Motivos para a Prática de Exercício: tradução e validação do Goal Content for Exercise Questionnaire


Hugo Louro, Paulo Sena, Susana Alves, Luís Cid, Eduardo Ramos e João Moutão

Hugo Louro, Paulo Sena, Susana Alves, Luís Cid, Eduardo Ramos e João Moutão

O estudo da motivação para o exercício físico tem obtido um incremento de investigação nos últimos anos. Entre as teorias mais utilizadas, encontra-se a Teoria da Autodeterminação uma das mais importantes devido à sua aproximação com a prática, flexibilidade e fiabilidade. Dentro da Teoria da autodeterminação encontra-se a subteoria do conteúdo dos objetivos que carateriza o conteúdos dos objetivos para a prática de atividade física como intrínsecos ou extrínsecos.

Funciona como potenciador do crescimento pessoal dos praticantes, aumenta a satisfação pessoal e o bem-estar e culmina com o crescimento da indústria.

Esta investigação centra-se na tradução, adaptação e validação do Goal Content for Exercice Questionnaire para a população portuguesa e analisar a orientação do conteúdo dos objetivos dos praticantes portugueses de atividade física.

O GCEQ vem colmatar a ausência de instrumentos científicos nesta área e incrementar a oferta de instrumentos para o combate às barreiras e desistências, mas sobretudo à satisfação dos praticantes de atividade física em ginásios.

Na prática de exercício o conteúdo dos objetivos é fundamental para o entendimento dos reais valores do cliente face á execução e inscrição nos ginásios e para a análise pessoal e relacional.

Esse questionário para além da classificação dos objetivos categoriza anda os objetivos por fatores Intrínsecos (Afiliação Social, Manutenção da saúde e Desenvolvimento de capacidades) e fatores extrínsecos (Imagem corporal e reconhecimento de capacidades).

Permite ainda a redefinição da prática de exercício para os reais objetivos, ou seja, com estes dados obtemos uma aproximação da perceção de realidade pretendida com o “eu real”. Permite então claramente benefícios na satisfação, bem-estar, resultados ao nível do relacionamento e obtenção de resultados de forma eficiente.

Participaram no estudo 389 indivíduos praticantes de fitness (n = 171 masculino 44%, n= 218 feminino 56%), com idades compreendidas entre os 11 anos e os 75 anos de idade (M = 31.4; DP = 11.15) que frequentavam ginásios no Norte e Centro de Portugal (Aveiro 46 %; Porto 21 %; Castelo Branco 13 %; Viseu 9 % e Leiria 11 %).

Envolvidos em atividades de Cardiofitness (n = 186, 48%,) Musculação (n = 117, 30%) e Aulas de grupo (n = 85 ou seja 22 %).

Foi utilizado a versão preliminar portuguesa do Goal Content for Exercice Questionnaire (GCEQ) (Sebire et al., 2008) que se revela um questionário de 20 itens de medida que atesta a importância que as pessoas colocam nos seus esforços e na sua prática de atividade física.

Os principais resultados permitem antecipar uma relação entre o género e os motivos de afiliação social e desenvolvimento de capacidades (vocacionadas com a motivação intrínseca).

A relação entre a idade e o fator saúde indica que um dos principais fatores de adesão e manutenção na prática desportiva é a preocupação com a saúde, bem-estar e qualidade de vida.

Relativamente ao grupo de modalidades, essa escolha efetuada pelo praticante é baseada na perceção de competência sobre a realização de atividades de fitness (própria ou introjetada por terceiros).

Verificamos assim a importância da avaliação do conteúdo dos objetivos para uma máxima rentabilização de recursos, avaliação correta e coerente do real objetivo face à prática de atividade física e retenção de dados que podem ter valor da planificação de aulas e atividades.

Mas na realidade qual a implicação prática destes resultados e investigações?

Com os resultados demonstrados desta investigação e suporte na bibliografia podemos considerar extremamente importante a regulação comportamental nos ginásios e este aspeto é essencial na análise da motivação dos praticantes para a adesão e manutenção dos clientes.

Assim de forma mais prática iremos abordar e refletir sobre os processos em que a análise e avaliação do conteúdo dos objetivos possui influência na adesão e manutenção dos praticantes de forma faseada, demonstrando também a importância da Psicologia associada ao exercício físico.

  • Analisar e avaliar o praticante em relação ao contexto (ginásio):
    • Objetivos da prática;
    • Modalidades preferidas;
    • Informação básica (pessoal, experiências de prática)
  • Elaboração de planos ajustados aos dados recolhidos (objetivos, modalidades) em consonância com os instrutores, cliente e restante staff se necessário:
    • Explicação dos objetivos do plano de treino, do caminho a prosseguir.
    • Permitir ao cliente participar no desenho do plano de treino (autonomia, satisfação e responsabilidade)
    • Elaboração e implementação do plano de treino;
    • Objetivo a curto, médio e longo prazo a atingir;
    • Intervenção regular, assertiva e acompanhada ao nível da comunicação dos instrutores;
  • Adaptação do contexto ao objetivo do cliente:
    • Grupos de prática por conteúdo dos objetivos;
    • Definição de objetivos individuais por grupos de modalidade, por aula e por instrutor;
    • Avaliação constante dos objetivos e do plano traçado inicialmente;
    • Gravação de aulas para confrontação com os objetivos e plano traçado;
    • Promover a identificação com a prática e com o ginásio (reforço e valorização do esforço, das necessidades e dos objetivos)
    • Proporcionar o cumprimento do plano de objetivos.

Assim conseguimos afirmar que o conteúdo dos objetivos do cliente é proporcional com a realidade encontrada na prática, mantendo assim níveis positivos de identificação com a prática, manutenção de clientes, crescimento pessoal e comercial do ginásio, integração do comportamento desportivo do cliente e comportamento social e humano do ginásio.

Em suma, promovendo uma identificação, desenvolvemos relações.

Eduardo Ramos

eduh_ramos@hotmail.com

Mestre em Psicologia do Desporto e Exercício pela ESDRM.

João Moutão

jmoutao@esdrm.ipsantarem.pt

Professor Adjunto no Instituto Politécnico de Santarém

Luís Cid

luiscid@esdrm.ipsantarem.pt

Professor Adjunto no Instituto Politécnico de Santarém