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Um dos lados interessantes da indústria do fitness

Junho 3, 2010 Paulo Sena 1 comentário

Há um lado interessante no movimento agressivo de vendas do mercado do fitness. Andam sempre a tentar vender máquinas novas associadas a “revolucionários” métodos de treino, mas de vez em quando revitalizam barras e halteres, kettlebells, yoga, tai-chi e meditação. Dão-lhe outros nomes, é certo. Mas permitem que muita gente desbloqueie a sua mente para usufruir de métodos e ferramentas eficazes que resistem ao tempo comodamente e se preparam para rejuvenescer.

Curso de coaching com Joaquín Dosil

Maio 5, 2010 Paulo Sena 1 comentário

A Força do Coaching: – será que as pessoas podem mudar? INSCREVA-SE!

segunda-feira, 17.05.2010

Hotel Tryp Porto Expo, Leça da Palmeira

A essência do coaching consistiria em libertar o potencial de uma pessoa para aumentar ao máximo o seu desempenho, ajudando-a a aprender em vez de ensinar. John Whitmore

Curso: A força do Coaching

Conseguimos por razões extraordinárias a oportunidade de ter connosco uma pessoa que alia a sua formação académica na área do comportamento humano à uma experiência no terreno na mudança de comportamentos. Não é fácil ter um orador que consiga uma boa ponte entre o ideal e o real, entre a teoria e a prática. O consagrado Prof. Joaquín Dosil irá ministrar um curso de coaching diferente de tudo aquilo a que estamos habituados. Na sua prática, os resultados são muito importantes. Na nossa prática, o que queremos é mudar para melhor. Queremos também… Sucesso! Assim, temos a pessoa ideal para nos ajudar nesse sentido. Não percam esta oportunidade!

OBJECTIVO

No final do curso os participantes terão à sua disposição ferramentas de coaching para aplicarem no seu trabalho profissional diário: liderar pessoas.

A QUEM SE DESTINA:

Directores, gerentes, treinadores, líderes e qualquer profissional que tenha pessoas a seu cargo.

CONTEÚDOS

  1. Sou um bom chefe?
  2. O desafio do executivo: mudar atitudes
  3. Motivar os meus funcionários
  4. Comunicação eficaz: discurso 100%
  5. Vai ser sempre um trabalhador conflituoso?
  6. Posso ter facilmente uma atitude positiva?
  7. Problema: obstáculo ou desafio?
  8. Incluindo o coaching no meu dia-a-dia

INFORMAÇÃO

  • Data: 17 de Maio de 2010
  • Duração: 8 horas
  • Horário: das 9 às 13 e das 15 às 19
  • Preço: 200 euros
  • Lugares limitados
  • Local: Hotel Tryp Porto Expo, Leça da Palmeira (junto à Exponor)

CONTACTO e INSCRIÇÕES

Paulo Sena

paulo.sena@qcoach.es

Telemóvel: 933310429 ou 919398330

www.qcoach.es

O NOSSO CONVIDADO

Joaquín DosilJOAQUÍN DOSIL

Doutorado em Psicologia.

Professor na Universidade de Vigo.

Presidente da Sociedad Iberoamericana de Psicologia do Desporto, com mais de 25 países membros.

É coach de políticos, executivos e empresários. Considerado por muitos como um dos melhores especialistas mundiais no coaching dirigido a melhorar as pessoas (desenvolvimento profissional e pessoal). No coaching desportivo trabalha com treinadores profissionais de futebol, como Miguel Ángel Lotina (Deportivo de La Coruña) e com pilotos de Fórmula 1 ou Motogp, destacando-se o seu trabalho com Jorge Lorenzo (2 vezes campeão mundial de 250cc).

Autor de 17 livros sobre psicologia desportiva, entre eles “Psicología de la actividad física y del deporte” da McGraw-Hill, importante referência nos países de Língua Espanhola e “The Sport Psychologist´s Handbook” da Willey, actualmente manual em todo o mundo do coaching desportivo. Tem sido convidado para falar em várias conferências e congressos internacionais de coaching e psicologia do desporto em mais de 16 países.

INSCREVA-SE!

O meu primeiro treino com kettlebells

Maio 3, 2010 Paulo Sena 1 comentário
O meu primeiro treino com kettlebells

O meu primeiro treino com kettlebells

No passado Sábado, resolvi experimentar pela primeira vez uma ferramenta antiga: as kettlebells. Foi uma experiência extraordinária com um grau de dificuldade bastante elevado devido à exigência física, mas sobretudo ao desafio técnico. Sempre que utilizamos uma nova ferramenta ou realizamos novos exercícios, a aprendizagem técnica deverá ser o objectivo primordial, deixando de lado a performance física. Foi o que aconteceu. Passamos pelas grandes dificuldades de manusear um instrumento com um centro de massa colocado numa posição completamente diferente dos halteres ou das barras. Felizmente estive sempre sob a orientação de um especialista no assunto: Eduardo Fonseca.

Recomendo vivamente a experiencia. E se for possível num local tradicional como uma garagem com a respectiva extensão para o ar-livre, então a vivência estará completa.

De facto, os resultados no que respeita ao físico, adquirem-se percorrendo um caminho que não necessita de grandes instalações ou instrumentos sofisticados. Mais uma vez se reforça que: são as coisas simples muito bem feitas com emoção genuína que nos dão os melhores e mais duradouros resultados.

Serviço – Pessoas – Formação: uma perspectiva de 20 anos de ginásios

Abril 18, 2010 Paulo Sena 6 comentários

“Customer service is now for things that go wrong… your standards are way too low!” “Where,” Seth asked, “is the box where you check to pay more. I’ll pay more and you’ll be nice to me? Where is that??”

Seth Godin

Nos ginásios, vendemos aulas de grupo diversas: natação e actividades no meio aquático, musculação, treino personalizado, massagens, etc. Vendemos actos humanos! Chamamos-lhe serviços, que se caracterizam por serem intangíveis, por serem produzidos e consumidos no mesmo momento, que não podem ser transportados ou armazenados. São serviços pessoais, por vezes categorizados junto dos barbeiros, cabeleireiros, esteticistas, funerais, casamentos, fotógrafos, alfaiates e modistas. Mas têm uma característica importante: um forte componente social.

Apelam portanto à necessidade dos seus profissionais terem boas competências relacionais para além das técnicas, a fim de conseguirem transformar indivíduos sedentários em pessoas activas capazes de incorporar a actividade física nas suas vidas.

Se vendemos actos humanos, a participação dos recursos humanos é muito intensiva nos processos de produção desses serviços, fazendo com que o comportamento dos funcionários influencie fortemente o resultado final e a percepção que os clientes têm do serviço.  E como o comportamento varia consideravelmente, faz com que as aulas variem e estejam muito dependentes do indivíduo que as lidera. Ou seja, tudo aquilo que o funcionário faz, a forma como se veste, como comunica é marketing, é uma forma de criar uma relação comercial, uma vontade do cliente se manter ou não como cliente.

As cadeias de ginásios associaram-se a algumas marcas na tentativa de transformar serviços em produtos. Padronizar actos humanos devido às necessidades do negócio de replicação de unidades de fitness. Assim, surgiram grandes desenvolvimentos tecnológicos nos equipamentos de fitness, nomeadamente nos painéis das máquinas cardiovasculares com programas pré-definidos de forma a minimizar a intervenção humana. Aumentaram ainda os sistemas de dissociação cognitiva presentes nesse tipo de equipamentos, como a televisão, a possibilidade de escolha áudio e mesmo o acesso à internet. Foi com a enorme necessidade de padronizar os actos humanos que se limitaram os exercícios, os gestos e movimentos, quer por parte dos alunos, quer por parte de quem deveria ministrar as aulas, mas que se limita a executar um conjunto bem definido de tarefas. Surgiram assim marcas registadas de aulas de grupo .

Nos health clubs permanecem problemas antigos, como o enorme número de funcionários em regime de part-time, a falta de formação desses funcionários, uma abordagem pouco profissional em termos de gestão, uma falta de procedimentos operacionais, uma abordagem ao negócio como se não fosse um negócio de prestação de serviços e uma grande flutuação de funcionários (IHRSA Institute, 2000).

Os nossos instrutores deixaram de ensinar e passaram a representar.

Mike Chaet

Durante algum tempo, as universidades estavam essencialmente orientadas para formar profissionais vocacionados para o ensino escolar e para a competição. Ignoraram a área chamada de recreação e lazer e não assumiram a formação de profissionais de fitness. Assim, abriram espaço para a iniciativa privada, para as empresas como a CEFAD, a Promofitness, CEF, etc.

Identifiquei ao longo destes anos o perfil de vários tipos de profissionais de musculação:

  • GM – Guarda de Máquinas
  • CR – Contador de Repetições
  • FI – Fomentador de Intimidades
  • AM – Actina e Miosina
  • R – Recepcionista (recentemente criado pela nova indústria do fitness)

Alguns destes profissionais evoluem na sequência anteriormente apresentada. Provavelmente necessitamos de um cruzamento entre todos estes tipos de profissionais para conseguirmos um supervisor de sala de musculação mais completo e equilibrado. Na nossa perspectiva, um bom professor necessita (ver 21 características de um bom personal trainer):

  1. Paixão por aquilo que faz
  2. Atitude positiva em relação ao seu trabalho
  3. Utiliza ferramentas simples com mestria
  4. Lidera através do exemplo
  5. Persistente
  6. Fanático por desenvolvimento pessoal
  7. Sabe colocar-se no lugar dos seus alunos
  8. Coloca as pessoas acima de tudo (metodologias, equipamentos… regras…)
  9. Tem sempre uma visão daquilo que quer
  10. Conhecimentos técnicos
  11. Equilíbrio ideal-real
  12. Vai criando a sua própria metodologia de treino
  13. Centra o seu trabalho no aluno
  14. Curioso
  15. Integridade
  16. Não abdica dos princípios de treino
  17. Capacidade de adaptação e flexibilidade
  18. Sabe escutar e cuida da proxémica
  19. Humilde
  20. É um educador!
  21. Dá sempre o seu melhor!

No mercado da formação de profissionais de fitness, deparamo-nos com ginásios que realizam formação interna (muito poucos), mas a grande maioria recorre a empresas externas, envia os seus profissionais a centros de formação. No entanto, o mais comum é que sejam os profissionais do fitness a realizar cursos e formação por iniciativa própria, sem apoio nem incentivo por parte dos seus patrões.

Os centros de formação apresentam cursos de carácter generalista onde se abordam várias temáticas (exemplo: curso de instrutores da Promofitness) e cursos mais específicos das grandes áreas de intervenção: meio aquático, musculação, aulas de grupo e treino personalizado.

Durante algum tempo, as Universidades com cursos dedicados à actividade física e desporto, não reconheciam o fenómeno do fitness, a actividade física realizada em ginásios privados, por isso formavam profissionais para o limitado mercado da alta-competição e para o ensino da educação física escolar. Nos últimos dez anos, têm vindo a modificar a sua estratégia, quer através de pós-graduações, quer pela inclusão de conteúdos algo relacionados com as actividades de ginásio, bem como pela crescente colaboração em estágios e eventos realizados nesta indústria do fitness. As grandes cadeias realizam também formação externa que qualquer indivíduo pode frequentar. Depois temos as várias empresas privadas já mencionadas e organizações nacionais e internacionais que fornecem essencialmente ao mercado certificações, das quais se destacam as mundialmente reconhecidas do American College of Sports Medicine, da National Strength and Conditioning Association e do American Council on Exercise. Estas organizações nas suas tendências para 2010 salientam a importância de obter credenciais profissionais adequadas e para a necessidade que o mercado do fitness tem de profissionais experientes e com formação.

Alguns ginásios reclamam que os professores levam os seus alunos embora porque criaram um grupo do qual são líderes, criaram uma tribo da qual são chefes. Por isso, quando por alguma razão têm de abandonar o ginásio onde trabalham, sobem a probabilidade de levar o seu grupo de alunos consigo.

Mas, estes ginásios treinam os seus professores? Preocupam-se com o desenvolvimento dos seus funcionários? O desenvolvimento de um funcionário num ginásio, deverá passar, entre outras coisas, por aspectos como:

  • Serviço a clientes
  • Sombras aos funcionários mais experientes
  • Formação contínua
  • Desenvolvimento pessoal
  • Treino de procedimentos
  • Integração na equipa de trabalho
  • Imagem
  • Instalações e equipamentos
  • Procedimentos de segurança

A formação tem de integrar os aspectos multifactoriais nos cursos técnicos específicos de musculação, hidro, etc. O marketing, a comunicação, a modificação de comportamentos, a motivação e outros aspectos importantes na intervenção em ginásios, têm de estar presentes no ensino de todas as técnicas específicas das várias actividades, quer ao nível do saber-fazer, quer ao nível do saber-estar, quer ao nível do saber-ensinar.

Salienta-se também a importância de centrar os conteúdos dos cursos de formação em grandes princípios e não em receitas e programas pré-definidos, a fim de não retirar a componente criativa dos seres humanos (treinadores/professores) que estão em contacto directo com os outros seres humanos (alunos/clientes). A grande preocupação por padronizar actos humanos, por parte das grandes cadeias de ginásios tem tido um impacto forte nos conteúdos dos cursos de formação. Mas não nos podemos esquecer que os pequenos e médios ginásios representam mais de 90% do mercado e têm outras necessidades ao nível de formação profissional.

A relação sócio-funcionários é um dos factores mais importantes para a retenção de sócios nos ginásios. Mas… quantas interacções temos com os nossos clientes? Que temos feito para aumentar a qualidade dessas interacções? Numa sala de musculação, com 30 clientes e um professor que procure dar um minuto de atenção a cada cliente, acabará no final por conseguir 2 interacções com esse grupo de pessoas durante uma hora. Mas para tal, terá de se esforçar por conseguir esse objectivo, e deverá estar liberto nessa hora de funções como a elaboração de programas de treino ou triagem de alunos. Terá ainda de gerir bem o seu tempo para conseguir efectuar um bom “carrocel” de interacções (distribuir um pouco de atenção a toda a gente). Para tal, necessita de boas competências relacionais, de comunicação e empatia.

Treinei em 8 países diferentes em mais de 50 ginásios diferentes, fora as centenas que visitei e alguns locais de estágio. Frequento ginásios desde 1988 e sou formador há pelo menos 15 anos de cursos generalistas e específicos de curta e longa duração nas áreas de marketing, gestão de ginásios, musculação e treino personalizado. Desenvolvi várias equipas de trabalho e profissionais individuais. E a minha percepção global da actuação dos profissionais portugueses é boa. No entanto, falta uma perspectiva mais centrada nos clientes, algumas técnicas de gestão que permitam distribuir mais atenção pelos clientes, mais ambição, maior produtividade no tempo de trabalho, mas… Talvez a grande diferença esteja na comunicação, no trabalho em equipa e na existência de uma metodologia de trabalho própria. Para isso necessitamos líderes, bons líderes para esses profissionais. Infelizmente, a indústria portuguesa tem contratado mais gestores do que líderes. A formação poderá ajudar, uma intervenção para alterar processos com uma abordagem tipo “coaching” poderá fazer grandes mudanças de melhoria, mas a atitude dos profissionais e sobretudo dos seus líderes terá de mudar sem nunca deixar de centrar toda a sua acção no cliente. Será com uma perspectiva de marketing (centrada nas necessidades do cliente) e não de vendas (centrada nas nossas necessidades), será com uma abordagem mais forte ao nível das relações públicas (acções indirectas para conseguir que os outros digam que somos bons) e menos intensa na publicidade (dizer que somos bons) que poderemos captar e manter mais pessoas para os nossos ginásios.

Testes de condição física em ginásios

Abril 17, 2010 Paulo Sena 1 comentário

O problema não está nos testes de avaliação da condição física, mas sim naquilo que fazemos com os seus resultados.

Com a ânsia do exercício por medida, lançamo-nos na busca de instrumentos que classifiquem os clientes para, em função disso, prescrevermos exercício físico. Usamos até a palavra anamnese mais utilizada por médicos e psicólogos, a fim de obter mais credibilidade no processo de realização de testes de condição física.

Realizam-se testes que têm vindo a generalizar-se nos ginásios para determinar a condição inicial dos indivíduos que começam um programa de exercício físico. Para dar uma imagem mais profissional e depois, ironicamente, evitar que os participantes registem diariamente o seu progresso e também permitirem, em muitos casos, ser uma forma dos ginásios obterem mais algum dinheiro dos seus clientes, promovendo a aquisição de serviços de treino personalizado.

Durante anos fui completamente fanático por testes de condição física. Comecei a realiza-los sem grande equipamento. Era uma preocupação constante. Tentava encontrar protocolos ideais para as populações com as quais trabalhava nos ginásios. Embora fosse pouco prático e realista, não falhava uma palestra sobre o assunto e questionava todos os médicos e profissionais do exercício para obter as respostas definitivas.

Com o tempo verifiquei que os testes não serviam muito bem o meu propósito. Pretendia fazer uma triagem dos indivíduos que chegavam à minha sala de musculação. Queria ter valores como ponto de partida para escolher as cargas com as quais eles iam trabalhar nos meses seguintes. Mas, se o primeiro objectivo era conseguido, a situação das cargas era uma história completamente diferente. Tinha uma tremenda preocupação de quantificar, de seguir as normas do American College of Sports Medicin – ACSM, da National Strength and Conditioning Association, do American Council on Exercise, por serem as grandes organizações mundiais de referência. Por outro lado, queria sentir-me seguro.

Os objectivos dos testes de condição física são (ACSM,2009):

  • Obter dados que sejam úteis para efectuar prescrições de exercício.
  • Recolher dados que sirvam como ponto de partida e uma forma de acompanhar o progresso por parte dos participantes nos programas de exercício físico.
  • Motivar os participantes, estabelecendo objectivos em termos de condição física, razoáveis e possíveis de conseguir.
  • Educar os participantes acerca dos conceitos de condição física e estado individual de condição física.
  • Estratificação de risco.

Tais testes poderiam incluir uma anamnese, ou seja, uma entrevista inicial para estabelecer um diagnóstico inicial, um ponto de partida. Assim se conseguiria uma estratificação de risco para melhor programar e prescrever as actividades. Obter um historial médico, um conhecimento sobre as necessidades pessoais, sobre as crenças em relação à actividade física e indústria do fitness em geral, a forma como reagem ao stress colocado pelo exercício e pelo seu dia-a-dia, bem como o tipo de apoio social de que dispõem, seria uma forma de começar.

Foto de um nu feminino, cerca do ano 1900, cuja relação cintura-anca se aproxima do "ideal" 0,7.

Depois, poderíamos analisar a composição corporal do indivíduo (medição de pregas cutâneas, métodos antropométricos como o Indíce de Massa Corporal – IMC ou medição dos perímetros anca/cintura e/ou circunferências, bioimpedância, infravermelhos, bodpod, etc.).

Seguidamente poderíamos realizar uma avaliação da endurance cardiorespiratória de forma máxima ou sub-máxima. Os protocolos são vários, utilizam diferentes instrumentos (bicicleta, steps, passadeiras…), baseiam-se na leitura da frequência cardíaca, na sua relação linear com o consumo de oxigénio e por vezes têm em conta a escala de esforço percebido de Borg. Protocolos Bruce, YMCA, Astrand, Conconi, são alguns dos mais utilizados.

Finalmente avaliaríamos a condição muscular: força, endurance e flexibilidade, através de testes de flexões de braços, abdominais, flexões de pernas, movimentos realizados em máquinas de musculação ou com a utilização de dinamómetros.

Os primeiros testes de condição física que efectuei no início dos anos 90, consistiam num questionário de saúde e hábitos de exercício, Índice de Massa Corporal – IMC, relação cintura/anca e mais tarde incluí a medição de duas pregas cutâneas (abdominal e tricipital), um teste de step com um metrónomo para avaliar a endurance cardiorespiratória, flexões de braços modificadas para a força muscular e o teste de flexibilidade de sentar e alcançar. Tardavam cerca de 30 minutos. Apesar de ter originado uma forma de melhor organizar as actividades, levando ao sistema de marcações das primeiras sessões de treino que melhorou significativamente o serviço prestado, denotavam alguns problemas de objectividade que ainda hoje subsistem.

Os problemas da avaliação da condição física

Nas centenas de testes de condição física que efectuei em ambiente de ginásio, surgiram inúmeros desafios que colocaram e colocam em causa a forma como são realizados e principalmente utilizados os testes de condição física.

A palavra avaliação é a primeira barreira intimidatória. Num ambiente de ginásio intitulado como recreativo, onde as pessoas pagam sobretudo pelo acesso às instalações, é-lhes apresentada uma avaliação, um conjunto de testes. Por um lado poderá ser visto como um teste médico de elevada reputação, tendo como consequência depois a exigência de um resultado de elevado rigor científico.  Por outro lado, poderá ser visto como uma forma de classificar, delimitar o estado em que o indivíduo se encontra. Esta perspectiva, na maioria dos casos não se apresenta muito positiva devido ao estado em que a população geral se encontra. Podendo ter consequências negativas na percepção com que as pessoas ficam do seu estado físico inicial.

Se o tempo dispensado na primeira avaliação da condição física poderá ser muito útil para efectuar uma triagem inicial dos participantes. Por outro lado, as reavaliações constantes para mudar o programa de exercícios, já é de utilidade duvidosa. Se cada pessoa tiver de mudar um programa de treino a cada 2 meses, será necessário ter um profissional exclusivamente dedicado a efectuar testes de condição física aos clientes durante todo o dia de funcionamento do ginásio. Isto num local com uns 400 ou 500 sócios, pois se tiver mais utilizadores o problema agrava-se.

Se necessitamos de testes para verificar o progresso do sócio, isso significa que não há um registo de treino diário, transformando a avaliação da condição física na única forma de verificar a evolução ou não do sócio com o seu programa de treino específico. Com um bom registo de treino já não achamos tão útil a realização de outra avaliação da condição física com testes e mais testes.

Os testes, a avaliação, implicam rotular as pessoas de acordo com os resultados obtidos e as tabelas existentes. Ao nível da condição física, a maioria das tabelas de referência são de populações americanas. Classificar as pessoas, comparando-as com outras piores é uma coisa, mas quando as comparamos com pessoas melhores e melhores valores de referência, podemos vir a ter de rotular os novos clientes como “obesos mórbidos”, “fracos”, “muito fracos”. O ideal é que as cargas utilizadas no primeiro mês de treino sirvam como referência para o aluno se comparar consigo próprio em situações futuras. Bastante útil quando regressam de férias, quando se lesionam, quando estiveram doentes, quando deixaram de treinar num período de tempo mais prolongado. Mais tarde, quando a confiança aumentar, e se o aluno o desejar, poderá comparar os seus valores aos de outros indivíduos. Embora a partir do momento que inicie o processo de treino, essa comparação seja inevitável ao treinar ao lado de outros sócios do ginásio.

Alguns métodos de medição da percentagem de gordura implicam que as pessoas se dispam e não é fácil criar uma situação neutra que agrade à grande maioria das pessoas. É constrangedor pedir a alguém que não nos conhece que venha de bikini na segunda sessão de treino. A forma como se pede, torna-se importante, a explicação do porquê, ainda mais. São situações delicadas que, num universo grande de sócios, podem ser evitadas, utilizando numa fase inicial métodos de avaliação da composição corporal como a bio-impedância (que embora não seja o mais fiável, poderá dar algumas indicações).

Os testes que realizamos implicam aprender a fazer os exercícios e o componente técnico vai influenciar os resultados obtidos nos testes. Os testes serão sempre uma situação de tentativa e erro na descoberta do nível de força ou resistência que o indivíduo demonstra em determinado exercício, em determinada máquina. Afinal o que necessitamos é conhecer a carga inicial para ensinar um exercício. Chamemos-lhe teste ou não, tentativa e erro. Obviamente que, quanto mais utilizadores passarem pelo nosso ginásio a utilizar os nossos equipamentos, mais facilmente acertamos nas cargas iniciais a utilizar nas diversas máquinas.

As primeiras sessões são de aprendizagem e introdução ao exercício. Coisas simples mas que permitam ao aluno obter resultados e ir conquistando alguma autonomia. Dizer ao aluno como se faz e deixar que ele o faça, que mexa nas máquinas, que seleccione as cargas, que realize os ajustamentos, etc, a fim de conseguir quatro objectivos importantes das primeiras sessões de treino:

  • simples
  • aprendizagem progressiva
  • baixa intensidade
  • atenção redobrada

Proposta para as primeiras sessões de treino

Em vez de centrar tanta atenção numa grande sessão de avaliação da condição física, apresenta-se aqui uma proposta para organizar as primeiras sessões de treino com 3 sessões de treino personalizado ou numa situação de um professor para 2 alunos.

Sessão 1 (orientação/cárdio)

  • Entrevista e preenchimento do questionário (exemplo de questionário).
  • Medição da pressão sanguínea
  • Estratificação de risco.
  • Estabelecer uma zona alvo de treino entre 60 a 90% da frequência cardíaca máxima (220-idade)
  • Cárdio: o objectivo será encontrar o nível de exigência da máquina que leve a frequência cardíaca a estabilizar na zona alvo de treino definida.

Sessão 2 (cárdio e metade do programa de musculação)

  • O aluno conhecendo o equipamento cárdio, realiza um tempo de exercício em função daquilo que realizou na primeira sessão de treino e em função daquilo que ele acha ser capaz de realizar. Sempre com o objectivo de se aproximar de 20 minutos (um tempo de treino que equilibra o tempo necessário de estímulo com os constrangimentos de espaço e equipamentos de todos os ginásios).
  • Seguidamente, na hora marcada, o professor realiza o reconhecimento de metade dos exercícios que constituirão o programa de musculação.

Sessão 3 (cárdio e a outra metade do programa de musculação)

  • O aluno conhecendo o equipamento cárdio, realiza um tempo de exercício em função daquilo que realizou na segunda sessão de treino e em função daquilo que ele acha ser capaz de realizar. Sempre com o objectivo de se aproximar de 20 minutos (um tempo de treino que equilibra o tempo necessário de estímulo com os constrangimentos de espaço e equipamentos de todos os ginásios).
  • Seguidamente, na hora marcada, o professor realiza o reconhecimento da outra metade dos exercícios que constituirão o programa de musculação.

Nas primeiras sessões de treino o professor ensina sobre:

  • a aplicação do princípio de sobrecarga e da acção retardada,
  • a técnica do exercício cárdio escolhido,
  • a zona alvo de treino e escala de percepção de esforço (Escala de Borg),
  • importância de alguns hábitos alimentares e de estilo de vida,
  • respiração (a não utilização de chicletes) e velocidade de execução na musculação,
  • informar sobre dores musculares,
  • utilização do registo de treino,
  • técnicas de execução específicas dos exercícios e alguns princípios de segurança na utilização do equipamento e do ginásio.

Conseguimos com esta organização cumprir os objectivos da avaliação física acima mencionados. Obter dados úteis para efectuar a prescrição do treino através do questionário, da entrevista e da primeira sessão cárdio, obtendo assim um ponto de partida para ir traçando pequenos objectivos nas futuras sessões de treino.

Tendo um registo de treino diário, a leitura directa dos valores, facilita o controlo do progresso nos vários exercícios, permitindo estabelecer objectivos específicos e motivar os alunos.

Tendo a preocupação de ensinar além das técnicas de exercício, a forma de controlar o esforço com a frequência cardíaca e a escala de esforço, os princípios de treino de sobrecarga e acção retardada, contribuímos para educar os nossos alunos e para que estes adquiram alguma autonomia.

Conhecer a tolerância ao esforço e a real aptidão do indivíduo de acordo com os desafios físicos progressivos que lhe vão sendo colocados.

Comentário final

Se não conseguimos medir a força de um indivíduo, então não podemos definir força.

Arthur Jones

Como profissionais de actividade física, iremos sempre correr riscos que não serão eliminados por uma exame médico ou por seguirmos as normas das grandes organizações de medicina desportiva e exercício. No entanto, com algum bom senso, uma boa triagem inicial de clientes e um aumento progressivo da intensidade de treino após um tempo de conhecimento aprofundado dos alunos ao longo do processo de treino (observando a forma como este reage ao esforço), irá por certo fazer com que o risco se reduza e a confiança no nosso trabalho aumente.

Assumindo que o exercício físico implica esforço, significa submeter o corpo a uma exigência à qual não está habituado, suportados pelos sinais de esforço, na triagem, no apoio médico e no conhecimento do indivíduo ao longo do processo de treino, da forma como reage ao stress do treino, ao estímulo.

Um controlo dos sinais de esforço, um questionário cuidadoso ao aluno, a combinação entre a leitura da frequência cardíaca e a real percepção de esforço dos alunos, fará uma forte ponte entre o ideal e o real, entre a teoria e a práctica. E mais uma vez chamo à atenção de todos os profissionais para a necessidade de tratar os alunos como pessoas e não se limitarem a prescrever exercício.

Mais importante do que escolher uma bateria de testes, é criar empatia com o cliente, realizar uma boa entrevista/bom questionário e traçar o perfil de risco, para depois nos centrarmos nas primeiras sessões de treino como as mais importantes no processo de integração do sócio e de iniciação ou retoma da actividade física no contexto específico dos ginásios.

Ao escolher um protocolo de avaliação da condição física devemos seleccionar movimentos simples e testes rápidos, eficazes, que sejam o menos intimidatórios possível e mais integradores dos novos sócios.

Como gostaríamos de iniciar a nossa participação numa nova actividade? Pensemos nisso e a nossa abordagem para com os novos sócios terá uma atitude mais informal e integradora, diluindo os processos formais de estratificação e obtenção de dados para prescrição de uma forma mais agradável para o cliente.

Referencias Bibliográficas

ACSM (2009). ACSM’s Resource Manual for Guidelines for Exercise Testing and Prescription, 6th ed. Lippincott Williams & Wilkins

Ancas fortes e bonitas? Dois desafios!

Abril 9, 2010 Paulo Sena 3 comentários

Os grupos musculares que movimentam as ancas, são dos maiores e mais importantes do nosso corpo, e na maioria da população, são dos mais problemáticos. Estes músculos ajudam-nos a sentar, levantar, caminhar, correr, saltar, a manter a zona lombar sem dores e a suportar melhor o peso do corpo.

Quer o seu objectivo esteja voltado para a saúde, condição física ou apenas estético, se se centrar na performance, irá certamente consegui-lo. Isto porque será forçado a treinar com a técnica e intensidades adequadas, a dormir o suficiente para recuperar e a alimentar-se de forma a ter energia para fazer face à exigência do dia-a-dia e dos seus treinos. Portanto, aqui lanço desafios de performance física que se podem transformar em objectivos (devidamente adaptados à realidade de cada um). Assim, considerando indivíduos saudáveis com um peso corporal entre 65 e 75kgs:

Nível Básico (Atingir este nível, tardará, para a maioria das pessoas, entre 6 meses a um ano com 2 a 3 sessões de 30 a 40 minutos de treino semanais com forte intensidade).

  • 50 agachamentos
  • Peso morto: 8 repetições com 45 kgs
  • Salto vertical de 25 cms

Sendo capazes de realizar estes desafios, estou certo que conseguirão atingir níveis de força, resistência e flexibilidade ao nível das ancas, capazes de fazer face a alguns desafios físicos e não terão grandes problemas de articulações, músculos nem dores resultantes de más posturas. É um passo inicial para retirarem proveito do vosso corpo no trabalho e no lazer.

Nível Intermédio (este nível tardará alguns anos a atingir)

  • 100 agachamentos
  • Agachamento 8x55kgs
  • Peso morto: 8x80kgs
  • Salto vertical de 45cms

São apenas uns valores de referência que definem uma performance que a maioria dos indivíduos são capazes de atingir com uma boa relação entre o treino, o repouso, a alimentação e uma atitude e estilo de vida equilibrados. O nível intermédio já impõe respeito! Mas… Com alguma dedicação e esforço, sem ser necessário viver para treinar, é perfeitamente possível de conseguir.

O resultado final, quer no nível básico quer no intermédio, são glúteos (nádegas), coxas e pernas de aspecto firme e saudável. Quem é que não quer?