No Natal esvaziam-se os ginásios e enchem-se os centros comerciais

São Pedro por El Greco

Em Portugal (e em outros países também), verificamos que, no Natal esvaziam-se os ginásios e enchem-se os hipermercados e centros comerciais de pessoas. Em Agosto, esvaziam-se os ginásios e enchem-se as praias e os hotéis de… Pessoas. Em Março e Abril (dependendo das temperaturas e do Sol), enchem-se os ginásios. Sabendo que não podemos influenciar o clima e não temos o telemóvel de São Pedro, como podemos influenciar as pessoas de forma a manterem um programa de exercício regular? Aqui fica o desafio.

Os centros comerciais e os hipermercados fazem promoções e decorações especiais durante dois meses para o Natal numa jogada de antecipação. Na Primavera, quando os ginásios se enchem de pessoas, os operadores turísticos promovem os seus hotéis e serviços com a máxima intensidade. E os ginásios? O que fazem os ginásios nesses períodos de tempo? Jogadas de antecipação não fazem. Marcam à zona? Marcam individualmente? Hummm!

E nós professores. Que podemos fazer? Sabendo que estes períodos são de elevado potencial de abandono, sabendo que a regularidade no exercício é fundamental, cabe-nos antecipar e investir em todo o tipo de acções de prevenção de abandono. São estes os momentos para dotar os nossos clientes de estratégias para fazer face aos desafios destas épocas:

  • Analisar situações passadas de abandono temporário do programa de exercício para verificar o que originou a situação e actuar sobre o problema.
  • Verificar o grau de valorização do exercício (salientar os benefícios obtidos pelo cliente; sobretudo os benefícios por ele relatados).
  • Verificar de que modo se podem alterar positivamente as influencias sociais que levam o aluno a abandonar o programa de exercício.
  • Utilizar todas as ferramentas para comunicar com o aluno: e-mail, sms, facebook, artigos impressos, etc.
  • Analisar a forma do aluno pensar face às dificuldades e às ideias pré-concebidas em relação ao exercício.
  • Associar positivamente o exercício e as sensações por ele provocadas. Quanto mais associações positivas e quanto mais fortes essas sensações, maior a valorização do exercício, maior a probabilidade de repetir o comportamento.
  • Ajudar o aluno a interpretar positivamente as sensações durante o exercício e pós-exercício de acordo com a tolerância ao esforço do indivíduo.
  • Atribuir pequenas tarefas a realizar fora do treino.
  • Procurar incluir amigos e familiares dos clientes no processo de treino.
  • Estabelecer objectivos realistas.
  • Centrar o trabalho na mudança de hábitos, na inclusão do exercício físico no seu dia-a-dia e dar ênfase à criação de novos hábitos em vez de procurar algo temporário.
  • Cuidar da abordagem perfeccionista por parte de alguns clientes.
  • Estar atento às alterações comportamentais da época (faltar aos treinos para realizar actividades menos importantes, alterar rotinas de sono e alimentares).
  • Realizar treinos mais curtos.
  • Ajudar a incluir o exercício na agenda semanal de forma a que este se torne prioritário em relação a algumas tarefas menores.
  • Substituir o auto-diálogo negativo por um conjunto de palavras de sentido positivo para o cliente.
  • Focar a atenção nos benefícios intrínsecos do exercício.
  • Incentivar o aluno a centrar-se mais nas sensações do corpo durante o seu dia-a-dia fora do ginásio, ensiná-lo a ser mais consciente do momento presente com todos os sentidos.
  • Associar-se o mais possível a pessoas que sejam bons modelos (dentro do círculo social do aluno) em termos de hábitos de sono, alimentação e exercício.
  • Criar redes de apoio social no ginásio (workshops regulares sobre temas como gestão do tempo, como estabelecer objectivos, como alterar comportamentos; dinâmicas que premeiem a regularidade no exercício incluindo mesmo algumas motivações extrínsecas).

No fundo, trata-se de estarmos conscientes da concorrência indirecta de um programa de exercício físico e das forças sociais e de mercado que se opõem. Se não as ignorarmos já teremos dado um passo de gigante, se aprendermos com essas forças e fizermos uma marcação cerrada utilizando estratégias directas, poderemos vencer a avalanche promocional e publicitária dos jantares, das compras, das férias pouco saudáveis, das desculpas, etc.

5 comentários em “No Natal esvaziam-se os ginásios e enchem-se os centros comerciais”

  1. Muito bom Paulo.

    A ideia de fomentar um “peer group” no próprio ginásio é um conceito bem interessante.

    Os “workshops” temáticos, que andem à volta do treino da mente, através de algumas técnica de coaching e PNL, serão de todo bem vindos.

    Aquele abraço…

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