Volta tudo ao mesmo!

Depois de uma boa participação da Selecção Nacional de Futebol na fase final do campeonato do mundo, que fez esquecer todos os problemas do País, incluindo os vigilantes a serem obrigados a riscar nomes nas provas globais de Língua Portuguesa, os grandes acidentes automóveis e as vitórias daqueles desportistas que treinam 4 a 5 horas por dia e recebem subsídios de 500 EUR por mês, eis que tudo volta à normalidade. Os jogadores da selecção voltam a pedir dinheiro como o fazem sempre que há uma fase final de qualquer competição. Não são os clubes deles (esses que lhes pagam, até deveriam pedir dinheiro às Federações) que pedem, mas sim os próprios jogadores. Quando foram para Saltilho, não tiveram coragem de rever as contas enquanto estavam em Portugal e esperaram pela grande viagem para solicitarem as verbas. Na Coreia, o mesmo se passou. Agora viram os prémios aumentados em pleno campeonato e para tudo terminar bem, solicitam agora uma isenção.

Temos agora a isenção de IRS para os nossos jogadores que parecem ter aproveitado a situação para nos retribuir o apoio. Ou seja, eles que têm mais dinheiro e deveriam contribuir mais para a causa Nacional, são os que menos querem dar. Mas pior do que isso são os nossos governantes que justificam o “não” pelo facto de estarmos em época de contenção. Será que, no caso das finanças do País estarem bem, eles responderiam afirmativamente ao pedido do Sr. Madaíl?

Se o pedido fosse para os jogadores da segunda ou da terceira divisão que ganham 600 ou 700 euros por mês durante 10 a 11 meses, poderia até ser pensado, mas para jogadores cujos ordenados ultrapassam num dia aquilo que muitos ganham por mês, então é um roubo. Quando me provarem que um jogador profissional de futebol não ganha mais em 10 anos do que uma pessoa que ganhe o ordenado mínimo durante 40 anos, então poderão preocupar-se. Até lá, deveriam ajudar o País, investindo o seu dinheiro por cá, pagando impostos e fazendo acções de caridade e de ajuda aos mais necessitados de forma regular. Bastaria até a sua presença regular em festas, nos hospitais e em certas instituições para todos usufruirem. Um jogador profissional de futebol, é um previligiado. Faz aquilo que gosta é adorado por todos, ganha imenso dinheiro e se quiser não gasta dinheiro nenhum, pois a alto nível, basta um anúncio, ou um texto, ou uma foto dele para que muitos bens lhe sejam oferecidos. Ainda por cima, treina muito pouco quando comparado com atletas de remo, natação ou atletismo. Por pouco quero dizer: número de horas e intensidade de treino.

É verdade que o jogador de futebol é o motor da indústria da bola mas os benefício, os previlégios que tem são mais do que suficientes. Solicitar uma isenção de impostos é dizer que não quer contribuir para melhorar o País que acabou de representar.

O futebol é a modalidade mais praticada em Portugal, é a modalidade que mais dinheiro recebe de forma directa ou indirecta. Consegue até construir estádios para serem utilizados de 15 em 15 dias ou quase nunca (como acontece no Algarve). Consegue construir 2 estádios no Porto e mais 2 em Lisboa que se deveriam ter resumido apenas a um grande estádio (ao estilo de Saitama, por exemplo) no Porto e um grande estádio em Lisboa (assim os jogadores poderiam ter sido recebidos num estádio ao nível daqueles que utilizaram na Alemanha em vez de terem utilizado o velho Nacional que deveria ter sido uma das estruturas reconvertidas para o EURO 2004; assim seria possível abrir os estádios várias vezes por semana para diversos tipos de eventos em vez de andarmos a suportar os custos de manutenção dos estádios ou a não usufruir da totalidade das bilheteiras, casas de banho ou serviços para que foram construidos os estádios do EURO2004).

Os jogadores tiveram muito apoio, muita gente a sofrer por eles, a fazer sacrifícios para lhes darem todo o seu apoio ou apenas para os verem lá na Alemanha, nunca lhes falta nada e estou certo que qualquer pessoa gostaria de estar no lugar deles. Ainda assim têm atitudes destas e comportamentos inadequados nos estágios para quem do corpo depende como o mecânico das suas ferramentas.

Tiveram uma boa participação, é verdade. Mas não são uns coitadinhos de um pequeno País. Esse País pequeno, sempre foi grande no futebol. Grande porque sempre foi do top 10 mundial quando se trata de ordenados a jogadores, quando se trata de subsídios do estado, de construção de instalações, de situações fiscais especiais, etc. Um País com essas condições só pode, ou melhor, é OBRIGADO a estar presente em todas as fases finais e a passar para a fase de eliminatórias dessas provas. Daí para à frente, necessita um pouco de sorte, proficiência e outros detalhes, mas devemos EXIGIR que cheguem até lá. É obrigação de quem tem estas condições, de quem tem toda esta situação privilegiada. Vistas bem as coisas, no grupo de Países que gasta tanto dinheiro com futebol, só Portugal e Espanha é que não foram Campeões do Mundo. Portugal nem da Europa foi. Se calhar a hora está próxima. Na Europa não há muitos Países onde estejam jogadores que ganham mais de 200 mil euros por mês. Nós somos um desses. Portanto, temos de ser exigentes até determinado ponto. Fizeram uma boa campanha, mas não são uns coitadinhos nem a justificação de sermos um País pequeno serve. A Bélgica, a Suiça e a Holanda têm campeonatos de futebol profissional onde entram equipas que aqui seriam quase consideradas semi-profissionais. No entanto têm elevado número de presenças nas fases finais ao nível das Selecções jovens e menos jovens e até alguns títulos. Para além disso, não devemos esquecer que Porto Sporting e Benfica têm vários títulos e presenças vitoriosas em competições internacionais. Portugal pode ser um País pequeno e em dificuldades noutros aspectos, mas no futebol somos uma grande potencia mundial desde há muitos anos atrás. Por isso temos de ser exigentes com os nossos jogadores. Temos de colocar pressão nos jogadores e no treinador. Senão o fizermos, eles terão prestações medíocres como prova o passado recente. Não necessito recordar aqueles famosos sub-21 que após destruírem 3 balneários (só estes apareceram nas notícias) nem reprimendas tiveram por parte de quem os dirigia (será que dirigiam?!) ou o que aconteceu nos últimos jogos Olímpicos ao defrontarem equipas amadoras ou aquelas famosas noitadas. A pressão faz parte da actuação de um jogador que deverá estar sempre com um nível de activação óptimo em vez de estar demasiado excitado ou completamente relaxado e apático. Portanto, coitadinhos são os Portugueses que acharam que os jogadores de futebol profissional deste País estavam a fazer algo desumano só ao alcance de jogadores dos EUA ou da Austrália. Coitadinhos são aqueles que trabalham todos os dias no duro para ganhar 300 ou 400 euros para sobreviver contribuindo para que este País exista. Será que não merecem os impostos sobre 50 mil euros de jogadores que ganham vários milhares? A Federação não recebeu uns “trocos” pela sua classificação no Mundial? Sabem quanto custa a inscrição de um jogador de futebol num campeonato regional em Portugal? Já viram os preços dos bilhetes nos jogos do campeonato? De onde vieram tantos Portugueses interessados em futebol? Não os tenho visto nos estádios de futebol do campeonato Nacional. Será que não gostam de futebol? Enfim! Há muitas questões a serem respondidas mas para mim voltou tudo à forma inicial. Portugal já era respeitado no futebol. Quanto mais não fosse, à custa dos nossos clubes campeões Nacionais. E a economia não se mexeu devido à nossa boa participação no Mundial. Começa agora a campanha para outro Euro e devemos exigir o apuramento e em 2008 a presença nos oitavos de final como mínimo. Volta tudo ao mesmo: os jogadores de futebol são uns coitadinhos muito esforçados a fazer coisas incríveis, nós vamos continuar a não respeitar filas, a fugir aos impostos, a não festejar o Dia da Nação, a maltratar o vizinho do lado, a idolatrar o Cristiano (o jogador cuja estratégia se resume: “Passa-me a bola que eu quero fintar!”), mas sempre orgulhosos dos coitadinhos, pobres, desgraçados jogadores da nossa selecção!

Um comentário em “Volta tudo ao mesmo!”

Os comentários estão fechados.