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Serviço – Pessoas – Formação: uma perspectiva de 20 anos de ginásios

Abril 18, 2010 Paulo Sena 6 comentários

“Customer service is now for things that go wrong… your standards are way too low!” “Where,” Seth asked, “is the box where you check to pay more. I’ll pay more and you’ll be nice to me? Where is that??”

Seth Godin

Nos ginásios, vendemos aulas de grupo diversas: natação e actividades no meio aquático, musculação, treino personalizado, massagens, etc. Vendemos actos humanos! Chamamos-lhe serviços, que se caracterizam por serem intangíveis, por serem produzidos e consumidos no mesmo momento, que não podem ser transportados ou armazenados. São serviços pessoais, por vezes categorizados junto dos barbeiros, cabeleireiros, esteticistas, funerais, casamentos, fotógrafos, alfaiates e modistas. Mas têm uma característica importante: um forte componente social.

Apelam portanto à necessidade dos seus profissionais terem boas competências relacionais para além das técnicas, a fim de conseguirem transformar indivíduos sedentários em pessoas activas capazes de incorporar a actividade física nas suas vidas.

Se vendemos actos humanos, a participação dos recursos humanos é muito intensiva nos processos de produção desses serviços, fazendo com que o comportamento dos funcionários influencie fortemente o resultado final e a percepção que os clientes têm do serviço.  E como o comportamento varia consideravelmente, faz com que as aulas variem e estejam muito dependentes do indivíduo que as lidera. Ou seja, tudo aquilo que o funcionário faz, a forma como se veste, como comunica é marketing, é uma forma de criar uma relação comercial, uma vontade do cliente se manter ou não como cliente.

As cadeias de ginásios associaram-se a algumas marcas na tentativa de transformar serviços em produtos. Padronizar actos humanos devido às necessidades do negócio de replicação de unidades de fitness. Assim, surgiram grandes desenvolvimentos tecnológicos nos equipamentos de fitness, nomeadamente nos painéis das máquinas cardiovasculares com programas pré-definidos de forma a minimizar a intervenção humana. Aumentaram ainda os sistemas de dissociação cognitiva presentes nesse tipo de equipamentos, como a televisão, a possibilidade de escolha áudio e mesmo o acesso à internet. Foi com a enorme necessidade de padronizar os actos humanos que se limitaram os exercícios, os gestos e movimentos, quer por parte dos alunos, quer por parte de quem deveria ministrar as aulas, mas que se limita a executar um conjunto bem definido de tarefas. Surgiram assim marcas registadas de aulas de grupo .

Nos health clubs permanecem problemas antigos, como o enorme número de funcionários em regime de part-time, a falta de formação desses funcionários, uma abordagem pouco profissional em termos de gestão, uma falta de procedimentos operacionais, uma abordagem ao negócio como se não fosse um negócio de prestação de serviços e uma grande flutuação de funcionários (IHRSA Institute, 2000).

Os nossos instrutores deixaram de ensinar e passaram a representar.

Mike Chaet

Durante algum tempo, as universidades estavam essencialmente orientadas para formar profissionais vocacionados para o ensino escolar e para a competição. Ignoraram a área chamada de recreação e lazer e não assumiram a formação de profissionais de fitness. Assim, abriram espaço para a iniciativa privada, para as empresas como a CEFAD, a Promofitness, CEF, etc.

Identifiquei ao longo destes anos o perfil de vários tipos de profissionais de musculação:

  • GM – Guarda de Máquinas
  • CR – Contador de Repetições
  • FI – Fomentador de Intimidades
  • AM – Actina e Miosina
  • R – Recepcionista (recentemente criado pela nova indústria do fitness)

Alguns destes profissionais evoluem na sequência anteriormente apresentada. Provavelmente necessitamos de um cruzamento entre todos estes tipos de profissionais para conseguirmos um supervisor de sala de musculação mais completo e equilibrado. Na nossa perspectiva, um bom professor necessita (ver 21 características de um bom personal trainer):

  1. Paixão por aquilo que faz
  2. Atitude positiva em relação ao seu trabalho
  3. Utiliza ferramentas simples com mestria
  4. Lidera através do exemplo
  5. Persistente
  6. Fanático por desenvolvimento pessoal
  7. Sabe colocar-se no lugar dos seus alunos
  8. Coloca as pessoas acima de tudo (metodologias, equipamentos… regras…)
  9. Tem sempre uma visão daquilo que quer
  10. Conhecimentos técnicos
  11. Equilíbrio ideal-real
  12. Vai criando a sua própria metodologia de treino
  13. Centra o seu trabalho no aluno
  14. Curioso
  15. Integridade
  16. Não abdica dos princípios de treino
  17. Capacidade de adaptação e flexibilidade
  18. Sabe escutar e cuida da proxémica
  19. Humilde
  20. É um educador!
  21. Dá sempre o seu melhor!

No mercado da formação de profissionais de fitness, deparamo-nos com ginásios que realizam formação interna (muito poucos), mas a grande maioria recorre a empresas externas, envia os seus profissionais a centros de formação. No entanto, o mais comum é que sejam os profissionais do fitness a realizar cursos e formação por iniciativa própria, sem apoio nem incentivo por parte dos seus patrões.

Os centros de formação apresentam cursos de carácter generalista onde se abordam várias temáticas (exemplo: curso de instrutores da Promofitness) e cursos mais específicos das grandes áreas de intervenção: meio aquático, musculação, aulas de grupo e treino personalizado.

Durante algum tempo, as Universidades com cursos dedicados à actividade física e desporto, não reconheciam o fenómeno do fitness, a actividade física realizada em ginásios privados, por isso formavam profissionais para o limitado mercado da alta-competição e para o ensino da educação física escolar. Nos últimos dez anos, têm vindo a modificar a sua estratégia, quer através de pós-graduações, quer pela inclusão de conteúdos algo relacionados com as actividades de ginásio, bem como pela crescente colaboração em estágios e eventos realizados nesta indústria do fitness. As grandes cadeias realizam também formação externa que qualquer indivíduo pode frequentar. Depois temos as várias empresas privadas já mencionadas e organizações nacionais e internacionais que fornecem essencialmente ao mercado certificações, das quais se destacam as mundialmente reconhecidas do American College of Sports Medicine, da National Strength and Conditioning Association e do American Council on Exercise. Estas organizações nas suas tendências para 2010 salientam a importância de obter credenciais profissionais adequadas e para a necessidade que o mercado do fitness tem de profissionais experientes e com formação.

Alguns ginásios reclamam que os professores levam os seus alunos embora porque criaram um grupo do qual são líderes, criaram uma tribo da qual são chefes. Por isso, quando por alguma razão têm de abandonar o ginásio onde trabalham, sobem a probabilidade de levar o seu grupo de alunos consigo.

Mas, estes ginásios treinam os seus professores? Preocupam-se com o desenvolvimento dos seus funcionários? O desenvolvimento de um funcionário num ginásio, deverá passar, entre outras coisas, por aspectos como:

  • Serviço a clientes
  • Sombras aos funcionários mais experientes
  • Formação contínua
  • Desenvolvimento pessoal
  • Treino de procedimentos
  • Integração na equipa de trabalho
  • Imagem
  • Instalações e equipamentos
  • Procedimentos de segurança

A formação tem de integrar os aspectos multifactoriais nos cursos técnicos específicos de musculação, hidro, etc. O marketing, a comunicação, a modificação de comportamentos, a motivação e outros aspectos importantes na intervenção em ginásios, têm de estar presentes no ensino de todas as técnicas específicas das várias actividades, quer ao nível do saber-fazer, quer ao nível do saber-estar, quer ao nível do saber-ensinar.

Salienta-se também a importância de centrar os conteúdos dos cursos de formação em grandes princípios e não em receitas e programas pré-definidos, a fim de não retirar a componente criativa dos seres humanos (treinadores/professores) que estão em contacto directo com os outros seres humanos (alunos/clientes). A grande preocupação por padronizar actos humanos, por parte das grandes cadeias de ginásios tem tido um impacto forte nos conteúdos dos cursos de formação. Mas não nos podemos esquecer que os pequenos e médios ginásios representam mais de 90% do mercado e têm outras necessidades ao nível de formação profissional.

A relação sócio-funcionários é um dos factores mais importantes para a retenção de sócios nos ginásios. Mas… quantas interacções temos com os nossos clientes? Que temos feito para aumentar a qualidade dessas interacções? Numa sala de musculação, com 30 clientes e um professor que procure dar um minuto de atenção a cada cliente, acabará no final por conseguir 2 interacções com esse grupo de pessoas durante uma hora. Mas para tal, terá de se esforçar por conseguir esse objectivo, e deverá estar liberto nessa hora de funções como a elaboração de programas de treino ou triagem de alunos. Terá ainda de gerir bem o seu tempo para conseguir efectuar um bom “carrocel” de interacções (distribuir um pouco de atenção a toda a gente). Para tal, necessita de boas competências relacionais, de comunicação e empatia.

Treinei em 8 países diferentes em mais de 50 ginásios diferentes, fora as centenas que visitei e alguns locais de estágio. Frequento ginásios desde 1988 e sou formador há pelo menos 15 anos de cursos generalistas e específicos de curta e longa duração nas áreas de marketing, gestão de ginásios, musculação e treino personalizado. Desenvolvi várias equipas de trabalho e profissionais individuais. E a minha percepção global da actuação dos profissionais portugueses é boa. No entanto, falta uma perspectiva mais centrada nos clientes, algumas técnicas de gestão que permitam distribuir mais atenção pelos clientes, mais ambição, maior produtividade no tempo de trabalho, mas… Talvez a grande diferença esteja na comunicação, no trabalho em equipa e na existência de uma metodologia de trabalho própria. Para isso necessitamos líderes, bons líderes para esses profissionais. Infelizmente, a indústria portuguesa tem contratado mais gestores do que líderes. A formação poderá ajudar, uma intervenção para alterar processos com uma abordagem tipo “coaching” poderá fazer grandes mudanças de melhoria, mas a atitude dos profissionais e sobretudo dos seus líderes terá de mudar sem nunca deixar de centrar toda a sua acção no cliente. Será com uma perspectiva de marketing (centrada nas necessidades do cliente) e não de vendas (centrada nas nossas necessidades), será com uma abordagem mais forte ao nível das relações públicas (acções indirectas para conseguir que os outros digam que somos bons) e menos intensa na publicidade (dizer que somos bons) que poderemos captar e manter mais pessoas para os nossos ginásios.

Testes de condição física em ginásios

Abril 17, 2010 Paulo Sena 1 comentário

O problema não está nos testes de avaliação da condição física, mas sim naquilo que fazemos com os seus resultados.

Com a ânsia do exercício por medida, lançamo-nos na busca de instrumentos que classifiquem os clientes para, em função disso, prescrevermos exercício físico. Usamos até a palavra anamnese mais utilizada por médicos e psicólogos, a fim de obter mais credibilidade no processo de realização de testes de condição física.

Realizam-se testes que têm vindo a generalizar-se nos ginásios para determinar a condição inicial dos indivíduos que começam um programa de exercício físico. Para dar uma imagem mais profissional e depois, ironicamente, evitar que os participantes registem diariamente o seu progresso e também permitirem, em muitos casos, ser uma forma dos ginásios obterem mais algum dinheiro dos seus clientes, promovendo a aquisição de serviços de treino personalizado.

Durante anos fui completamente fanático por testes de condição física. Comecei a realiza-los sem grande equipamento. Era uma preocupação constante. Tentava encontrar protocolos ideais para as populações com as quais trabalhava nos ginásios. Embora fosse pouco prático e realista, não falhava uma palestra sobre o assunto e questionava todos os médicos e profissionais do exercício para obter as respostas definitivas.

Com o tempo verifiquei que os testes não serviam muito bem o meu propósito. Pretendia fazer uma triagem dos indivíduos que chegavam à minha sala de musculação. Queria ter valores como ponto de partida para escolher as cargas com as quais eles iam trabalhar nos meses seguintes. Mas, se o primeiro objectivo era conseguido, a situação das cargas era uma história completamente diferente. Tinha uma tremenda preocupação de quantificar, de seguir as normas do American College of Sports Medicin – ACSM, da National Strength and Conditioning Association, do American Council on Exercise, por serem as grandes organizações mundiais de referência. Por outro lado, queria sentir-me seguro.

Os objectivos dos testes de condição física são (ACSM,2009):

  • Obter dados que sejam úteis para efectuar prescrições de exercício.
  • Recolher dados que sirvam como ponto de partida e uma forma de acompanhar o progresso por parte dos participantes nos programas de exercício físico.
  • Motivar os participantes, estabelecendo objectivos em termos de condição física, razoáveis e possíveis de conseguir.
  • Educar os participantes acerca dos conceitos de condição física e estado individual de condição física.
  • Estratificação de risco.

Tais testes poderiam incluir uma anamnese, ou seja, uma entrevista inicial para estabelecer um diagnóstico inicial, um ponto de partida. Assim se conseguiria uma estratificação de risco para melhor programar e prescrever as actividades. Obter um historial médico, um conhecimento sobre as necessidades pessoais, sobre as crenças em relação à actividade física e indústria do fitness em geral, a forma como reagem ao stress colocado pelo exercício e pelo seu dia-a-dia, bem como o tipo de apoio social de que dispõem, seria uma forma de começar.

Foto de um nu feminino, cerca do ano 1900, cuja relação cintura-anca se aproxima do "ideal" 0,7.

Depois, poderíamos analisar a composição corporal do indivíduo (medição de pregas cutâneas, métodos antropométricos como o Indíce de Massa Corporal – IMC ou medição dos perímetros anca/cintura e/ou circunferências, bioimpedância, infravermelhos, bodpod, etc.).

Seguidamente poderíamos realizar uma avaliação da endurance cardiorespiratória de forma máxima ou sub-máxima. Os protocolos são vários, utilizam diferentes instrumentos (bicicleta, steps, passadeiras…), baseiam-se na leitura da frequência cardíaca, na sua relação linear com o consumo de oxigénio e por vezes têm em conta a escala de esforço percebido de Borg. Protocolos Bruce, YMCA, Astrand, Conconi, são alguns dos mais utilizados.

Finalmente avaliaríamos a condição muscular: força, endurance e flexibilidade, através de testes de flexões de braços, abdominais, flexões de pernas, movimentos realizados em máquinas de musculação ou com a utilização de dinamómetros.

Os primeiros testes de condição física que efectuei no início dos anos 90, consistiam num questionário de saúde e hábitos de exercício, Índice de Massa Corporal – IMC, relação cintura/anca e mais tarde incluí a medição de duas pregas cutâneas (abdominal e tricipital), um teste de step com um metrónomo para avaliar a endurance cardiorespiratória, flexões de braços modificadas para a força muscular e o teste de flexibilidade de sentar e alcançar. Tardavam cerca de 30 minutos. Apesar de ter originado uma forma de melhor organizar as actividades, levando ao sistema de marcações das primeiras sessões de treino que melhorou significativamente o serviço prestado, denotavam alguns problemas de objectividade que ainda hoje subsistem.

Os problemas da avaliação da condição física

Nas centenas de testes de condição física que efectuei em ambiente de ginásio, surgiram inúmeros desafios que colocaram e colocam em causa a forma como são realizados e principalmente utilizados os testes de condição física.

A palavra avaliação é a primeira barreira intimidatória. Num ambiente de ginásio intitulado como recreativo, onde as pessoas pagam sobretudo pelo acesso às instalações, é-lhes apresentada uma avaliação, um conjunto de testes. Por um lado poderá ser visto como um teste médico de elevada reputação, tendo como consequência depois a exigência de um resultado de elevado rigor científico.  Por outro lado, poderá ser visto como uma forma de classificar, delimitar o estado em que o indivíduo se encontra. Esta perspectiva, na maioria dos casos não se apresenta muito positiva devido ao estado em que a população geral se encontra. Podendo ter consequências negativas na percepção com que as pessoas ficam do seu estado físico inicial.

Se o tempo dispensado na primeira avaliação da condição física poderá ser muito útil para efectuar uma triagem inicial dos participantes. Por outro lado, as reavaliações constantes para mudar o programa de exercícios, já é de utilidade duvidosa. Se cada pessoa tiver de mudar um programa de treino a cada 2 meses, será necessário ter um profissional exclusivamente dedicado a efectuar testes de condição física aos clientes durante todo o dia de funcionamento do ginásio. Isto num local com uns 400 ou 500 sócios, pois se tiver mais utilizadores o problema agrava-se.

Se necessitamos de testes para verificar o progresso do sócio, isso significa que não há um registo de treino diário, transformando a avaliação da condição física na única forma de verificar a evolução ou não do sócio com o seu programa de treino específico. Com um bom registo de treino já não achamos tão útil a realização de outra avaliação da condição física com testes e mais testes.

Os testes, a avaliação, implicam rotular as pessoas de acordo com os resultados obtidos e as tabelas existentes. Ao nível da condição física, a maioria das tabelas de referência são de populações americanas. Classificar as pessoas, comparando-as com outras piores é uma coisa, mas quando as comparamos com pessoas melhores e melhores valores de referência, podemos vir a ter de rotular os novos clientes como “obesos mórbidos”, “fracos”, “muito fracos”. O ideal é que as cargas utilizadas no primeiro mês de treino sirvam como referência para o aluno se comparar consigo próprio em situações futuras. Bastante útil quando regressam de férias, quando se lesionam, quando estiveram doentes, quando deixaram de treinar num período de tempo mais prolongado. Mais tarde, quando a confiança aumentar, e se o aluno o desejar, poderá comparar os seus valores aos de outros indivíduos. Embora a partir do momento que inicie o processo de treino, essa comparação seja inevitável ao treinar ao lado de outros sócios do ginásio.

Alguns métodos de medição da percentagem de gordura implicam que as pessoas se dispam e não é fácil criar uma situação neutra que agrade à grande maioria das pessoas. É constrangedor pedir a alguém que não nos conhece que venha de bikini na segunda sessão de treino. A forma como se pede, torna-se importante, a explicação do porquê, ainda mais. São situações delicadas que, num universo grande de sócios, podem ser evitadas, utilizando numa fase inicial métodos de avaliação da composição corporal como a bio-impedância (que embora não seja o mais fiável, poderá dar algumas indicações).

Os testes que realizamos implicam aprender a fazer os exercícios e o componente técnico vai influenciar os resultados obtidos nos testes. Os testes serão sempre uma situação de tentativa e erro na descoberta do nível de força ou resistência que o indivíduo demonstra em determinado exercício, em determinada máquina. Afinal o que necessitamos é conhecer a carga inicial para ensinar um exercício. Chamemos-lhe teste ou não, tentativa e erro. Obviamente que, quanto mais utilizadores passarem pelo nosso ginásio a utilizar os nossos equipamentos, mais facilmente acertamos nas cargas iniciais a utilizar nas diversas máquinas.

As primeiras sessões são de aprendizagem e introdução ao exercício. Coisas simples mas que permitam ao aluno obter resultados e ir conquistando alguma autonomia. Dizer ao aluno como se faz e deixar que ele o faça, que mexa nas máquinas, que seleccione as cargas, que realize os ajustamentos, etc, a fim de conseguir quatro objectivos importantes das primeiras sessões de treino:

  • simples
  • aprendizagem progressiva
  • baixa intensidade
  • atenção redobrada

Proposta para as primeiras sessões de treino

Em vez de centrar tanta atenção numa grande sessão de avaliação da condição física, apresenta-se aqui uma proposta para organizar as primeiras sessões de treino com 3 sessões de treino personalizado ou numa situação de um professor para 2 alunos.

Sessão 1 (orientação/cárdio)

  • Entrevista e preenchimento do questionário (exemplo de questionário).
  • Medição da pressão sanguínea
  • Estratificação de risco.
  • Estabelecer uma zona alvo de treino entre 60 a 90% da frequência cardíaca máxima (220-idade)
  • Cárdio: o objectivo será encontrar o nível de exigência da máquina que leve a frequência cardíaca a estabilizar na zona alvo de treino definida.

Sessão 2 (cárdio e metade do programa de musculação)

  • O aluno conhecendo o equipamento cárdio, realiza um tempo de exercício em função daquilo que realizou na primeira sessão de treino e em função daquilo que ele acha ser capaz de realizar. Sempre com o objectivo de se aproximar de 20 minutos (um tempo de treino que equilibra o tempo necessário de estímulo com os constrangimentos de espaço e equipamentos de todos os ginásios).
  • Seguidamente, na hora marcada, o professor realiza o reconhecimento de metade dos exercícios que constituirão o programa de musculação.

Sessão 3 (cárdio e a outra metade do programa de musculação)

  • O aluno conhecendo o equipamento cárdio, realiza um tempo de exercício em função daquilo que realizou na segunda sessão de treino e em função daquilo que ele acha ser capaz de realizar. Sempre com o objectivo de se aproximar de 20 minutos (um tempo de treino que equilibra o tempo necessário de estímulo com os constrangimentos de espaço e equipamentos de todos os ginásios).
  • Seguidamente, na hora marcada, o professor realiza o reconhecimento da outra metade dos exercícios que constituirão o programa de musculação.

Nas primeiras sessões de treino o professor ensina sobre:

  • a aplicação do princípio de sobrecarga e da acção retardada,
  • a técnica do exercício cárdio escolhido,
  • a zona alvo de treino e escala de percepção de esforço (Escala de Borg),
  • importância de alguns hábitos alimentares e de estilo de vida,
  • respiração (a não utilização de chicletes) e velocidade de execução na musculação,
  • informar sobre dores musculares,
  • utilização do registo de treino,
  • técnicas de execução específicas dos exercícios e alguns princípios de segurança na utilização do equipamento e do ginásio.

Conseguimos com esta organização cumprir os objectivos da avaliação física acima mencionados. Obter dados úteis para efectuar a prescrição do treino através do questionário, da entrevista e da primeira sessão cárdio, obtendo assim um ponto de partida para ir traçando pequenos objectivos nas futuras sessões de treino.

Tendo um registo de treino diário, a leitura directa dos valores, facilita o controlo do progresso nos vários exercícios, permitindo estabelecer objectivos específicos e motivar os alunos.

Tendo a preocupação de ensinar além das técnicas de exercício, a forma de controlar o esforço com a frequência cardíaca e a escala de esforço, os princípios de treino de sobrecarga e acção retardada, contribuímos para educar os nossos alunos e para que estes adquiram alguma autonomia.

Conhecer a tolerância ao esforço e a real aptidão do indivíduo de acordo com os desafios físicos progressivos que lhe vão sendo colocados.

Comentário final

Se não conseguimos medir a força de um indivíduo, então não podemos definir força.

Arthur Jones

Como profissionais de actividade física, iremos sempre correr riscos que não serão eliminados por uma exame médico ou por seguirmos as normas das grandes organizações de medicina desportiva e exercício. No entanto, com algum bom senso, uma boa triagem inicial de clientes e um aumento progressivo da intensidade de treino após um tempo de conhecimento aprofundado dos alunos ao longo do processo de treino (observando a forma como este reage ao esforço), irá por certo fazer com que o risco se reduza e a confiança no nosso trabalho aumente.

Assumindo que o exercício físico implica esforço, significa submeter o corpo a uma exigência à qual não está habituado, suportados pelos sinais de esforço, na triagem, no apoio médico e no conhecimento do indivíduo ao longo do processo de treino, da forma como reage ao stress do treino, ao estímulo.

Um controlo dos sinais de esforço, um questionário cuidadoso ao aluno, a combinação entre a leitura da frequência cardíaca e a real percepção de esforço dos alunos, fará uma forte ponte entre o ideal e o real, entre a teoria e a práctica. E mais uma vez chamo à atenção de todos os profissionais para a necessidade de tratar os alunos como pessoas e não se limitarem a prescrever exercício.

Mais importante do que escolher uma bateria de testes, é criar empatia com o cliente, realizar uma boa entrevista/bom questionário e traçar o perfil de risco, para depois nos centrarmos nas primeiras sessões de treino como as mais importantes no processo de integração do sócio e de iniciação ou retoma da actividade física no contexto específico dos ginásios.

Ao escolher um protocolo de avaliação da condição física devemos seleccionar movimentos simples e testes rápidos, eficazes, que sejam o menos intimidatórios possível e mais integradores dos novos sócios.

Como gostaríamos de iniciar a nossa participação numa nova actividade? Pensemos nisso e a nossa abordagem para com os novos sócios terá uma atitude mais informal e integradora, diluindo os processos formais de estratificação e obtenção de dados para prescrição de uma forma mais agradável para o cliente.

Referencias Bibliográficas

ACSM (2009). ACSM’s Resource Manual for Guidelines for Exercise Testing and Prescription, 6th ed. Lippincott Williams & Wilkins

Triagem e estratificação de risco

Quando os nossos alunos chegam ao ginásio pela primeira vez, não os conhecemos. Existem pessoas saudáveis, mas outros têm algumas limitações funcionais, apesar de aparentarem estar de boa saúde. E o contrário também acontece. Pela sua aparência não conseguimos saber se têm problemas cardíacos ou saber se têm problemas articulares, pela sua aparência não conseguimos saber se têm ou não limitações para a prática do exercício físico.

Segundo o ACSM (2009) a triagem inicial dos participantes em actividades físicas organizadas, serve para:

  • Identificação e exclusão dos indivíduos com contra-indicações médicas em relação ao exercício físico.
  • Identificação dos indivíduos com sintomas de doença e factores de risco para o desenvolvimento de doenças e que devem receber avaliação médica antes de começarem um programa de exercício físico.
  • Identificação das pessoas com considerações clínicas de doença significativas as quais deveriam participar num programa supervisionado por um médico.
  • Identificação dos indivíduos com outras necessidades especiais.
  • Nem todos os ginásios estão organizados nesta área, nestes procedimentos e como não queremos que nos acusem de negligência deveremos como professores tomar medidas preventivas.

Factores de Risco de Doenças Coronárias

Normalmente, aumentar o nível de actividade física é uma situação segura para a maioria das pessoas, sobretudo se a actividade física é regular e orientada por alguém credenciado e com algum bom senso na sua actuação. No entanto, algumas pessoas deveriam aconselhar-se com o seu médico antes de aumentarem o seu nível de actividade física.

Existem várias contra-indicações médicas para a prática do exercício físico, portanto convém identificar os factores de risco. Algo que pode ajudar é um questionário administrado a todos os indivíduos com a finalidade de identificar indivíduos em risco elevado. Existe um questionário designado por Par-Q, um questionário muito simples criado no Canadá. Mesmo os questionários simples podem eficazmente identificar muitas pessoas com um elevado risco e podem aumentar a segurança do exercício físico sem supervisão.

Este tipo de questionários deve ser preferencialmente interpretado por um staff qualificado para o efeito (ACSM, 1998). Devido aos potenciais riscos assumidos pelos operadores de instalações de saúde/fitness, recomenda-se que todas as instalações que forneçam supervisão documentem os resultados da triagem (ACSM, 1998).

Devem ser efectuados todos os esforços para educar os potenciais novos sócios, acerca da importância de obterem um check-up médico e recomendada uma avaliação médica antes de iniciar a participação em actividades físicas.

Sem uma análise através de um questionário, é impossível determinar se uma pessoa está em risco para participar em determinado tipo de aula ou não.

Os questionários não retiram os riscos, mas condicionam o comportamento dos professores e funcionários para com o indivíduo que preenche o questionário, podendo fazer adaptações dos exercícios nas aulas.

Pessoas identificadas como de elevado risco, ou com doença cardiovascular diagnosticada e que se recusem a fazer uma avaliação por um profissional médico, e aqueles que não completem o questionário em certos países como os E.U. podem ser excluídos das actividades pois a lei assim o permite. Em Portugal a pouca legislação existente exigia até há pouco tempo um atestado médico.

Pessoas sem sintomas e sem historial de doença cardiovascular que não tenham obtido uma avaliação médica, quando completarem o questionário deverão assinar um termo de responsabilidade e assunção de risco. O problema está na validade legal dos documentos. No entanto, deveremos caminhar na vanguarda da indústria e apesar da legislação ser quase nula em Portugal, o mais natural é que a nível legal as coisas evoluam no sentido dos países mais desenvolvidos e portanto, no sentido daquilo que foi aqui referido como exemplo.

Os factores de risco:

  1. Idade. Homem>45 anos; mulher > 55 ou menopausa prematura sem terapia de reposição de estrogénios
  2. História familiar. Enfarte de miocárdio ou morte súbita antes dos 55 anos de idade no pai ou outro familiar de primeiro grau, ou antes dos 65 anos de idade na mãe ou noutra familiar de primeiro grau
  3. Ser fumador
  4. Hipertensão. Pressão Sanguínea >140/90 mm Hg, confirmada com medições em pelo menos 2 ocasiões separadas, ou em medicação antihipertensiva
  5. Hipercolesterolemia. Colesterol total > 200 mg/dL (5.2 mmol/L) (se não houver um perfil lipoproteíco disponível) ou HDL < 35 mg/dL (0.9 mmol/L)
  6. Diabetes mellitus. Pessoas com diabetes mellitus insulino-dependentes que sejam >30 anos, ou que tenham este problema à mais de 15 anos, e pessoas com diabetes mellitus não insulino-dependentes que sejam >35 anos de idade deverão ser classificados como possuidores desta doença.
  7. Estilo de vida sedentário/inactividade física. Pessoas pertencentes aos 25% da população menos activa, como definido pela combinação de empregos sedentários que implicam estar sentado a maior parte do tempo durante o dia e sem exercício regular ou actividades recreativas activas.

Factor de risco negativo. Critério de definição:

  1. HDL. > 60mg/dL (1.6 mmol/L)

Notas: (1) É habitual somar os factores de risco ao efectuar decisões clínicas. Se o HDL estão altas, deve-se subtrair um factor de risco da soma dos factores de risco positivos, como as HDL elevadas diminuem o risco de doença cardíaca; (2) A obesidade não está referida como um factor de risco positivo independente porque os seus efeitos são exercidos através de outros factores de risco (por ex: hipertensão, hiperlipidemia, diabetes). A obesidade deveria ser considerada como um alvo independente de intervenção.

Consoante os factores de risco, os alunos que iniciam a actividade física classificam-se em função dos riscos anteriormente descritos, em 3 grandes grupos: aparentemente saudáveis, risco aumentado e doença diagnosticada.

  1. Aparentemente Saudáveis: indivíduos que são assintomáticos e aparentemente saudáveis com não mais do que um factor de risco coronário
  2. Risco Aumentado: indivíduos que têm sinais e sintomas que sugerem uma possível doença cardiopulmonar ou metabólica e/ou dois ou mais factores de risco coronário
  3. Doença Diagnosticada: indivíduos com uma doença cardíaca ou pulmonar diagnosticada

Assim, com um simples questionário oral ou escrito, podemos estratificar o conjunto de alunos que nos chega aos ginásios e realizar uma triagem dos mesmos, orientando-os para as actividades mais adequadas, condicionando a realização de algumas aulas ou apenas de algumas actividades e colaborando na sua reabilitação.

Muito mais importante do que uma avaliação da condição física, o questionário cuidadoso, ajudará a elaborar melhores e mais eficazes programas de treino.

Bibliografia

ACSM (2009). ACSM’s Resource Manual for Guidelines for Exercise Testing and Prescription, 6th ed. Lippincott Williams & Wilkins

Canada’s Physical Activity Guide to Healthy Active Living, Health Canada (1998) http://www.hc-sc.gc.ca/hppb/paguide/pdf/guideEng.pdf

ACSM (1998). AHA/ACSM Joint Statement: Recommendations for Cardiovascular Screening, Staffing, and Emergency Policies at Health/Fitness Facilities [Online] http://www.acsm-msse.org/ [29 de Julho de 2002].

Em casa 1.0

Quando se fala em rotinas de treino de especialização, pensamos logo em dividir o treino por grupos musculares numa tentativa de fazer mais para conseguir melhores resultados. Como já vimos anteriormente isto é normalmente errado, pois quantidade não significa qualidade nem uma produção de resultados superior por parte do nosso organismo. Não conseguimos acelerar os processos biológicos a não ser com drogas.

Convém não esquecer que enquanto se fazem progressos com uma rotina de treino, não existe necessidade de mudança. O progresso é o grande objectivo. A isto devo acrescentar que não existem rotinas de treino milagrosas e que 99% das vezes a culpa da não progressão não é a rotina de treino, não é a combinação de exercícios. Não é pelo facto de se efectuar remo com barra em vez das elevações na barra que se vai progredir mais. Mais importante do que tudo isso é na maioria dos casos a forma como se executam os exercícios, a intensidade de trabalho aplicada em cada repetição de cada série, de cada exercício e possivelmente depois o descanso entre treinos e a alimentação.

As rotinas de especialização deveriam ser aplicadas a quem tem uma boa base em termos de treino com exercícios multiarticulares e que atingiu níveis de força significativos. Alguns autores apontam valores em termos de força que rondam os do seguinte exemplo: para um indivíduo de 70 kg ser considerado um aluno avançado, teria de ser capaz de efectuar 10 repetições com 110kg no agachamento, 10 repetições com 95kg, 8 repetições de curl com barra com 40kg, ou 8 repetições no press de ombros com 50kg. Ora, estes valores são algo significativo independentemente da velocidade de execução e representam a força de alguém que treina há algum tempo e que provavelmente possui um bom potencial para o desenvolvimento de força. Para além disso, o aluno em causa deverá dominar tecnicamente os exercícios que utiliza.

Claro que existem situações em que se torna mais premente a utilização de um trabalho especializado: reabilitação, grandes desequilíbrios musculares e possivelmente quebrar um pouco o aborrecimento causado pela aplicação da mesma rotina num prolongado período de tempo.

A base do treino para a maioria das pessoas deverá ser sempre uma rotina de treino generalista que inclua bastantes exercícios multi-articulares. Quando se decide efectuar uma especialização, esta não deverá prolongar-se por muito tempo. Após a especialização deveremos voltar a efectuar uma rotina generalista durante uns tempos, antes de efectuarmos nova especialização.

Uma rotina de treino de especialização deverá manter exercícios multiarticulares de grande impacto generalista e metabólico para o nosso corpo, por ex: supino, agachamento, peso morto, elevações na barra, ou remo com barra; deverá incluir pelo menos um exercício por grande grupo muscular para manter os níveis de força conseguidos até então; por último, deverá incluir um grupo adicional de exercícios para a parte do corpo que foi escolhida para a especialização.

Essas rotinas não deverão ser longas nem devem manter-se durante muito tempo. Ex.: escolher 3 exercícios para a área de especialização 8 exercícios que estimulem o grupo muscular através de vários ângulos, 4 ou cinco exercícios para manter os níveis de força atingidos nos outros grupos musculares e 2 ou 3 exercícios de grande impacto. A concentração neste tipo de trabalho de especialização, deverá estar na parte da rotina dedicada ao grupo muscular alvo, mas não se pode descuidar totalmente o resto do corpo. Assim, deveremos efectuar exercícios para os outros músculos mantendo os mesmos pesos apesar de não tentarmos voluntariamente melhorar nestes exercícios, uma vez que a nossa atenção estará voltada para os exercícios de especialização.

Não quero desiludir ninguém, mas não é através de um trabalho de especialização ou de um trabalho de grande quantidade de exercícios para um grupo muscular que conseguimos esconder os nossos pontos fracos. Alguém que nasce com ombros estreitos, um tronco com pouca massa muscular e umas coxas volumosas com músculos protuberantes, não conseguirá inverter a situação. Poderá atenuar as diferenças, mas não poderá nunca (sem recorrer a cirurgia estética) atingir níveis de massa muscular de alguém geneticamente dotado com um tronco muito desenvolvido e com muito potencial a esse nível. Um dos grandes problemas da indústria do fitness são as expectativas irreais que os anúncios colocam nas pessoas, as quais por sua vez demandam coisas impossíveis aos professores e sobretudo às suas rotinas de exercícios como um doente procura os comprimidos mágicos para curar a sua doença. Acredito no entanto, que muito mais se pode fazer para melhorar os resultados que a grande maioria dos alunos obtém nos ginásios, mas tal não passa em grande medida pelas diferentes combinações de exercícios e por sua constante alteração.

As rotinas de treino devem ser periodicamente alteradas, mas devemos aguardar algum tempo para que estas produzam resultados, pelo menos o tempo suficiente para os alunos dominarem tecnicamente os movimentos em vez de mudar as rotinas de treino todas as semanas. Coisas como a técnica de execução, o descanso entre exercícios, a sequência dos exercícios, a velocidade de execução, são variáveis suficientes para criar uma grande mudança no treino e já assim conseguem lançar a confusão quando pretendemos descobrir qual a variável do treino que motivou o progresso novamente.

Rotina de treino em casa 1.0:

  1. Agachamento
  2. Agachamento
  3. Agachamento
  4. Flexões de braços com os joelhos apoiados
  5. Flexões de braços com os joelhos apoiados
  6. Flexões de braços com os joelhos apoiados
  7. Encolhimentos abdominais
  8. Encolhimentos abdominais
  9. Encolhimentos abdominais

Frequência: 2 a 3 vezes por semana

Intensidade: 1 série por cada exercício em que a falha muscular ocorra entre os 60 e os 90 segundos.

Progressão:

a) aumentar as repetições ou tempo em carga de cada série de exercício;

b) diminuir descansos entre exercícios;

c) mudar para a rotina “em casa 2.0”

Adaptações: para os iniciados com mais dificuldades, os agachamentos podem ser inicialmente realizados de forma parcial sem baixar as coxas até ficarem paralelas ao solo; as flexões de braços podem ser realizadas contra a parede. Combinar este treino com uma sessão de caminhada/corrida, um passeio de bicicleta ou uma ida à piscina 2 ou 3 vezes por semana, poderia também ser muito interessante.

Ensinar Exercícios de Musculação

Podemos ser muito bons a executar os exercícios de musculação, mas para sermos bons a ensinar os outros, isso não é suficiente. Se isso bastasse, os melhores atletas do mundo seriam sempre os melhores treinadores do mundo.

McRobert (2000) recomenda que ao procurar um treinador procuremos observa-lo a treinar um cliente e verificar se:

  1. A técnica que ele ensina é a mais correcta?
  2. Corrige e demonstra preocupações com a técnica de execução antes e durante os exercícios que o aluno executa?
  3. Modifica os exercícios de acordo com as limitações que o aluno possa ter?
  4. Regista rigorosamente o treino em cada exercício realizado?
  5. Carrega as barras de forma cuidadosa e segura?
  6. Apoia e motiva o aluno?
  7. Está concentrado no seu trabalho ou distrai-se muito com aquilo que o rodeia?

Algumas Indicações Para Ensinar Um Exercício de Musculação

O processo de formação de um professor é também um processo de treino. Treina-se a observação, a qual, nas primeiras vezes que observamos alguém a treinar apenas nos permite detectar erros grosseiros e que após anos de prática nos permite chegar até aos detalhes. Treina-se a comunicação verbal e gestual de acordo com o tipo de aluno. Treina-se o posicionamento corporal em relação ao aluno. Reflecte-se sobre experiências passadas, aprendendo com os erros e fazendo do aluno mais difícil o nosso maior desafio.

Ensinar os exercícios de musculação aos alunos, exige processos simples, uma observação treinada e um vocabulário de palavras e gestos capazes de modelar a execução do aluno inseguro.

Os pontos que se seguem são fundamentais para efectuar um exercício de forma segura e adequada:

  1. Breve indicação dos principais grupos musculares que vão ser trabalhados: ex: “- Este exercício trabalha os músculos da parte da frente da coxa”.
  2. Seleccionar o peso adequado e no caso dos pesos livres, certificar-se de que as medidas de segurança foram tomadas (por ex.: colocação dos apertos nas barras).
  3. Efectuar os ajustamentos da máquina (ensinar como se faz e depois e deixar que o aluno os faça).
  4. Em muitos locais e por uma questão de higiene é colocada a toalha sobre o assento ou encosto da máquina (explicar como e onde, mas deixar que o aluno realize a tarefa).
  5. Entrar para a máquina e/ou posicionamento e pega adequada do peso desde os apoios para a posição inicial de execução do movimento (sobretudo a quando de exercícios com pesos livres).
  6. “Carregar” progressivamente os músculos em causa, evitando um movimento inicial brusco. Ou seja, começar a fazer força contra o peso de forma progressiva.
  7. Efectuar as repetições necessárias de forma adequada (de preferência até à falha muscular positiva). Com suavidade e concentrado no movimento dos segmentos do corpo e na contracção muscular em vez de concentrar a atenção no peso.
  8. “Descarregar” progressivamente os músculos ao terminar o exercício, não pousando o peso abruptamente.
  9. Saída da máquina ou devolver o peso ao seu local de arrumação.

Antes de passar para outro exercício, convém limpar os assentos e/ou outras partes em que o aluno esteve em contacto com as almofadas da máquina, para que não se deixem restos de suor. E no trabalho com pesos livres, deixar as barras descarregadas e os discos ou halteres no seu devido lugar.

Bibliografia

McRobert, S. (2000). The insider’s tell-all handbook on weigth-training technique. Nicosia: CS Publishing

Endurecer os músculos

Março 11, 2010 Paulo Sena 3 comentários

Endurecer os músculos e combater a flacidez, está na ordem do dia! O Sol voltou, a Primavera vem a caminho, a malta não treina desde Agosto… Está tudo descaído!!!!!! Socorro!!!

Querem músculos mais firmes? Andam no ginásio? Estão fartos(as) de fazer cardio, transpirando, pensando que a gordura se vai com o suor e no entanto, a bunda continua descaída. Horas e horas de treino com resultados medíocres?

Tomem Acti-Mio XPTO!…

Naaaaa!!! Nada disso!

Tudo o que necessitam é melhorar: treino, sono e alimentação. Simples e eficaz! E mais importante do que isso: método possível de manter a longo prazo.

Treino

Fazer mais, com mais peso e mais intensidade no mesmo tempo de treino. Respeitar os princípios de treino. Para quem específicamente treina em ginásio: façam agachamentos com mais peso ou façam mais repetições com o mesmo peso, façam mais peso morto, remem mais em menos tempo.

Sono

Acordar todos os dias à mesma hora até o corpo “acertar” o seu relógio biológico. Dormir 8h para a maioria das pessoas.

Alimentação

6 refeições diárias que incluam proteína e fibras. Beber mais de 2L de água por dia.

Os resultados serão espantosos e duradouros! Afinal, ninguém quer um corpo funcional e bonito apenas por algumas semanas!

PONTO FINAL!