

A ordem dos exercícios permite saber porque é que nos cansamos mais em alguns grupos musculares do que outros; diferentes sequências de exercícios podem aplicar estímulos com maior ou menor intensidade numa determinada zona do corpo.

Repetições e Peso

As repetições e o peso em cada exercício são o espelho da evolução, do progresso do aluno. Aqui o rigor deverá ser extremo, pois a velocidade de execução não pode ser contabilizada e como sabemos, é completamente diferente efectuar o exercício com 6 segundos por repetição do que em 2 segundos por repetição. É diferente em termos de eficácia e sobretudo segurança. Por isso, convém que todas as repetições efectuadas e registadas sejam de forma correcta.

Posição dos Bancos e Outros Ajustamentos

As posições dos bancos permitem o alinhamento correcto das articulações e/ou a amplitude total de movimento do exercício. Posições erradas podem resultar em lesão ou num estímulo menos eficaz, sobretudo no trabalho com máquinas de resistência variável, tipo Nautilus™ ou Med-X™

Frequência Cardíaca e/ou Escala de Esforço

A frequência cardíaca, é juntamente com a escala de esforço, a forma de controlar a intensidade do seu treino. Só assim, se pode verificar se encontra dentro ou fora da sua zona alvo de treino. Não basta dizer que a pulsação nunca passa das 120. Não se esqueça que diferenças de 10 a 20 pulsações por minuto, podem ter um grande significado (esta situação intensifica-se se a idade for mais avançada) em termos de efeitos de treino. Pulsações demasiado elevadas podem ser perigosas e pulsações demasiado fracas não colocam grande estímulo ao seu corpo, significando portanto tempo perdido.

Resistência ou Velocidade

Apesar da frequência cardíaca ser um variável importante, a velocidade, a resistência ou as rotações por minuto das máquinas cardiovasculares dão indicações preciosas, senão vejamos: podemos ter um registo de 120 pulsações a 8 km/h em Janeiro e depois podemos passado 3 meses ter a mesma pulsação com 9 km/h. Uma situação destas assinala um progresso muito bom.

Algumas Recomendações Para os Utilizadores de Ginásios

O registo de treino é como um mapa do caminho que estamos a criar!

Paulo Sena

Quando se termina um programa de treino convém que o professor verifique aquilo que sucedeu com o programa anterior (algo que este só poderá efectuar caso exista um certo rigor no registo das variáveis anteriormente referidas). Só depois será possível criar com algumas contribuições do aluno um programa para as suas necessidades.

Não se esqueça de seguir o programa e de executar os movimentos de forma adequada. O professor não poderá ser responsável pelos resultados de um programa onde o registo não existe ou um programa onde os movimentos foram efectuados de forma muito acelerada e sem cuidados posturais.

São apenas dois minutos de tempo que perde no registo diário de treino e horas de treinos mais seguros e eficazes que você terá pela frente com o simples gesto de registar a sua performance do dia.

Na tabela seguinte apresenta-se um exemplo de um extracto de um registo diário de treino. Temos variáveis como: a data; a duração total do treino de musculação; por cada exercício temos: posição do banco ou outros ajustamentos das máquinas (P), as repetições completas efectuadas, o tempo em carga, o peso utilizado e a frequência cardíaca máxima; os totais de repetições, tempo em carga e peso, bem como a média das frequências cardíacas máximas; e ainda o tempo total de repouso, ou seja, a duração menos o tempo total em carga. Um registo deste tipo é fácil de levar a cabo pelo colega de treino e permite um controlo muito superior a qualquer registo tradicional. Não é perfeito e entre outras falhas não permite: saber qual a duração de cada repetição na subida ou descida do peso, pois apenas sabemos a duração de um número de repetições; os descansos entre cada um dos exercícios de forma individual. Quando treinamos sozinhos também podemos controlar todas estas variáveis com excepção do rigor do início e final do exercício. Para controlar a frequência cardíaca necessitamos de um monitor de frequência cardíaca. No entanto, com o utilizador comum podemos eliminar a coluna do tempo e da frequência cardíaca. No entanto, para haver rigor será necessário uniformizar a velocidade de execução das repetições, ou seja, não será adequado efectuar a primeira repetição em 20 segundos e a última em 5 segundos. Neste registo poderão ser ainda acrescentadas as variáveis do treino de endurance, registando variáveis como o exercício, a duração, velocidade ou nível de resistência e a frequência cardíaca máxima.

No caso de não termos um colega de treino que possa controlar o tempo e a frequência cardíaca máxima em cada exercício, é sempre possível manter todas as outras variáveis.  Nos downloads podem encontrar alguns exemplos de fichas de registo de treino.

Exemplo do registo de um treino.

A actual indústria do fitness: algumas ideias

Há mais de 20 anos que frequento ginásios. Algumas coisas mudaram. Melhores equipamentos, instalações mais atractivas e de grandes dimensões, mais mulheres a frequentarem as salas de musculação… E os serviços? Mudaram? Ou permanecem idênticos? Mudaram os processos de forma significativa? De forma a fidelizarem os clientes…

Não me cansarei de dizer que os ginásios têm a sua sobrevivência e sucesso completamente dependentes da retenção dos seus sócios. Se a retenção de sócios não melhora, o tempo médio de vida dos ginásios será curto: 5 ou 6 anos talvez.

Para melhorar a retenção, todos os processos, desde o marketing, remuneração de funcionários, comercialização, até ao funcionamento diário, tudo deverá estar centrado nos clientes. Como diria Seth Godin, temos de criar tribos em torno de algo significativo. Aquilo em que os ginásios têm de fazer, é centrarem-se mais no estilo de vida das pessoas, focarem a sua acção na mudança de hábitos de vida, intervir cada vez mais na comunidade que os rodeia, fortalecer a relação das actividades com a saúde, adaptar aulas aos alunos e não o contrário.

As cadeias de ginásios têm de ser “pronto-a-vestir”, mas os outros ginásios devem aproximar-se cada vez mais de “alfaiates” e “modistas” (desses, tenho visto poucos). Na retenção está o lucro. A riqueza reside na manutenção dos clientes a longo prazo. Para isso têm de conquistar as pessoas uma a uma e ver os clientes como pessoas. Algumas posições na organização de um ginásio têm de ser atribuídas a líderes e não a gestores, porque este negócio é baseado em pessoas… Serviços… A função do ginásio é criar soluções para resolver os problemas das pessoas.

Os mercados das pessoas acima dos 40 anos são sem dúvida os mais importantes no momento presente e nas futuras décadas. Mas os ginásios actuais ainda não se aperceberam disso. Costumo comparar os ginásios às discotecas, devido ao tipo de ambiente e ao público-alvo com que insistem em trabalhar. Mas para mudar o público-alvo, a imagem dos ginásios perante o publico (que já mudou algo) tem de mudar muito mais.

Nós somos um País seguidor, não somos criadores e dificilmente podemos fugir às tendências mundiais. No entanto, elas não chegam ao mesmo tempo a que chegam a outros Países. Durante esse período de tempo é possível que os donos dos ginásios se antecipem a criar respostas adequadas às tendências que estão para chegar. Daí a importância de frequentar as grandes feiras mundiais e procurar informação actual.

Outro aspecto importante á a contratação de pessoal. A atitude torna-se muito mais importante nesta área de trabalho. A comunicação e a capacidade de criar bons relacionamentos, são características a procurar em candidatos a trabalhar em ginásios. Tendo nós em Portugal, muitos licenciados em ed. física com uma formação generalista na actividade física, podemos facilmente levar o ginásio para o exterior, dando a conhecer não só as actividades, mas dinamizando novas actividades alternativas para sócios e potenciais clientes.

Por outro lado, há bons exemplos de negócios de pessoas, negócios de serviços em Portugal e temos de deixar de ter medo de adaptar boas práticas de outras áreas.

Acima de tudo, se continuarmos a fazer as mesmas coisas que temos feito até aqui (e temos repetido demasiado nos últimos 20 anos), continuaremos a ter os mesmos resultados: retenções de 20 a 30% e uma enorme necessidade de colmatar essa fuga de clientes com preços baixos e marketing agressivo, esquecendo que lidamos com pessoas e não simplesmente números.

Outro aspecto importante em Portugal, é que a iniciativa municipal e do estado, no fitness, ainda está a dar os primeiros passos e pode mesmo ser um gigante adormecido. Espanha e França são dois exemplos fortes dessa iniciativa. Mas os privados, em vez de receio, devem entrar em parcerias porque conhecimento específico e experiência do mundo do fitness.

Esta visão deste negócio do “fitness”, pode resumir-se nestas ideias:

  • Os ginásios têm de ajudar as pessoas a incorporar a actividade física nas suas vidas.
  • O core business é cardio e musculação (são vendidos sob vários formatos, mas resumem-se apenas  a isso), mas… Podem intervir fortemente noutras áreas relacionadas com estilo de vida.
  • Ligar actividade física e saúde (qualidade de vida) é um posicionamento forte e mais seguro do que a ligação com a estética.
  • Colocar a estética em segundo plano (em vez de a apresentar como alvo de intervenção de primeiro plano; o exercício físico consegue grandes e rápidas alterações funcionais, mas estéticas… Nem por isso. Logo, anunciar estética diante de tudo, é mentir e cair em descrédito).
  • Não abdicar dos princípios de treino (pois são a base para que as pessoas tenham resultados e pessoas com resultados nunca desistem).
  • Grande dinâmica social (dentro e fora do ginásio).
  • Aposta em marketing interno versus externo (aí reside a solução para vender sem esforço).
  • O boca-a-boca é a estratégia mais importante quando trabalhamos bem (clientes nossos vendedores e advogados).
  • Somos aquilo que fazemos repetidamente (não é suficiente, dizermos que somos bons, que fazemos isto e aquilo, que temos serviços para todos quando, na prática, não temos nada). Publicidade (é dizer: – Eu sou bom) vs Relações Públicas (conseguir que os outros digam que nós somos bons).
  • As pessoas marcam a diferença nesta indústria (temos de as contratar pela atitude, pelos valores em vez de simples qualificações de CV).

Temos de ser cozinheiros e não criadores de receitas, alfaiates em vez de lojas de pronto a vestir.
Não podemos agradar a todos os públicos. Mas há espaço para diferentes formas de intervenção neste negócio.

Actualmente, o risco de fazer diferente, é de facto muito baixo, por isso, não sei o que estão à espera :)

Só mais uma coisa: se não tiverem paixão por aquilo que estão a fazer, se não gostarem de colocar as pessoas em primeiro lugar… Mudem de ramo de actividade!

Links interessantes:

O Gainesville Health & Fitness Center*