A Culpa é do árbitro! 5 crenças fundamentais para desportistas.

976065_10201268692098741_454124000_oSabemos que um desportista de êxito tem uma atitude mental diferente do desportista comum. Ou pelo menos procura, saber claramente aquilo que quer, ter os seus sentidos alerta para perceber se as suas ações o estão a levar aos resultados pretendidos e tem flexibilidade suficiente para mudar no caso de não estar a conseguir o que pretende. Estas são ações fundamentais para se ter sucesso em qualquer área e no desporto também se aplicam.

5 Crenças para o sucesso do desportista:

  1. Não há fracasso, apenas resultado. Para pessoas que se acham responsáveis pelos seus resultados, qualquer tipo de resultado obtido é apenas isso: um resultado. E no caso de ser um resultado longe daquilo que desejam, alteram o seu comportamento de forma a obter resultados diferentes. Pensam em fazer diferente e para tal, necessitam flexibilidade.
  2. Flexibilidade mental para mudarem o seu estado e as suas ações. Jimmy Petruzzi refere que a capacidade dos jogadores e das equipas se adaptarem às condições climatéricas, aos adversários, às táticas, às decisões dos árbitros, ao ambiente dos adeptos, à superfície de jogo, etc., é um fator crucial no sucesso. Aliás, podemos ver equipas sem capacidade de adaptação serem completamente submissas do jogo adversário. Existem jogadores que, ao treinarem tantas jogadas pré-formatadas, têm dificuldades por vezes em utilizar o seu poder criativo e aproveitarem uma oportunidade clara de golo que surge durante a realização da jogada. Esta é uma situação que também denota falta de acuidade sensorial para avaliar melhor as oportunidades e agir de um modo mais eficaz nessas situações.
  3. Mente e corpo estão associadas. Por isso, qualquer coisa que façamos com o nosso corpo, vai afetar o estado mental e vice-versa. Os indianos costumam dizer que a forma como te sentes hoje, deve-se aos pensamentos que tiveste ontem. Se antes de efetuarmos uma série repetições num exercício dissermos a nós próprios que vamos fazer 10 repetições, mesmo sendo capazes de efetuar mais uma, o nosso corpo relaxa imediatamente ao atingir a repetição número 10. O mesmo ocorre com a célebre frase que tanto se escuta em aulas de educação física: – Não consigo! Transforma-se num comando, numa crença limitadora por mais que seja verdade. As células têm memória, têm uma espécie de consciência.
  4. Eu comando a minha mente, por isso os resultados dependem de mim. O exemplo anterior, serviria perfeitamente para ilustrar esta afirmação. Se o atleta não estiver a controlar a sua própria mente, a tv, a publicidade, o grupo de amigos e outros agentes de socialização o farão. Tem-se escrito imenso sobre inteligência emocional, sobre emoções como motores das ações e responsáveis pelo estado dos indivíduos. Isto prova a importante de usar ferramentas de controlo mental.
  5. Está em causa em vez de ser o efeito de tudo o que se passa à sua volta. Como obtemos sempre mais daquilo em que nos focamos, se nos concentrarmos nas coisas que não controlamos, iremos sempre sentir que somos um efeito do ambiente, do poder dos outros, dos árbitros, do piso molhado, etc. Se o atleta vai em busca de desculpas, irá encontrar muitas que fundamentem um desempenho longe do resultado pretendido. Se o treinador fizer o mesmo, ou incentivar situações similares, vai promover atletas, equipas dependentes do piso seco ou escorregadio, do árbitro “comprado”, da bola redonda, da estatura dos adversários, etc. Para tal, o pre-frame, o reframe das situações criadas por essas imagens que os atletas têm no seu cérebro, será uma boa forma de começar a mudar mentalidades.

A longo prazo, os atletas que acreditam serem capazes de influenciar o que se passa ao seu redor porque modificam o que está dentro de si, estão no topo. Fácil? Nenhuma transformação é fácil. Se há 25 anos atrás deixássemos que a crença de que a musculação tornava as mulheres feias prevalecesse, hoje não teríamos ginásios com mais de 50% de mulheres a usar a musculação, o bodypump, o crossfit e tantas outras atividades com pesos.

As pessoas que dizem não ter tempo para treinar, têm apenas uma crença errada da realidade, têm um mapa que ilustra mal o território. Quando descobrem que 5 minutos por dia podem alterar bastante a sua realidade funcional e estética, passam a acreditar em treinos curtos e intensos e elaboram a partir daí outro conjunto de crenças que lhes permitem evoluir no sentido de dispensarem mais tempo (que não é muito tempo) para treinarem. Mudam de certa forma as suas prioridades.

O trabalho do treinador, do professor de educação física, do personal trainer, passa por imprimir, por criar condições ambientais, por influenciar os atletas a terem uma atitude mental validada por este tipo de crenças, substituindo crenças limitadoras por crenças potenciadoras, o “-não consigo!” para: “-E se conseguisses?”

 Bibliografia

O’Connor, J. e Seymour, J. (1990). Introdução à Programação Neurolinguística. Summus Editorial.

Petruzzi, J. Winning in sport using nlp. Disponível em: http://www.nlp-trainingcourses.com