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Archive for the ‘Equipa de Observadores Fanáticos’ Category

Associações cognitivas sobre o personal training que se estão a tornar inevitáveis

Maio 25, 2009 Paulo Sena 1 comentário

Recordava por estes dias na companhia de uns amigos, alguns bons momentos vividos nos ginásios. Grande risota, muita gratidão e naturalmente também algumas coisas azedas. Veio à conversa a generalização dos serviços de personal training como sendo uma recente forma de intervenção nos centros de fitness.

Os serviços de treino personalizado conhecidos como personal training, têm vindo a ser popularizados pelas grandes cadeias de ginásios, pelas revistas de fitness e diversos meios de comunicação social. Mas, não são nada de novo e muito menos recente. Talvez fossem mais conhecidos no meio do golfe, do ténis ou do atletismo, mas quando pensamos em ginásios, em melhoria da condição física ou musculação, há que dizer que até os reis Eduardo VII e George V de Inglaterra já tinham o seu personal trainer.

Os serviços de treino personalizado que vemos anunciados por ai, podem ser de dois grandes tipos:

1. treinos formatados onde o personal trainer apenas acompanha a aplicação da “receita de séries e repetições” de acordo com o objectivo do indivíduo (perder peso, aumentar massa muscular, etc.).

2. processo de criação e aplicação de um programa de treino adaptado às necessidades do indivíduo e permanentemente reformulado de acordo com os condicionalismos impostos pela vida da pessoa treinada.

Na primeira situação, faz um certo sentido um extracto de uma frase menos feliz num anúncio de um ginásio onde se podia ler na descrição do serviço de PT: “… serviço de acompanhamento personalizado…” Não podemos confundir com acompanhantes de luxo, gigolos, mas a associação é inevitável devido ao facto desta actividade ter vindo a camuflar as actividades relacionadas com acompanhantes e sexo. O mesmo ocorre com os(as) massagistas.

Sem dúvida que os centros de fitness são locais onde a relação humana é muito importante, onde a proximidade física é inevitável, mas isso não quer dizer que não tenhamos em conta o factor de proximidade na comunicação (um raio de 0 a 45 cm em nosso redor) com os clientes. Os maiores problemas surgem para os envolvidos quando esse espaço é frequentemente invadido por ambos, ou quando os observadores projectam uma imagem das pessoas envolvidas que é pouco favorável. De facto, não há fumo sem fogo e tanto a publicidade da UZO, como o cruzeiro de fitness recentemente realizado por uma cadeia de ginásios ilustram a imagem, a percepção que muitas pessoas têm do personal trainer e dos instrutores de ginásios em geral.

Numa reportagem da revista Sábado de 7 de Maio de 2009, intitulada: infiltrado no barco do amor (cinco dias num cruzeiro com viciados no fitness). Desvenda-se (imagino aquilo que não se pode publicar ou difundir em público) toda uma actuação dos participantes do cruzeiro em actividades mais relacionadas com sexo do que com o fitness (embora a actividade sexual possa ser uma boa actividade física, tenho dúvidas que possa ser um bom “exercício físico”). Paralelamente à reportagem, apresentam-se algumas situações comuns que ocorrem nos ginásios, espelhadas nas descrições descrições… O Playboy, A Prenda, A Peixeirada, O Playboy. Aqueles que trabalhamos há muito tempo nos ginásios, já passamos por situações idênticas ou vimos colegas viverem acontecimentos parecidos com consequências similares, mais atenuadas ou mais graves ainda. A forma como estão ilustrados na reportagem, está muito interessante e denota conhecimento do assunto. Quer clientes, quer professores, lidam com essas situações de forma diferente. Recomendo vivamente a leitura (não tenho comissões).

Que pena uma imagem tão pesada para uma actividade, que, quando bem orientada pode mudar vidas. Já sabemos que muitos ginásios se parecem demasiado às discotecas quer no público-alvo, quer na música… Mas não são simplesmente locais de diversão e socialização. Já todos sabemos que o sexo, o poder e o dinheiro controlam bastante as nossas vidas, mas nem todos os personal trainers são pessoas que procuram vida fácil, nem todos têm 40 ou 50 clientes num ano, nem todos se limitam a dar 4 ou 5 treinos a cada pessoa. Muitos têm alunos durante anos a treinar regularmente, reabilitam-nos de lesões, ajudam-nos a melhorar sua a auto-estima, melhoram a sua imagem, melhoram sobretudo a funcionalidade dos seus alunos, intervindo positivamente de forma a mudar completamente o stilo de vida dos seus clientes, dando lugar a uma transformação positiva.

A função do personal trainer pode antes ser vista como um processo que ajuda as pessoas a melhorarem a sua qualidade de vida através do exercício físico e da mudança de hábitos e estilos de vida. A intervenção do PT não passa simplesmente pela aplicação de uma receita de séries e repetições, mas pela “arte de cozinhar”. Um bom PT tem experiência, certificação e formação académica. Lidera através do exemplo, é organizado, criativo, motivador e com atitude positiva. Gosta de cuidar de pessoas, escuta atentamente, comunica de forma clara, vai directo ao assunto, é modesto… É sobretudo um educador. Na linguagem moderna, talvez se enquadre em parte no chamado coaching. Um líder de pessoas com conhecimentos de treino, nutrição e psicologia, que recorre a especialistas de diversas áreas quando os seus conhecimentos não alcançam a intervenção pretendida na mudança de processos.

Joe Cirulli “The Believer” e o seu Gainesville Health and Fitness Center

Maio 25, 2009 Paulo Sena 1 comentário

Há uns anos atrás em Toronto, no final de um curso de gestão de health clubs, um senhor chamado Joe Cirulli, apresentava a inspiradora história da sua vida de dedicação ao fitness. Essa história perturbou-me positivamente, os números do seu ginásio impressionaram-me de tal forma que, nesse dia, prometi a mim mesmo que visitaria o Gainesville Health and Fitness Center. No final, dirigi-me ao Joe e manifestei-lhe a minha admiração e perguntei se um dia poderia fazer um pequeno estágio no seu clube. A resposta foi afirmativa e abriu-se a porta para eu ter a melhor experiência inside-out de uma semana numa organização que é um estudo de caso mundial ao nível da gestão. Escutem a inspiradora história deste homem no vídeo: http://www.ghfc.com/joe/
Leiam: http://www.ghfc.com/upload/file/Joe/Joe-Cirulli-The-Believer.pdf

Perda de Gordura: realidade nua e crua (versão 2.0)

Abril 15, 2008 Paulo Sena 6 comentários

AVISO: o texto que se segue poderá desiludir algumas pessoas. Se é facilmente impressionável ou se se desmotiva facilmente, por favor NÃO LEIA.

Não existe nenhuma dieta mágica, nem nenhuma rotina de treino mágica. Não existem rotinas de treino que pelo facto de terem mais duas séries no exercício A ou no exercício B, lhe façam miraculosamente perder gordura. Não é possível perder gordura localizada. Seria bom, era só dizer: “Hum! Vou perder esta gordurita na parte superior do umbigo. Basta uns exercíciozitos para colocar essa zona a trabalhar, um milhão de repetições diárias e no Sábado já posso vestir aquelas calças para ir ao casamento do JóJó”.

É duro e difícil aceitar a realidade e o primeiro ponto é reconhecer a nossa herança genética.

Se eu sou bisneto de obesos e o meu bisavô era bisneto de obesos, as probabilidades de eu ser obeso, deverão andar na casa dos 90%. Então, por muitas mentiras, por muitos produtos que me procurem vender, dificilmente poderei ter uns abdominais recortados e 8% de gordura. O potencial genético é demasiadamente marcante para que possa efectuar mudanças tão radicais. Poderei almejar a bons resultados com MUITOS sacrifícios, MUITOS sacrifícios e MUITOS sacrifícios alimentares, mas muito dificilmente chegarei a ser capa de revista de homens com barriga do tipo tábua de passar a ferro. Quando muito, posso é vir a ter problemas de saúde.

“Mas não desistam face a esta realidade! O grande programa de treino chegou! Temos o vinho zero gordura e o fat-burn marca Lusitano que vai contrariar tudo isso!”. Esta seria a frase que todos estavam à espera de ouvir agora. Mas não vão ouvir de mim, não senhor. Também não vou dizer a ninguém: “Ouça, guarde o seu dinheirinho, desista, assine uns canais de TV e viaje na Net. Isto de fazer exercício e controlar a alimentação não é para si. E como já tem 55 anos, nem vale a pena pensar em melhorar”.

Aquilo que cada um pode fazer é reconhecer o seu potencial genético, os seus pontos fortes e os seus pontos fracos. Depois, trabalhar de forma a melhorar, mas sem criar ilusões de ser o maior, o melhor do mundo se não tiver genética para isso. Do género: genética tipo Rosa Mota e treinar duro para ser o melhor velocista de todos os tempos! E tudo isto que eu estou para aqui a dizer aplica-se aqueles que têm grandes objectivos em termos estéticos, como aqueles que têm grandes objectivos em termos de performance.

Mas este artigo trata de perda de gordura…

Como foi referido anteriormente, não há que dar muitas voltas e os atalhos só trazem trabalhos, por isso: TEM DE COMER MENOS!. 450 gr. de gordura significam 3500 calorias. Para perder 450gr. de gordura por semana, tem de cortar 500 calorias por dia: 7 X 500 = 3500.

Para isso tem de começar a conhecer os alimentos e o seu conteúdo em termos de nutrientes e neste caso também: calorias. Contabilize tudo o que leva à boca. Alimentação adequada e actividade adequada poderão ser a melhor solução. Efectuando um tipo de exercício físico adequado enquanto faz uns cortes alimentares, vai perder gordura. Não interessa perder peso se for tecido muscular, uma vez que estamos a perder uma “fábrica de armazenamento e gasto de energia”. Até porque, quanto mais tecido muscular tiver, mais calorias queimará em repouso. Aprenda a ler as etiquetas. A primeira palavra a seguir aos ingredientes: é aquilo que constitui a maior parte do produto. Simplesmente por dizer fat-free não significa que não seja gordurosa ou que não contribua para engordar. Muitas das vezes é adicionado açúcar para melhorar o paladar e retiram gordura. Por isso fat-free pode significar mais calorias! Leia as etiquetas!

Algumas Indicações

O exercício físico adequado pode acelerar a perda de gordura, ao “adicionar” tecido muscular.

Não sou nenhum nutricionista e apenas posso fornecer algumas indicações gerais. Corte alguns fritos. Utilize leite magro. Corte alguns alimentos altamente processados, ou seja, coma alimentos na sua forma natural e menos processada: como frutas e vegetais. Compre pão integral, é mais saboroso e contém mais nutrientes. Seja mais moderado nos molhos. Reduza a ingestão de margarinas e sal. E acima de tudo:

  • Elimine o açúcar
  • Ingira proteínas de qualidade e fibras em todas as refeições
  • Beba mais de 1,5L de água (de preferência alcalina)
  • Vá ao ginásio e efectue treinos de musculação de forma adequada. Efectue exercício de resistência com uma intensidade adequada
  • Seja mais activo
  • Não coma à pressa, pois a tendência é para comer mais. Coma devagar. Se desejar, inverta a sequência da refeição e experimente comer a sobremesa primeiro, a sopa depois e a seguir o prato principal (costuma ser uma refeição mais desagradável para algumas pessoas que dizem que os doces “enchem”).
  • Se pretende com mais intensidade emagrecer do que comer aquele pastel ou aquele gelado, recorde: se não o tiver em casa, não poderá comê-lo.

O importante é mudar hábitos e isso leva tempo. De pouco adianta fazer as coisas à força, tudo de uma vez, é anti-natural e os resultados não perduram. Pense que: se conseguir retirar umas coisinhas na alimentação e fizer exercício físico de forma adequada, vai conseguir melhorar a sua performance, e melhorando a sua performance vai promover mudanças estéticas. Não serão mudanças radicais, mas imagine que pode perder 500gr de gordura por mês, serão 6 kg num ano e 12kg em dois anos. Se isto for reflexo de uma mudança nos seus hábitos, ou seja, resultante de uma melhor performance e desempenhos físicos e de uma melhor performance em termos de ingestão alimentar, é quase certo que a mudança por si conseguída vai manter-se. E, se pensar que ao fazer musculação poderá aumentar o número de calorias que gasta em repouso, o que se traduzirá em duas coisas:

  • ou continua com uma alimentação deficitária para continuar uma perda de peso (situação não recomendada durante longos períodos de tempo),
  • ou então TERÁ DE AUMENTAR A SUA INGESTÃO DE ALIMENTOS (COISA LIGEIRA, É CLARO), FRUTO DO AUMENTO DO TECIDO MUSCULAR. É VERDADE E NÃO ME ENGANEI AO ESCREVER A PALAVRA AUMENTAR).

Mas isso é só um lado da moeda. Agora imagine os benefícios em termos de funcionalidade do seu corpo. A diminuição de gastos com os médicos que cobram tão pouco e nunca nos fazem esperar. A sensação de bem-estar. O aumento da capacidade atlética. A sessão de mais energia ao final do dia de trabalho. E a motivação e a auto-confiança resultantes de tudo isso e da melhoria da imagem não têm preço. E os benefícios sociais, uma vez que alguém com melhor aspecto pode sempre causar outra impressão. E se aos 60 anos ainda joga Ténis e Futebol, O OH! O OH!.

Fácil? Não, não é. É uma tarefa árdua mas que pode perdurar no tempo. É um trabalho a longo prazo. Ajuda? Consulte um bom nutricionista e um bom profissional de exercício físico. Mas, bom não quer dizer caro, nem quer dizer com muita prática, nem tão pouco com muita teoria: equilibrado é o que é. Realista e disposto a ajudar em vez de enganar. Agora beba muita água, coma muitas vezes ao dia.

Se levarem isto a sério poderá acontecer alguma coisa. Mas eu estava a falar a sério ou tenho a mania de ser diferente?!…

Para finalizar deixo-vos com este pensamento. Muitos já conhecem e eu insisto, porque é tão importante:

“(…) não podes atingir e manter uma boa condição física se não estiveres moralmente e mentalmente bem preparado… Eu digo aos meus jogadores que a condição da nossa equipa depende de dois factores – o quanto eles trabalham no campo durante o treino e o quanto bem eles se comportam entre os treinos. Não podes atingir nem manter uma condição adequada sem trabalhar ambos os aspectos.” John Wooden

Atestados Médicos

Janeiro 28, 2007 Paulo Sena 2 comentários

Nas aulas de educação física não há nenhum tipo de triagem dos alunos. Ninguém é obrigado a passar um controlo médico para frequentar aulas de educação física. Os professores vão verificando os sinais de esforço e outras manifestações anormais por parte dos alunos. No entanto, para frequentar um ginásio ou uma piscina é necessária uma declaração médica. Contrastando com tudo isto, é necessária uma declaração médica para os alunos não realizarem actividade física na escola. Interessante. Não sei quem criou o sistema, mas certamente não centrou a sua atenção nas nossas crianças, nos nossos filhos, nos nossos alunos.

Escutem o Thomas Plummer

Para quem é dono de um ginásio, desempenha algum tipo de função de gestão ou simplesmente tem necessidade de obter uma visão limpa sobre a indústria do fitness, então tem de escutar Thomas Plummer.

Uma parede de balneário

Os verdadeiros vencedores fazem-se quando ninguém está a ver.