Y tú, ¿qué sabes de Bogotá?

Quando me convidaram para apresentar comunicações em dois congressos em Bogotá – Colômbia, fiquei muito entusiasmado. Mas depois, vieram as informações sobre o País, a cidade, informações negativas: traficantes, insegurança, má relação com os estrangeiros, embaixadas de Países como E.U.A., Inglaterra e Austrália a não recomendarem a viajem… Muitas, muitas histórias e informações que me deixaram inseguro e com dúvidas.

Preparei as malas, preparei a minha mente para uma semana de trabalho e recolhimento em hotel. Mas, assim que lá cheguei, toda a paisagem se alterou. Foi precisamente com o belo cenário visto de avião que o lado positivo da coisa começou a aumentar: estufas agrícolas, muito verde, campos bonitos… o diálogo informal e a simpatia das pessoas cuja função é controlar e manter a segurança… a forma como me receberam os organizadores… as ruas largas, os bons espaços verdes… o diálogo com os primeiros Colombianos que conheci, logo me fizeram esquecer as outras informações e a confusão do trânsito também conhecido como o el trancon. Seguiu-se um apertado controlo na entrada do hotel com militares, polícias, segurança canina… E… um descontraído Presidente da República a chegar com a sua simpatia e a deixar-se fotografar com toda a gente. Jantei a melhor sopa que comi num hotel ou restaurante em toda a minha vida e adaptei-me facilmente à simpatia e controlo emocional dos elementos do dispositivo de segurança.

As pessoas, os Bogotanos, são extremamente simpáticos, dispostos a ajudar, sorridentes apesar das dificuldades. Qualquer loja, café, restaurante, organismo oficial, quer sejam seguranças ou empregados de mesa, facilmente se trava uma conversação informal com eles. A variedade de aspecto físico impressiona: louros, morenos, africanos… Não há um padrão como noutros Países.

A comida, para alguém muito esquisito como eu, é uma verdadeira surpresa. Poucos molhos daqueles que não deixam ver a comida ou saborear os outros ingredientes. Carne, peixe, a variedade é impressionante! E as frutas? Pela rua, ou em qualquer lugar, é só escolher e parece que há todo o ano. Isso é fabuloso para alguém que gosta de sumos como eu. Mandarina e amora ficaram os meus favoritos, mas eram tantos! Caminhando pela, rua, entrando num café ou num restaurante, só não comemos de forma saudável se não quisermos. A disponibilidade de alimentos nessas lojas é muito superior à de Portugal.

Falavam mal da água… Fartei-me de beber água da torneira e sabe muito bem. A altitude e as montanhas que rodeiam a cidade terão algo a ver com o facto.

Verdadeiro exemplo a nível mundial no que toca à actividade física para todos, Bogotá dá ênfase à base da pirâmide da actividade física e do desporto. Lá, a competição tem o seu lugar mas primeiro está a base. Ao contrário de medidas hipócritas de outros políticos internacionais, aqui há acção no terreno. Cortam-se ruas, alteram-se vias regularmente para que os 7 milhões de habitantes façam actividade física de forma organizada. A Ciclovía y Recreovía habilita-se Domingos e feriados utilizando várias das principais ruas da cidade e uma rede de 121 kms de vias destinadas a ciclistas. Cerca de 2000 pessoas colaboram directa ou indirectamente para que todo o sistema funcione. Podemos ver pela cidade às terças e quintas à noite, os pontos de recreovía onde um palco, um sistema sonoro e 6 pessoas dinamizam actividade física para a população do local

A cidade tem grandes espaços verdes e outros em construção que atenuam os efeitos do seu trânsito. Mas, uma das coisas que mais adorei foi o facto de poder entrar em centros comerciais, restaurantes, bares, cafés e outras lojas sem cheirar tabaco. É tão bom sentir o cheiro da comida, da bebida ou mesmo o perfume das pessoas em vez do cheiro do tabaco tão comum nos restaurantes da minha terra.

Enfim, esta descrição é só uma amostra daquilo que podemos ter em Bogotá. Eu só estive 9 dias, mas foram uma óptima experiência profissional, turística e cultural. Recomendo a visita! Enquanto isso não acontece, ficam as fotos.